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A corrida presidencial já começou e o cenário aponta para uma eleição que será um verdadeiro divisor de águas na história do país. No Entrevista com D'Avila, o estrategista político Roberto Reis analisa o atual desenho das pesquisas, com a polarização inicial entre Flávio Bolsonaro e Lula, e avalia se a "Terceira Via" (com nomes do Novo) tem força para quebrar essa hegemonia.
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NotíciasTranscrição
00:01emissoras do rio. Entrevista com
00:05Dávila. Ano eleitoral é época
00:10de muita pesquisa, análise e
00:12estratégia para definir o
00:13cenário, o sentimento do
00:15eleitor e as prioridades do
00:17cidadão que podem ser
00:18determinantes para a escolha do
00:21candidato que governará o
00:23país. A eleição presidencial de
00:25outubro será um divisor de
00:27águas. O país está a beira de
00:29um gigantesco problema político
00:32econômico, fiscal e social.
00:34Vinte anos de populismo
00:36debilitaram o funcionamento das
00:38instituições, aumentaram a
00:40insegurança jurídica e produziram
00:42baixo crescimento econômico,
00:44agravando os problemas prementes
00:47da baixa produtividade, perda de
00:49competitividade e da gigantesca
00:52irresponsabilidade fiscal. Mas
00:55graves crises provocaram ondas de
00:57reformas. Em mil novecentos e
00:59noventa e quatro, a crise
01:00inflacionária abriu espaço para
01:02eleição de Fernando Henrique
01:03Cardoso, o sucesso do plano real,
01:06as privatizações e a reforma do
01:08Estado. O impeachment de Dilma
01:10permitiu o presidente Temer
01:12avançar com a aprovação do teto
01:14fiscal, a reforma trabalhista e a
01:17reforma do ensino médio. O que
01:18podemos esperar do Brasil em dois
01:20mil e vinte e sete? Agravamento da
01:23crise ou oportunidade de mudança e
01:25reformas? Esse é o tema da minha
01:27conversa com o consultor e
01:29estrategista político Roberto Reis.
01:32Roberto, muito bem-vindo à
01:33entrevista com o Dávila. Muito
01:35obrigado, prazer falar com sua
01:38audiência, obrigado pelo convite,
01:41espero contribuir aqui. Obrigado,
01:43vamos começar pela discussão do
01:44cenário. Como você vê esse cenário?
01:47Porque hoje, na verdade, nós temos
01:49já dois candidatos que estão muito
01:51à frente dos outros, Flávio
01:52Bolsonaro e Lula. A terceira via
01:55tá começando a esquentar os
01:56motores. O novo já lançou Romeu
01:58Zema e o PSD parece que vem aí
02:01com o nome de Ratinho Júnior. Então
02:03como você vê essa mudança no
02:05cenário quebrando esse duopólio de
02:08Bolsonaro e Lula hoje que aparece
02:11nas pesquisas? Isso pode afetar o
02:14cenário eleitoral ou pode contribuir
02:16pra aumentar pelo menos a pluralidade
02:18do debate e diminuir um pouco aquele
02:20radicalismo e polarização que nós
02:22tivemos em dois mil e vinte e dois
02:23mil e vinte e dois. Felipe, é fato
02:27que estamos num país polarizado que não
02:30é de hoje, desde dois mil e
02:31quatorze, naquela eleição da Dilma e
02:35Aécio. Mas é nesse exato momento as
02:38pesquisas não refletem a realidade do
02:41que que a gente vai ver na campanha
02:43eleitoral. Explico. Eu tô pensando em
02:47eleições, você tá pensando, você é
02:49entusiasta desse tema, mas esse tema
02:52ainda não tá na cabeça do eleitor. Um
02:55dado que nem todo mundo sabe, cerca de
02:57um terço do eleitor chega na semana
03:01da eleição sem saber em quem vai
03:03votar. É ali que ele se decide, né?
03:05Então, quando nós vemos os números de
03:08pesquisas hoje, o que que a gente tá
03:10vendo, na verdade, é um rical. Se você
03:13perguntasse assim pro eleitor, quem que
03:15você lembra como grandes
03:17apresentadores de TV? Ele vai falar
03:19Silvio Santos, Faustão, o falecido
03:22Gugu Liberato, né? Ou seja, uma
03:25lembrança. Nesse exato momento, a
03:27lembrança que o eleitor tem em função
03:29da polarização é Lula e Bolsonaro.
03:34não foi apresentado ainda, pelo
03:37ecossistema político, o cardápio de
03:39opções para os eleitores, ou seja,
03:42isso vai acontecer de certa forma.
03:43Então, eu entendo o seguinte, a
03:47situação é polarizada, é polarizada
03:49sim, mas não significa que os outros
03:52candidatos estão fora do jogo, não.
03:55A partir do momento que eles, alguns,
03:58muitos deles estão em partidos grandes,
04:00que vão ter tempo de TV, tempo para
04:04apresentar a oportunidade de suas
04:06ideias, debates ali, pode acontecer de
04:09alguns deles subirem lá. Então, eu
04:11entendo o seguinte, temos uma
04:15diferença enorme para a campanha de
04:172022. Na campanha de 2022, somados
04:23todos os candidatos juntos, o índice
04:27deles, na média das pesquisas, nesse
04:30momento, era 42%. 42%, a soma deles
04:34todos. Lula, na ocasião, tinha em média
04:3743%, em função do Rical. Uma força
04:41incrível, né? Se for analisar, isso é...
04:45não são votos válidos, né? São votos
04:47totais. Foi mais ou menos o resultado
04:49que a gente teve na campanha, que foi
04:51decidida por 2%. Deu essa lógica.
04:55Nesse exato momento, agora, em
04:572026, o quadro é totalmente
04:59diferente. Somado todos os candidatos,
05:02eles têm 43%, novamente. Ou seja, uma
05:06coincidência aí, né? Nesse exato
05:08momento, na média de todas as pesquisas,
05:11o que mudou é que Lula tem 35% na
05:15média. A gente tá falando de 7 ou 8
05:17pontos a menos, em função de um
05:20desgaste natural, que é um mandato,
05:23né? Então, veja bem, o cenário
05:25começa de uma forma diferente, né?
05:28Então, nós temos uma segunda
05:30diferença muito significativa. Todos
05:33os candidatos juntos, na eleição de
05:362022, eram do campo de centro-esquerda
05:39ou esquerda? Neste exato momento, a
05:42gente não tem outros candidatos, se
05:44não Lula, na esquerda. Todos os
05:47espectros aí, as variáveis, as coisas
05:50que podem acontecer, estão na
05:51direita. O que leva a gente considerar
05:54que, naturalmente, esses candidatos
05:56não poderão apoiar o Lula num
05:58possível segundo turno, ou seja,
06:00estarão juntos num eventual segundo
06:03turno, no campo da centro-direita e
06:06direita, né? Então, eu vejo dessa
06:08forma uma mudança. Então, a gente tem
06:10uma chave aqui, como se fosse Copa do
06:13Mundo, uma semifinal, tá? Da direita
06:15aqui. Na minha opinião, devido a isso
06:20e vários outros dados que a gente vai
06:21conversar aqui, que o candidato que
06:23sair dessa chave aqui, ele ganha do
06:25candidato do espectro da esquerda.
06:28É um pouco que nem a eleição no Chile,
06:29né? O Chile foi isso. Juntou vários
06:32candidatos da direita, tinha
06:34praticamente um candidato competitivo
06:36que da esquerda, e no segundo turno,
06:38evidentemente, todos esses candidatos
06:40da direita se uniram, e o caso
06:42ganhou por 20 pontos de diferença,
06:43né? Tá acontecendo no mundo inteiro.
06:46Na América, o Equador, Chile, nós
06:50tivemos umas três ou quatro eleições
06:52dessa maneira que ocorreram assim,
06:54algumas na Europa também.
06:58para mais do que nomes específicos, um
07:01ou outro, eu entendo, honestamente, que
07:03a gente tá vivendo uma mudança
07:06estrutural de ciclo. Ela acontece, você
07:09vai entender bem do que eu tô falando,
07:10que você fala sobre isso também, ela
07:13acontece de forma natural. No mundo
07:16inteiro, tá acontecendo isso, as eleições
07:18americanas também mostraram isso,
07:21Argentina, mas no Brasil,
07:24especificamente, o nosso tá até
07:26atrasado. Você me permite, eu queria
07:28aprofundar nisso aí. Você acabou de
07:30falar de Fernando Henrique Cardoso.
07:32O nosso ciclo atual, na minha opinião,
07:36ele não começa em Lula, ele começa em
07:38Fernando Henrique Cardoso.
07:40Depois de 79, nós vivíamos anos de
07:43grande crescimento. Houveram anos que
07:47nós crescemos dois dígitos. Depois, é
07:49claro, tivemos a hiperinflação, a década
07:52perdida, mas ali nós estávamos
07:54experimentando um ciclo vertiginoso de
07:57crescimento. Quando o Fernando Henrique
08:00Cardoso vem pra resolver um probleminha
08:02que chamava hiperinflação, né? Ele
08:06inventa uma segunda invenção não tão
08:09bacana, chamada reeleição, né? Ele
08:13volta com a reeleição. Ali, ele entrega,
08:17de certa forma, grande parte do seu
08:19mandato para o Centrão, a CM Avô, na
08:23ocasião, e todos os programas sociais
08:28que tem hoje foram criados no governo
08:31Fernando Henrique Cardoso, não foi no
08:33Lula. Lula nunca foi um cara bom de
08:37criar pautas, mas sempre foi muito
08:40habilidoso em surfar pautas e
08:42oportunidades. Ele era ligado, né? O
08:49Brasil, inclusive, pisando um pouquinho
08:51na esquerda. Eles tinham até amizade
08:53no início da carreira política deles
08:55ali. Lula se elege com essas pautas,
08:58embalando tudo aquilo ali,
08:59distribuindo muito bem. Se reelege com
09:0280% de aprovação nessas pautas,
09:05elege sua sucessora na mesma
09:07estratégia e aí, em 2014, acontece uma
09:11coisa interessante. O Brasil ali já
09:13estava cansado desse modelo e já
09:15quis escapar. Parte da população já
09:18mostrou apta a mudar isso aí pra um
09:21outro ciclo, que ia ser um ciclo mais
09:24ligado ao social, igualdade. O Estado
09:26tava crescendo, já tava ficando pesado
09:28ali, mas Dilma se reelege de novo numa
09:31eleição muito polarizada, talvez porque
09:33o candidato, adversário dela, Aécio,
09:35tinha grande rejeição. 2018, adivinha,
09:38nós fomos pro ciclo de liberdade
09:41econômica, depois que passa o ciclo
09:43social. Aí veio Temer, Bolsonaro,
09:45depois do impeachment, né? Ali, é, aconteceu
09:48e já poderíamos estar desfrutando
09:51desse ciclo. Teve alguns errinhos no
09:54caminho que aconteceu de estratégia de
09:57candidatos ligados a esse aí. Eu entendo
10:00que Lula volta com um excelente produto
10:02eleitoral que ele sabe ganhar campanha,
10:05mas agora de pé trocado, num ciclo não
10:08adequado. As coisas que ele fazia que
10:11funcionava outra hora não funcionam tão
10:14bem. É dito por ele, é dito por Edinho
10:16Silva, todo o entorno dele fala, não
10:17conseguimos mais conectar a classe
10:21média. Por quê? Porque essa geração
10:23não é sindicalizada como a geração
10:27anterior, né? Ela priva mais por
10:29negociação, liberdade de horários, né?
10:33É uma coisa assim que não entra na
10:34cabeça do PT que outrora queria
10:38uniformizar tudo isso aí. Então, eu
10:40entendo o seguinte, qualquer que seja o
10:42candidato hoje mais ligado a esses
10:46valores, nesse exato momento, seja qual
10:48for o candidato desse campo, ele vai
10:51nadar uma correnteza a favor. E quem
10:53não estiver, e são poucos hoje, por
10:55exemplo, Lula ou algum outro candidato
10:58que vier, vai nadar contra essa
11:00correnteza. E o Brasil já tá, essa
11:03transformação já tá acontecendo de forma
11:05silenciosa há muito tempo. A única
11:07coisa, você concorda bem com isso, porque
11:09eu já vi você falando sobre esse tema
11:12em várias coisas. A única coisa que
11:14talvez é um ponto a se discutir, é que
11:17na minha opinião, não tem jeito da
11:19gente viver ao mesmo tempo um ciclo
11:21social e um ciclo de liberdade
11:23econômica. Pra mim, tá sempre revezando.
11:25Ou você tá de um lado, ou você tá de
11:27outro, né? E as democracias meio que
11:29funcionam sempre assim, né? Então, ó,
11:32boa notícia é que nesta conjuntura
11:34deve ganhar o candidato da direita,
11:36porque o que você tá dizendo é que
11:38essa mudança pra um ciclo de
11:39liberdade econômica, de exaustão do
11:42modelo de esquerda, esses candidatos
11:46todos, como você falou hoje, a
11:47presidência é porque são de direita,
11:49então a pluralidade tá de direita e
11:51tem o monopólio da esquerda,
11:52praticamente, na candidatura do Lula.
11:54Então, a intenção é repetir um pouco
11:56essa fórmula de Chile e demais
11:57países onde há esta alternância de
12:01poder. É, na minha opinião, esse ciclo
12:03que começou em noventa e quatro ali
12:05tá de hora extra, tá? Passou do
12:08tempo. Isso é dito, inclusive, por
12:10membros do próprio governo. A Simone
12:12Tebet fala, dois mil e vinte e sete,
12:14seja qual for o candidato que ganhar,
12:17ele vai ter que pagar a conta, porque
12:19hoje o Estado brasileiro, nós vivemos
12:21um custo de pandemia, não estando em
12:25pandemia, ou seja, a conta chegou.
12:27O que a gente pode falar é que é
12:29o seguinte, é quando o Lula se
12:30reelege, ele não, a gente, nós temos
12:33que ser honestos, ele não comete um
12:35estelionato eleitoral, ele fala, eu
12:37venho fazer mais do mesmo. Naquela
12:39ocasião ali, uma eleição de duelo,
12:42de rejeição, ele vem, então ele, de
12:45certa forma, satura mais esse ciclo e
12:47sempre acontece assim, em todas as
12:48democracias. Se eu puder citar dois
12:50exemplos aqui, porque eu já citei o
12:53brasileiro, os argentinos, eles pegam
12:56como a sexta economia do mundo, o
12:58peronismo, um ciclo vestiginoso de
13:00crescimento, exploram ao máximo, por
13:02muitos e muitos, muitos anos, as
13:04pautas sociais e a sociedade lá se
13:07cansa do Estado grande, né, a
13:10dificuldade de você prosperar e nós,
13:13ele, e eles, né, perdão, elegem o
13:15Macri, que vem com todas essas pautas
13:18de liberdade econômica, mas ele deixa
13:21para tentar aplicar isso no terceiro
13:22quarto ano, isso não funciona, você
13:24tem que aplicar no início, os dezoito
13:27meses que a gente chama de, é o prazo
13:30do namoro com o eleitor ali, que você
13:32tem que, as medidas duras, você tem que
13:34aplicar, né, e aí ele sofre uma
13:37derrota, vem mais um mandato do
13:38peronismo, mas no final das contas, a
13:41Argentina já estava mudando de ciclo,
13:43vem Milley, né. Historicamente, sempre
13:45aconteceu assim, a questão é que alguns
13:47países lidam melhor com isso, com
13:49oxigenação, você vê, os democratas
13:51pegam lá, é, igualdade, é, até
13:55crescimento, entregam-se aos republicanos
13:58crescimento e liberdade, e sempre vai
14:01revezando dessa forma, né, na Inglaterra
14:03tem um caso clássico, que pode fazer um
14:06paralelo com o Lula aqui, o Lula é
14:08forte, ele tem um recall muito grande, é
14:11conhecido, tem ações que ele fez para
14:14gerações de eleitores ali, né, mas o que
14:18importa mais do que um nome, na minha
14:20opinião, é o ciclo, o Winston Churchill,
14:23pós Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra
14:26experimentava um ciclo de crescimento
14:29gigantesco, né, no plano Marshall ali,
14:32então, herói de guerra, ele se candidata
14:34e é a surpresa de todos, ele perde, porque
14:37naquele momento a Inglaterra estava
14:39virando para o ciclo de igualdade quem
14:40ganha o Labur, o partido trabalhista
14:43deles, que vem com essas pautas, ou
14:45seja, o ciclo era mais isso, derrota de
14:47forma surpreendente o Winston Churchill,
14:49eles exploram ao máximo esse ciclo, que
14:51no final das contas vai entregar o ciclo
14:53de liberdade econômica para Margaret
14:55Tachan, sempre acontece isso, então o
14:58Brasil já está vivendo essa mudança, um
15:00último exemplo, eu fiz umas pesquisas
15:03qualitativas de um tempo para cá, daquela
15:04que você conversa direto com o eleitor,
15:07conversei com uma cabeleireira que não
15:09sai da minha cabeça, ela fala, ah, eu sou
15:10eleitora do Lula há décadas, desde o
15:13começo ali, sempre fui muito ligado ao
15:15PT, então ele me tirou da fome, quando
15:18eu vim para São Paulo, ele ajudou a
15:21colocar meus filhos na faculdade, e hoje
15:23a minha vida é uma beleza, eu empreendo,
15:25eu tenho aqui um salão de cabeleireiro, e
15:28eu tenho alguns funcionários aqui, PJ,
15:30só que aí eu lido agora com uma
15:33empresa, eu estou prosperando, eu saio
15:36de uma fase de sobrevivência e vou para
15:38uma fase agora de expansão, né, e aí eu
15:43sinto o peso do impacto, hoje eu não
15:45sou mais eleitor do Lula, ou seja,
15:47depois que a gente vive, o eleitor vive,
15:50sai da fase de sobrevivência, aí ele
15:52quer algo mais, o Brasil com bons
15:54números, quem é leigo nisso, acha que
15:57isso beneficia o Lula, não, aí a gente
15:59vai buscar outras vontades, é o que
16:02aconteceu nos Estados Unidos, que o Biden
16:04não entendia como é que a popularidade
16:06dele está ruim, sendo que os números
16:07estavam boas, né, o eleitor está sempre
16:10revezando, a democracia fala o seguinte,
16:12eu já tenho isso, então eu quero algo
16:13mais, é nessa fase que a gente se
16:15encontra. Essa veia empreendedora está
16:17mudando a atitude do brasileiro em
16:19relação ao voto, que é muito isso,
16:20inclusive agora, pesquisa feita
16:22recentemente nas favelas, mostra que
16:2470% das pessoas que moram nas favelas
16:26querem empreender, ou já empreenderam,
16:28vão empreender, então esse espírito
16:29empreendedor vai muito contra esse
16:32assistencialismo. Eu fiquei assustado com
16:33esse número. Impressionante. Eu sabia que
16:35que é o sonho número um. Não é a casa,
16:38não é o carro, é o Instituto
16:41Especialista, é data favela, a gente
16:42não combina isso, a gente viu isso
16:44recentemente, saiu, né, 70%.
16:47Espetacular. Ou seja, como é que o PT
16:50vai conversar com esse eleitor? Não
16:53faz sentido pra ele. É a mesma coisa
16:54do PT puxar pra si o diálogo de
16:56segurança pública. É. Não tem jeito.
16:58São temas, corrupção, segurança
16:59pública, custo de vida e inadimplência,
17:03muito alto. Censura na cabeça do eleitor,
17:05é os quatro C's do Lula. Custo de vida,
17:07corrupção, censura e corrupção. Não, não,
17:12tem mais um, são quatro, né? São temas
17:15que nesse ciclo, quem tá na oposição, o
17:19incumbente tem muita dificuldade de
17:22conversar. Essa questão da corrupção que
17:25foi na sua abertura é uma coisa
17:26interessante, tá? Olha só, eu vou dar,
17:31digamos assim, a chance pra dizer que o
17:34governo não estaria nada envolvido em
17:37qualquer tema de corrupção, mas não
17:39importa pra nós, quem? Profissionais
17:41eleitorais. O tema corrupção, ele sempre
17:45atinge o institucional, sempre quem tá lá
17:49na cadeira, sempre quem tá lá no cargo.
17:51Um exemplo claro é que Dilma, eu acho
17:54que ela nunca foi acusada ou julgada
17:58por corrupção, mas a corrupção pregou
18:01na imagem dela. Então, por exemplo, a
18:04crise de Banco Master ou CPI do INSS,
18:07adivinha de quem cai no colo?
18:09Independente de quem é a culpa do
18:11governo, por isso que eles estão um
18:13pouco preocupados com isso, assim,
18:15quanto mais esse tema ficar latente
18:19até as eleições, quem sangra nesse
18:21caso é o governo. Não precisa ter culpa
18:23ou não. O eleitor, ele olha lá, assim,
18:26a culpa é culpa de quem tá lá. E tem
18:29um, desculpa, interromper, tem um
18:30outro fator ainda. O eleitor sempre
18:33ele vê o lado vítima vilão. Vítima
18:35vilão. Na campanha de dois mil e
18:37vinte e dois, aconteceu uma coisa
18:38interessante. Pós-Covid, Bolsonaro,
18:41nas pesquisas, apareceu como um
18:43vilão, por causa do comportamento dele,
18:45né? Bolsonaro agora está preso,
18:48inelegível, né? Então, a vítima é
18:51ele. O vilão, na cabeça do eleitor, é
18:54o sistema. Agora, os dois candidatos
18:57hoje que lideram as pesquisas, Flávio
18:59Bolsonaro e Lula, tem enorme índice de
19:02rejeição. Isso cria oportunidade para
19:06outros candidatos da direita
19:08começarem a crescer? Você acha que
19:11vai concentrar em um nome ou você
19:13acha que vai ter uma certa pulverização
19:15do voto da direita? Afinal de contas, um
19:17número recente mostra que quarenta e dois
19:18por cento dos eleitores de direita
19:20gostariam de votar num nome que não
19:22seja Bolsonaro. Como você vê esse
19:24número e essa mudança do quadro com
19:28essas candidaturas sendo lançadas aí
19:30até o fim de março, começo de abril?
19:32Excelente pergunta, Felipe. Esse número,
19:34inclusive, vem crescendo. A última vez
19:36que eu tinha dado uma olhada nele, ele
19:38estava em torno de trinta e cinco e eu vi
19:40que ele cresceu. Existe uma parcela
19:42significante dos eleitores, um eleitor
19:45principalmente de centro, pragmático, que
19:48não é torcedor, que não veste a camisa, que
19:50entende que seria interessante uma
19:52eleição sem os nomes Lula e
19:55Bolsonaro. Então, vejo isso como uma
19:57oportunidade gigantesca para aqueles
20:00candidatos ali, Ratinho Júnior, Caiado,
20:04Zema, principalmente, eu vou contar essa
20:06história aqui. Então, assim, nós sabemos
20:09que eles largam atrás, mas eles precisam
20:12contar com uma conjuntura, inclusive,
20:15uma sorte de fatores também que
20:17acontece e uma escorregada na curva
20:21dos líderes, como se fosse uma corrida,
20:23né? Se escorregou, o outro passa, né?
20:26Eu entendo que Flávio Bolsonaro e Lula,
20:29nesse exato momento, são favoritos, pelos
20:31nomes, pelo Rical, eles largam na frente,
20:34mas eles não são garantidos. Isso
20:37aconteceu várias vezes. Quer um exemplo
20:39clássico? Eu sou de Minas Gerais, né?
20:41Nosso Swing State, Minas Gerais, e eu vi
20:44Zema sair de um por cento para ganhar a
20:46eleição em dois mil e dezoito. Naquela
20:48ocasião lá, aconteceu um cenário um
20:50pouco parecido com o que está acontecendo
20:52agora. Tínhamos um candidato apoiado
20:54pelo, a polarização, ele era diferente,
20:57pelo Aécio Neves, que era o Antônio
21:00Anastasia, e tínhamos um candidato
21:02apoiado pelo Lula, que era o Fernando
21:05Pimentel, e os dois polarizavam Minas
21:08Gerais. Ali já começou uma coisa que
21:13hoje já é fato, não temos mais quatro
21:16ou seis debates. Hoje nós temos dez,
21:19doze, você foi candidato, você sabe disso,
21:21dezesseis debates. Essa campanha, se todos
21:24os candidatos aceitarem os debates, a
21:27gente vai ter um volume gigantesco de
21:29debates. Então você põe um outro
21:32candidato no meio deles, que não é o
21:34candidato da polarização, vamos dar um
21:36exemplo claro do Zema que aconteceu em
21:40dois mil e dezoito. Eles ficam discutindo
21:43com acusações entre si, não procurando
21:46centralizar no problema, um embate
21:48terrível entre eles, o eleitor começa
21:51cansar daquilo outro. Se quem tá ali no
21:54meio dessa discussão, for mais
21:56pragmático e souber apresentar boas
21:59propostas pra isso ali, no momento
22:01certo, pode ser que aconteça aquele
22:04efeito assim de, cara, eu gostei desse
22:06cara, esse cara, esse de fato, pensa em
22:09mim. Zema, ele vai num debate da Globo
22:12com total desconhecimento, há uma briga
22:16entre esses dois candidatos polarizados
22:18que ele só se embate, a tréplica cai na
22:20mão do Zema. O Zema faz uma resposta
22:24incrível, do tipo assim, olha, eu não
22:26estou preocupado com a briga de vocês
22:27dois, eu estou preocupado em resolver o
22:29problema do eleitor, então a minha
22:32opinião sobre isso é essa, essa, essa.
22:34No outro dia, ele dispara mais de sete
22:38por cento nas pesquisas. Dez dias
22:40depois, ele dispara e chega na média de
22:42doze ou treze por cento e aí acontece
22:44uma coisa mágica. Nem é tanto número. A
22:48partir de dez por cento, você já
22:50começa a ter perigo, né? Mas é a
22:52velocidade. Algo que aconteceu com
22:54Pablo Marçal, por exemplo, também. O
22:57eleitor, ele gosta muito desse
22:58sentimento de vir pegar o cavalo que
23:00tá lá atrás, vencilhado, passando,
23:03correndo, né? O famoso efeito manada,
23:06né? É difícil segurar isso. Quando o
23:08Eduardo Campos tem um acidente dele, a
23:11Marina, é, pega esse tipo de eleitor
23:14também, né? Exatamente. E começa a
23:16crescer muito rápido, é muito difícil
23:18pra que o outro lado breque. Ou seja,
23:20tem que ter um fator sorte também,
23:22porque você sabe que debate é um
23:23sorteio, né? Tem que, naquele momento
23:26ali, tem que acontecer algumas coisas,
23:28mas aconteceu, é, esse fator sorte aqui
23:31na eleição de São Paulo. Então, pode ser
23:34que, estando preparado e os dois
23:37candidatos favoritos errem na curva, né?
23:39Um desses candidatos se aproveita
23:42desse momento. O Zema, na minha
23:44opinião, ele resgata mais esse cara
23:47do antissistema. Primeiro, pela
23:50independência dele. Como ele não tem
23:51rabo preso, ele pode bater em quem
23:54precisa, é, apanhar, né? Ele, ele tem
23:57essa liberdade, ele tem essa coragem,
24:00porque ele sabe que o telhado dele não
24:01é de vidro. Segundo, porque ele deu uma
24:04ajustada boa na comunicação de um
24:06tempo pra cá. Eu vi uma melhora
24:08significativa, tiraram alguns pontos que
24:10estavam ruins, melhoraram outras. E
24:13terceiro, que por uma sobrevivência da
24:16causa de barreira, essa é uma opinião
24:18pessoal minha, tá? Eu acho que ele deve
24:21vir, ele o candidato. Estão
24:24ventilando, ele visse de ambos candidatos,
24:27de alguns candidatos de direita. Na minha
24:28opinião, em função do papel que ele tem
24:33que cumprir no partido dele, o partido
24:34novo, deve vir ele, o candidato. Nesse
24:37sentido, ele se coloca ali como um cara
24:40assim que não pega nem Lula, nem
24:42Bolsonaro e um sentimento que tá tendo
24:45hoje também do, do antissistema, né? Tem
24:47alguns outros candidatos que também
24:49pegam esse sentimento ali. Está
24:51posicionado bem. Algo que a gente já
24:53viu acontecer em outra campanha. Então,
24:55eu acho assim, não tá em nada certo, tem
24:57favoritos. Mas, sério, é. A corrida tá
25:00nem começou ainda, né? Só tá no
25:02aquecimento. É, falou em favoritismo
25:05em campanha eleitoral, é um convite
25:08assim pra algo estranho acontecer. Aqui
25:10é o país que temos avião caindo,
25:13facada acontecendo, então, né? Mas isso é
25:16uma boa notícia. Então, o Zema, na sua
25:18opinião, deve permanecer na corrida até
25:21o fim, porque ele tem chance de ter
25:23este efeito mineiro, ou seja, na reta
25:26final, ter ali uma crescida por ser
25:28considerado um candidato antissistema e
25:31daí, eh, isto é o que o eleitor vem
25:33buscando, como alternativa à
25:36polarização. É, agora eu vou falar do
25:38ponto de vista de estrategista
25:40eleitoral. Para o Brasil, é interessante
25:43que candidatos que pensem muito
25:44parecidos, eles se unam no final.
25:46Uhum. Pra isso, a gente até tem o
25:48segundo turno. Mas, do ponto de vista
25:50estrategista eleitoral, se eu cuidasse
25:53disso, do novo, do Zema, eu vejo que
25:55assim, a construção que vem sendo
25:57feita, a narrativa do Partido Novo, o
26:01que que ele vem como um um diferencial,
26:04eh, ele se contradiz se ele for vice de
26:07um outro candidato. Uhum. Melhor que ele
26:09arrisque, melhor que vá pra um all-in,
26:11até não dê certo, né? Mas que tenha...
26:13Mantenha a coerência. Mantenha a
26:15coerência daqui até lá. Então, nesse
26:18sentido, se o Brasil, a sociedade como um
26:21todo, sentir que, cara, eu cansei desses
26:23dois nomes, porque hoje a gente vê em
26:25pesquisa, 60% não queria nem que o Lula
26:27se candidatasse. Uhum. Isso na média das
26:30pesquisas, né? Então, esse candidato tá
26:33muito bem posicionado. Se ele tiver a
26:36oportunidade de falar a coisa certa na
26:38hora certa, tem uma chance muito grande
26:40aí de, eu não vou falar ganhar, né? Sim.
26:43Mas de ter bons números, porque ganhar
26:45envolve outras coisas também. E por fim,
26:48isso aí é o seguinte, nós sabemos que o
26:51PT não quis testar o Flávio até hoje.
26:54Quando o Flávio se lança, ah, é nosso
26:56candidato favorito, continue, Flávio, o
26:59diálogo do Lula. A partir do momento que o
27:01Flávio consolida a sua candidatura, com
27:04excelentes números e um crescimento
27:06rápido que assusta até o PT, eu acho
27:09que assustou toda a classe política e
27:11assusta principalmente o PT, né?
27:13Agora em diante, ele vai ser testado, né?
27:16Então, a gente tem que ver que nível de
27:18teste. Eu até vou ser honesto nesse
27:20sentido. Se vierem com as mesmas
27:22acusações que já, isso não derruba ele
27:26não. O cara que já responde a pesquisa
27:29falando que tem intenção de voto nele,
27:32já conhece esse contexto do Flávio, só
27:34se eles vierem com novidades, né? Mas o
27:36que eu quero dizer é o seguinte, o
27:38candidato da direita que está liderando,
27:41ele começa a ser testado agora.
27:42nesse momento. Ou seja, Zema precisa
27:45perseverar na candidatura, que é a
27:47melhor coisa, pra ele, pro partido e até
27:50pra direita, pra poder ter uma opção. E
27:52o caso de Flávio Bolsonaro é aguentar
27:55agora o primeiro embate forte pra ver se
27:57ele continua forte e não cai nas
28:00pesquisas e aí mantém a liderança e
28:02aí tem chance dessa candidatura ter
28:04mais tração futuramente. É verdade. Por
28:07exemplo, o que que o novo vai falar com
28:10eleitor dele se ele for no reboque em
28:16outra candidatura que contradiz aqueles
28:19valores do novo ali desde a sua
28:23fundação? Não tem muito argumento. Eu
28:26até entendo, na minha opinião, que é o
28:28seguinte, é, neste momento eu vejo boa a
28:32pulverização de candidatos de direita que
28:37inevitavelmente podem estar juntos no
28:39segundo turno. Eu não vejo isso de
28:41forma ruim, tá? Que saiam vários
28:43candidatos, três, quatro, tá se
28:45ventilando que a possibilidade até de
28:47sair quatro candidatos. Eu vejo de uma
28:50forma boa. Nós sabemos, o meio político
28:53sabe, o mercado financeiro, todo mundo
28:55sabia que tinha, existia um candidato
28:57que conseguia, já desde as prévias, unir
29:01todos eles, que era Tarcísio de
29:03Freitas, né? Era uma conjuntura de
29:06centrão, bolsonarismo, várias outras
29:08frentes, os evangélicos, poderiam unir
29:10vários deles e saiu com mais força.
29:13Nesse caso aqui, a gente tá caminhando
29:15pra um cenário muito do exemplo que
29:17cedeu de Chile. Agora, o risco nesse
29:20cenário é ficar muito competitivo a
29:23essas candidaturas na direita e aí
29:25começar o efeito Pablo Marçal,
29:27começar a atacar um outro e aí pode
29:29dificultar essa união no segundo
29:30turno, né? Então, os candidatos da
29:32direita precisam ter essa disciplina,
29:35continuar fazendo a sua campanha, sem
29:38agressividade de um lado pro outro,
29:40pra poder ter essa aliança no segundo
29:41turno. Senão, você não acha que pode
29:42ter um desgaste e atrapalhar isso?
29:47Existe uma turma, que são os
29:49governadores de direita do SUS,
29:52e Sudeste? COSUD, consórcio dos
29:55governadores do SUS e Sudeste.
29:57Esses caras se encontram de quatro em
29:59quatro anos, desculpa, eles se
30:01encontram nos últimos quatro anos,
30:03perdão, de dois em dois meses, três em
30:05três meses, eles se encontram sempre,
30:07eles têm pautas alinhadas, algumas
30:09relacionadas à segurança pública,
30:11eles conversam entre si, muito
30:13provavelmente eles estarão unidos no
30:14segundo turno, são amigos, troco
30:17ideia, tem até grupo de WhatsApp juntos,
30:19eles não têm nenhuma sinergia com
30:20Lula, eu acho difícil eles se
30:23atacarem, né? Ainda mais que três
30:25deles foram pro partido do
30:27Gilberto Kassab, PSD. Quem poderia
30:30atacar eles eram um Bolsonaro, mas
30:33não Flávio, não é perfil do Flávio
30:36atacar, tá até me surpreendendo nesse
30:38aspecto, algumas pessoas falaram, ele é
30:40bem diferente do pai, ele tá sendo
30:42muito pragmático nesse sentido, eu não
30:44consigo enxergar Flávio atacando
30:47outros candidatos de direita, né? Agora,
30:50nós temos o Renan Santos do MBL
30:52também, que ele vem com uma novidade, é
30:55importante pra ele se posicionar, ele
30:58vem também com a imagem do antissistema,
31:00é claro que por ele ele vai atacar, né?
31:03Porque ele tá lançando um novo
31:07projeto, né? Um novo partido agora,
31:10tanto faz, mas assim, até ele, se
31:13tiver certo respeito ali, não ficar um
31:16ataque assim, muito pessoal, é até bom
31:19que aconteça. Não houveram falta de
31:22ataques na eleição do Chile também,
31:24né? O que não pode acontecer, e aí é um
31:26cenário que, independente de direita e
31:28esquerda, eu não concordo com isso, é um
31:29cenário de show, de horrores, como teve a
31:33eleição de São Paulo. Aquilo ali foi ridículo.
31:37Eu acho assim, que um dia eu posso
31:42conhecer ele e ele explicar esses motivos,
31:46mas nada justifica, na minha opinião, o
31:48que o Pablo Marçal fez. Aquilo ali é
31:51respeito do ser humano. Eu, por exemplo,
31:54eu tomaria uma atitude muito parecida
31:55com o que o Ricardo Nunes tomou no
31:58segundo turno. Eu não quero nem conversa
32:00com você. Isso não é um papel nem de
32:03político, né? É de homem acontecer. Com
32:05respeito, você pode debater ideias ali,
32:08você pode fazer. Sempre aconteceu, eu
32:10sou da época ali de acompanhar aquela
32:12eleição de 89, mas com um certo
32:15respeito, né? Aqui até a agressão
32:17física teve. Se não tiver isso, muito
32:20provavelmente estarão juntos no segundo
32:21turno. Outro ponto muito importante
32:25nessa eleição é o Senado Federal. Eu
32:28digo que nós temos talvez um dos piores
32:30Senados da República desde a
32:32redemocratização. Muito medíocre, falta
32:34liderança e nós temos chance de ter um dos
32:37melhores Senados com essa boa safra de
32:39governadores, provavelmente disputando
32:42cadeiras no Senado Federal. Como você
32:44vê a eleição do Senado? O Senado
32:47neste aumento de senioridade, seriedade e
32:51recuperar o seu papel fundamental de
32:53restabelecer esses pesos e contrapesos
32:55da República que se perderam nos últimos
32:57anos? Ótima pergunta. Felipe, se nós
33:01juntarmos alguns governadores do Sul, Sudeste,
33:05Centro-Oeste, nós temos uma safra de
33:07governadores como nunca teve na história, que
33:10alguns vão ser candidato ao Senado. Em índice de
33:13aprovação, a gente tá falando que o Ratinho
33:15Júnior tem 85%, a gente não sabe se ele vai
33:18vir presidente ou Senado. Caiado tem 90% e tem
33:22alguns outros também. E fora isso, o
33:25background deles, você vê o Zema como
33:27empresário, a vida resolvida, ele resolve
33:31vir, né? Eu não tô falando candidato a
33:33Senado, né? Ratinho Júnior também, pra
33:35melhorar a sociedade, não precisavam disso,
33:38né? Nós vimos isso aí acontecer. Muitos
33:42desses bons candidatos vão ser candidatos
33:45ao Senado. É, eu só discordo um pouquinho, eu
33:50acho que já vem melhorando um pouco. Eu tava
33:52contando aqui antes nos bastidores do
33:54sei o que eu sou da época ali de Malu, Finilto
33:56Cardoso, assim, meu avô. Então eu vejo a
33:59pesquisa, a, a, a, desculpa, a política
34:03brasileira melhorando com o tempo, assim,
34:06gradativamente. É porque acontece de forma
34:08lenta, né? Então eu acho que será o melhor
34:10Senado de todos os tempos, terá um alto
34:13índice de renovação. Alguns senadores que
34:16estão aí, que são figurinhas carimbadas, os
34:19caras tendem a perder, já sabem disso, não
34:22precisa nem citar nomes, né? De centro, é, de
34:25esquerda, aqui, é, o que me faz ficar
34:30otimista, otimista nesse cenário e um
34:33Senado forte e com atitude ele pode
34:36pressionar imensamente os outros
34:38poderes. Então é, é, é outro ponto
34:41também. Digamos que eu esteja
34:44absolutamente errado em toda essa
34:47concepção de mudança de ciclo que
34:49favorece a alternância de governo e
34:51Lula ganhe, né? Digamos que eu seja
34:54errado, que tipo de Senado vai ter lá do
34:56outro lado pra enfrentar ele? Sabe disso, tá?
34:58É. Um amigo em comum que eu tenho com ele
35:01falando, ele tá, eu acho que ele tem mais
35:03preocupação se ele ganhar do que se ele
35:05perder, né? Tanto pelo fiscal como o
35:08parlamento que vai vir aí, né? Com certeza.
35:11Então, é, essa ótima renovação do Senado
35:14você vê como muito promissora e que vai
35:16acontecer a despeito da eleição
35:17presidencial, né? É, é, é, sabe aquela
35:20questão do ciclo? Já vem acontecendo, ano
35:23após ano, após ano. Tem um vídeo famoso
35:26aí do, de um banqueiro que ele fala
35:28assim, olha, eu venho acompanhando, é um
35:30áudio vazado de uma reunião dele, eu venho
35:32acompanhando, ano após ano, é, passo a
35:36passo um crescimento da direita, eu tenho
35:38grandes estudos sobre isso aí, o Brasil já
35:40tá guinando a direita há muito tempo, há
35:43candidatos mais ligados, né? A liberdade
35:47pra empreender, a livre iniciativa, então a
35:50gente vê isso, conservadores já ocupando
35:53até cargos de conselho tutelar, mais
35:56vereadores, prefeitos, governadores, olha
36:02que interação, interessante, congresso,
36:04dois mil e vinte e dois, declaradamente o
36:07congresso já é cinquenta por cento de
36:09direito, isso nunca aconteceu. Ah, Roberto,
36:12mas eles falam que são de direita, mas não
36:14são de direita, mas só de declarar que é
36:16de direita, e aí a gente tá falando 25%
36:19esquerda e 25% centro, ou seja, já é
36:22muito significativo, com uma tendência a
36:24aumentar, tá? Eu tenho um estudo lá, um
36:28gráfico que mostra, assim, partidos de
36:30esquerda no congresso diminuindo, desde
36:33que o Lula saiu e esse ciclo tá mudando
36:35aí, então eu vejo isso aumentar. Esse
36:39congresso entrando e fazendo o papel dele,
36:41eu tô otimista, é pelos nomes, né, sem
36:44querer entrar aqui, eu vejo, assim, como um
36:47fator de mudança no Brasil que poucas
36:50pessoas falam, sempre foca muito no
36:53nome do presidente, né? Presidente no
36:55Brasil, cê sabe, né? Eu costumo brincar
36:57até diante dos poderes, quem atua em
37:00bastidores, que é quase que segundo
37:01escalão, presidente do Brasil, quem manda
37:03são outros. É verdade. Agora, um ponto
37:06importante, na abertura do programa, eu
37:08comentava, como crises no Brasil foram
37:12indutores de mudanças importantes,
37:14reformas institucionais, crise de 94, com o
37:17plano real e todas as mudanças que
37:18vieram no Estado brasileiro, depois com
37:20Michel Temer, é, você acha que neste,
37:23nesta nova conjuntura, o Brasil vai ter
37:26coragem de enfrentar essas grandes
37:27reformas? Porque são reformas
37:29extremamente impopulares. Nós teremos a
37:32coragem de um governo como Milley, ou
37:35seja, nós temos que enfrentar uma questão
37:36fiscal, seríssima, nós temos que fazer
37:38a reforma do Estado, seríssima, nós
37:41temos, fazer a reforma administrativa,
37:43acabar com o ativismo do judiciário,
37:46ou seja, tem tanta coisa, você vê essa
37:49disposição nessa combinação de um
37:51presidente ungido pelas urnas de
37:54direita com esse congresso pra avançar
37:56com essas reformas, ou mais uma vez
37:58será capturada pelo centrão e saem
38:01essas reformas aguadas que nós somos
38:03obrigados daqui a alguns anos fazer
38:05outra reforma, como é o caso da
38:06reforma, por exemplo, da Previdência
38:07Social. Fizemos já no governo
38:09Bolsonaro e já vamos ter de fazer de
38:11novo uma outra reforma previdenciária.
38:13Como você vê a agenda reformista no
38:16Brasil a partir de dois mil e
38:18vinte e sete com essa mudança na
38:19liderança da presidência da
38:20república? Eu vejo como otimismo,
38:24mas por um motivo um pouco diferente,
38:28não porque eles estão apenas pensando no
38:32Brasil, mas de uma forma mais pragmática.
38:35Dois mil e vinte e sete, segundo não
38:37eu, mas a própria Simone Tebit que cuida
38:39disso, seja qual for o presidente, ele
38:41vai ter que pagar a conta. O famoso custo
38:44de pandemia não estando na pandemia, né?
38:47Então eles sabem disso. Eu antigamente
38:50achava que o Estado não podia falir, tá?
38:53Até eu ver Minas Gerais de perto.
38:55Eu sou de lá, eu vi o Zema, não tinha
38:59dinheiro pra pagar professores, nem repasse
39:01as prefeituras, o Estado parou,
39:03literalmente parou. Aí eu vou, eu vou
39:06falar o que eu já escutei, até o
39:07político se preocupa com isso. Ele sabe
39:10que ali a vaca leiteira dele. Então a
39:12gente tá num nível de tamanho de Estado
39:16carregando e não dá mais pra crescer
39:19pela via de, desculpa, resolver pela via
39:22de crescimento de impostos. Realmente
39:24agora a gente tem que enxugar, essa conta
39:26tem que ser paga, né? Qual que é o
39:28pragmatismo nesse sentido? Ó, temos um
39:31grupo muito viciado, que é o grupo do
39:33Lula, que vem, não de, somada a Dilma, né?
39:37Você tá vindo aí de cinco mandatos,
39:40querendo o sexto, né? Que é um grupo de
39:43difícil mudança. Por exemplo, o PT tem
39:45absurdos 38 ministérios. 38 ministérios.
39:51Ele, mesmo assim, olha que interessante, ele
39:54distribui apenas 23% desses ministérios
39:58para os grandes partidos, os partidos do
40:00centro. Então ele não tem muita base de
40:03apoio pra fazer grandes mudanças, nem
40:05que quisesse, né? Um governo minimamente
40:10bem intencionado, qualquer um de direita
40:13ali, ou centro de direita, né? Muito
40:16provavelmente ele vai chegar e vai querer
40:17promover essas mudanças. Naquele período
40:20ali, que a gente chama de fase de namoro,
40:23que é o período de... Lua de mel. Lua de
40:24mel. Essas mudanças aí, né? É, ele vai
40:28ter que entrar e tem que distribuir
40:31melhor esses poderes. Primeiro, porque ele
40:34precisa das mudanças, né? Segundo, porque
40:36ele topa fazer o que o Lula não topa. O
40:39Centrão, por exemplo, já mandou recado
40:41com o Lula, a gente topa aí com você,
40:44entrega metade dos ministérios, entrega o
40:46vice. Ele olha pro Temer e lembra, não é
40:49bom, não é isso. Eu tenho trauma em
40:51função disso. Você quer fazer um governo
40:54no sentido dele, que privilegie os
40:56companheiros. Então hoje a gente tem
40:58ministério pra partidos pequenos, partidos
41:00de nicho. Sinceramente, todos, você junta
41:04todos os partidos de esquerda hoje, dão
41:0517% do Brasil. Então tem ministério pra
41:08rede, PSOL, PCdoB, tem ministério pra
41:10sindicato, tem ministério pra companheiro,
41:12tem 14 ministérios pra PT, difícil fazer
41:14isso aí. Entregando um governo, realmente
41:17coalizão, para esses outros partidos, vai
41:21ter base pra passar essas reformas. Que
41:24eu sei, é o Centrão, tal, é fisiologista,
41:26mas o Centrão, na fase de namoro, que não
41:29afete a campanha eleitoral, ele topa fazer.
41:31Um exemplo, Temer, tudo rápido. E Felipe, dá
41:35pra fazer tudo, todas as reformas que a
41:37gente precisa, se tiver boa vontade, em um
41:39ano. Quer que eu digo mais? Dá pra fazer, dá
41:42pra começar a fazer isso aí, antes de
41:45entrar no governo. Ganhou um cara de
41:47direita, né? Mais pró-mercado, mais
41:50reformista, né? Ali, o que que o Milley
41:53fez e o Trump fez? Começam a ser
41:55estudadas as medidas antes de entrar
41:57naquele prazo de 60 dias ali, chega nos
42:01seis primeiros meses, você passa tudo, é
42:02rápido. Só a sinalização de boa vontade
42:07já vai trazer um impacto menor nas
42:11despesas públicas, a taxa de juros,
42:14porque, que só te sinalizar, não tô
42:16falando nem mudar, não, né? E a gente
42:18muito provavelmente, esse é um ciclo
42:20virtuoso, né? Ali, em um ano dá pra
42:23trazer tudo. Perde popularidade? Perde.
42:27É, porque são reformas que tem que
42:28cortar na carne, apertar o cinto. Mas, os
42:31candidatos de direita tem uma bala de
42:33prata pra isso. Se o Estado vai tirar,
42:36porque ele vai precisar tirar, com uma
42:38mão, grande parte dessas benefícios, o que
42:41que ele pode entregar que os partidos
42:43de esquerda não podem? A pauta de
42:44segurança pública. Então, você vai com o
42:46eleitor, você tira de um lado, entrega a
42:48segurança pública, que não é caro, é
42:50atitude, né? Você não perde popularidade
42:53no início. A esquerda não pode fazer isso.
42:55Então, eu tô vendo como eu disse. Eu acho
42:57que todos eles entenderam isso. Estão até
43:00unidos nesse sistema. Então, a gente pode
43:02estar até matando dois coelhos com uma
43:04cajadada só. A gente tem que entregar
43:06alguma coisa. Segurança pública. E apertar
43:09o cinto das contas públicas, né? Eu
43:12vejo que dá pra fazer, sim. E vai ser
43:14rápido. É, pique Temer, né? É isso aí. O
43:18Temer conseguiu fazer isso. Aliás, conta
43:21muito também que o Temer foi uma
43:22liderança importante no Congresso, inclusive
43:24presidente da Câmara, dos deputados.
43:26Então, essa ótima relação facilitou muito
43:29também fazer os acordos pra provar quase
43:31que um fast track essas reformas de
43:33importância. Agora, vamos tocar aqui em
43:35dois pontos fundamentais, porque tem
43:39três pontos. Na verdade, o ajuste fiscal,
43:41a questão fiscal, todos concordam como é
43:44que tem que fazer, todos têm o diagnóstico
43:46claro, esse não é problema. Os outros
43:47dois temas, corrupção e insegurança.
43:51Corrupção é o tema que vai ficar mais
43:53quente nessa eleição, justamente por
43:54todos esses últimos eventos que nós
43:56tivemos, Banco Master, INSS, etc. O problema
44:00é que na hora que você monta uma chapa
44:01com outros partidos do Centrão, vão
44:04começar a falar, bom, você tá falando
44:05que tá combatendo a corrupção, mas e o
44:06seu aliado ali naquele estado e ali e tal?
44:09Como é que esse discurso pode ser
44:12esvaziado por causa das composições
44:14das alianças? E na questão da
44:17segurança, vai sempre tentar dividir o
44:20problema com a responsabilidade dos
44:21governadores. Afinal de contas, os
44:23governadores são responsáveis pela
44:24segurança, matem o combate ao crime
44:25organizado, fronteira, etc. Você acha
44:29que esses dois fatores podem enfraquecer
44:32o discurso da direita ou como que a
44:35direita pode se comportar pra aproveitar
44:39essa onda e se posicionar de maneira
44:40muito firme em relação a esses dois
44:43temas? Eu vou deixar o tema mais
44:46complicado pra o a segunda resposta que
44:50é corrupção. Segurança pública sempre
44:54aconteceu, historicamente, esse debate. É
44:57uma transferência de culpa. Então, assim, a
45:00culpa é do Estado, a culpa é sua, é mais ou
45:03menos passar de mão em mão essa batata
45:05quente. Neste exato momento há uma
45:08diferença. Se você pega os governadores
45:11mais ligados a centro-direita e direita,
45:13eles têm o que apresentar em segurança
45:16pública. Aqui em São Paulo foi uma
45:18melhoria significativa. Eu sei que quem
45:21sofre o assalto hoje tem o celular
45:23roubado. Talvez não sinta isso, mas todos
45:26os índices caíram, assim, pra níveis
45:29recordes, né? Goiás, a gente tem uma
45:32mudança ali maravilhosa, que assim, eu
45:36fui lá recentemente, dei uma palestra
45:38lá e conversei com um cara no Uber,
45:40assim, é uma mudança de assustar o que
45:43aconteceu lá, né? Fantástico. De assustar
45:45pra bom. Não, é que melhorou muito. É
45:49porque a gente acha que demora, né? É.
45:52Não, mudou da água pro vinho. Você pode
45:54andar com o celular lá na... Cara, lá o
45:57Brasil, o modelo do Brasil que a gente
46:00quer, né? Paraná nem se fala. E todos os
46:03outros. Então tem que apresentar. Se você
46:05pega os resultados de segurança pública
46:08dos governadores de direita e dos
46:10governadores de esquerda, aí Bahia,
46:12Ceará, cara, é muita diferença. Mas é
46:15assim, é gritante. É como se fosse
46:18assim, oito e oitenta, né? Então esse
46:21debate se encerra aí. Dessa vez, a
46:25direita tem como apresentar de forma,
46:27não só no discurso, mas de forma
46:31prática, nos números. E os números não
46:33tem jeito de discutir. E nessa
46:34comparação, inclusive, com os governos
46:36de esquerda, que pioraram muito os
46:37indicadores de segurança, quando os
46:39estados governados pela direita
46:40aumentou, melhorou demais. Nesse aspecto,
46:42a gente pode usar uma ferramenta que a gente
46:43usa no marketing eleitoral, que é
46:46natural, existe um pedacinho do Brasil
46:48que tá funcionando melhor. A gente usa
46:50isso. Comparação, A e B. Então essa não
46:53tem discussão. Fora que não tem jeito
46:56do Lula pegar esse discurso, que são
46:5925 anos defendendo o cara que tá do
47:04outro lado, né? Você tem hoje um, pega
47:06no YouTube assim, falas do Lula que se
47:09contradizem com o embate nessa, não há
47:12idônia, que conseguiu resolver essa
47:14situação, né? Essa é a primeira coisa.
47:16Agora vamos pro tema complicado,
47:18corrupção. Eu tô trazendo, assim,
47:22tópicos de otimismo. E aí eu não vou
47:25trazer pra esse, não. Tem jeito, né, de
47:27falar de tudo. É porque eu entendo que
47:29o seguinte, a corrupção, ela é melhor
47:32combatida quando ela é um lado só.
47:34Perceba a Lava Jato. Enquanto ela vinha
47:37pegando todos os desmandos só do PT, ela
47:41tava se movimentando muito rápido,
47:43tratorando, como diz, né? De repente
47:45começou a cair todo mundo no problema.
47:49Aí todos os aspectos e todos os poderes.
47:52E aí, eu que vivo Brasília e faço mais
47:56de 150 campanhas no Brasil inteiro, eu vi
47:58que a classe política tende a entender
48:02que é o seguinte, quando o problema é de
48:06todos viram a página. Então, o sentimento
48:09que eu tô, e eu te prometi honestidade
48:12aqui, é meio de um abafar isso aí.
48:16Acabar em pizza. Eu tô sentindo que o
48:18problema é de todos. São todos os
48:20poderes, todas as ideologias, todos os
48:22candidatos. Então, eu vejo, assim, que
48:24no final das contas, a classe política
48:27se protege, né? Então, assim, nesse
48:29aspecto, eu não vejo mudanças
48:31estruturais a curto prazo, não. Esse
48:34combate é geracional. Não é de uma
48:36hora pra outra. E já vem melhorando, tá?
48:38Já foi pior do que isso. É claro, esse
48:42caso específico é um absurdo, né? Mas
48:45eu não vejo com bons olhos o que tá
48:48acontecendo, não. Eu vejo mais cheirinho
48:51de pizza, como você mesmo disse.
48:53Tanto o Master quanto o INSS, que tem
48:55muita gente envolvida em todos os
48:56partidos, é isso? É mais fácil a gente
48:58listar quem não tá envolvido.
49:02Agora, Ricardo, me fala uma outra
49:04questão importante nessa eleição é a
49:07postura externa do Brasil. Política
49:09externa nunca foi motivo de campanha
49:11eleitoral, mas hoje a conjuntura
49:14externa é extremamente preocupante.
49:17Inclusive, vários crimes hoje são
49:20internacionais. Nós temos a questão
49:22terrorismo, nós temos a questão da
49:25segurança cibernética, nós temos a
49:27questão do crime organizado, lavagem de
49:30dinheiro, são questões que envolvem
49:31questões diplomáticas importantes. E
49:33além de tudo, essa última diplomacia
49:37petista muito militante, ideológica,
49:39muito focada com parcerias com
49:40ditadores e esse mundo em transformação
49:43que o Brasil está. Você acha que esse
49:46assunto vai entrar na eleição ou este é
49:50um assunto que tem que ter nessa agenda
49:51logo após a eleição pra preparar o
49:53Brasil pra uma outra postura na sua
49:55política externa? Eu tenho uma opinião
49:58um pouco diferente de todos nesse
49:59sentido aí. Eu acho que tudo que nós
50:04falamos até hoje, de certa forma,
50:06alguns outros atores falam também,
50:09mesmo que mudem de opinião, mas está
50:12entrando no preço. O que na minha
50:14opinião não entra no preço é a questão
50:16geopolítica ainda, que ninguém parou
50:17pra pensar nisso aí. A não ser, por
50:21incrível que pareça, um cara que já está
50:22falando sobre esse problema, que é o
50:24cara de esquerda, é o Zé de Seu, que ele
50:27já está entendendo o que está
50:28acontecendo. A questão geopolítica, na
50:31minha opinião, vai impactar muito nas
50:33eleições, como está acontecendo na
50:35América Latina toda, que toda está
50:36aqui dando pra direita, e isso favorece
50:40uma alternância de governo. Veja bem,
50:45neste momento, Trump pisa na pauta e
50:49fala assim, esse hemisfério é nosso, aí
50:51não vamos julgar se está certo ou está
50:53errado, está errado, mas não tem dúvida
50:58que essa é a pauta hoje. Temos um novo
51:00tratado de Tordesilhas, né? Fiquem com a
51:04Europa pra você, Rússia, fique com o
51:06Sudeste Asiático, África pra você,
51:08China, América é nossa. Existem linhas de
51:13conservadores dos Estados Unidos, grupos
51:17importantes, que são intrinsecamente
51:20envolvidos na eleição do Trump, que na
51:22cabeça deles eles entendem que já estão
51:25vivendo uma guerra fria. Como assim que
51:28exagero? Não. Esse tipo de assunto só é
51:32descrito em livros 20, 30, 40 anos
51:35depois que aconteceu. Enquanto a gente
51:37tá vivendo, a gente nem sabe. Hoje a
51:40gente vive uma outra corrida, não a mais
51:42espacial, a corrida da inteligência
51:44artificial. Então o Brasil no contexto de
51:47energia limpa, espaço aqui pra servidores,
51:53terras raras, que só tem lá na China ou no
51:56Brasil, a quantidade que tem, né? Nós,
52:00dentro da América Latina, assim, temos um
52:02contexto valiosíssimo. Lula foi lá e
52:06marcou um golaço com a ajuda do nosso
52:09camisa 10 Eduardo Bolsonaro a seu favor, mas
52:14é uma negociação a curto prazo. Não se
52:17enganem, eles sabem que Lula continua
52:19sendo Lula, com alinhamento com ditadores,
52:23com um grande alinhamento com Rússia, com
52:25um grande alinhamento com China, e eu nem
52:27tô falando mal disso, mas os americanos
52:29sabem disso. Para eles, e essa é a minha
52:32opinião, é muito mais importante que tenha
52:35um candidato com maior alinhamento com
52:37eles. Isso é mais fácil ocorrer pela
52:40direita. Esses dias eu tava vendo um
52:42podcast que eu disse eu que ele já
52:43entendeu isso. Ao contrário de alguns
52:46companheiros, ele não tá fácil, a
52:48negociação com Lula tá, foi tudo
52:50resolvida. Na hora do vamos ver,
52:54tendem a candidatos que estão mais
52:57alinhados com os valores deles,
53:00americanos. Isso tá influenciando o mundo
53:02inteiro nas eleições, né? Você vê que na
53:04eleição da Argentina lá, como é que os
53:06caras entraram pesado, essa agora de
53:08meio, né? Legislativo. Então, opinião
53:11honesta, assim, eu acho que a, o que
53:14tá, não tá no preço, que todo mundo
53:16conversou, é que geopolítica vai pesar
53:19muito, e vai pesar muito pra uma
53:21alternância de governo. Esse vai ser o
53:23tema de dois mil e vinte e seis. Eu
53:24costumo falar que uma pauta política
53:26tem seis meses. Você vai olhar lá, o
53:29Pix teve seis meses, o Banco Master, eu
53:32acho que não, talvez não seja a pauta
53:34de eleição. Um aspecto outra vez aqui. A
53:37geopolítica não entrou no tema ainda, a
53:39geopolítica, na minha opinião, vai
53:41nortear essa campanha, a gente vai ter
53:45muito tema em cima disso ainda.
53:47Roberto, uma última pergunta é sobre
53:50qual é o sentimento do eleitor hoje?
53:53Você tá avalizando, existe esse sentimento
53:55de querer mudança, de cansaço, mas se
53:59você tivesse que colocar alguns
54:00atributos que podem nortear a escolha, o
54:05voto do eleitor brasileiro, quais seriam
54:08esses pontos? Então, o eleitor, ele tá
54:12mais exigente. Vamos tentar voltar no
54:17assunto inicial do ciclo, né? Pô, há um
54:20tempo atrás, o Brasil, parte dele passava
54:24fome, algumas necessidades básicas, a
54:27gente não tinha, ao ser preenchido, isso
54:29o eleitor quer algo mais, quer candidatos
54:32mais preparados, quer empreender, como a
54:35gente viu esse estudo, né, do Data
54:38Favela, ele quer prosperar, ele quer ser
54:43protagonista, não adianta apenas entregar
54:46o peixe pra ele, tem que ensinar a pescar
54:49também, faça parte disso, eu quero
54:52participar, eu não quero apenas aqui
54:54aguardar, a partir do momento que a
54:56gente tem um quase pleno emprego, tem
54:59esses programas sociais que atingem
55:02grande parte do eleitor, sim, essa
55:06carência tá resolvida, então, o algo
55:08mais é eu participar, eu evoluir, eu
55:11prosperar, isso explica um pouco alguns
55:14aspectos, esses dias eu tava em outro
55:17programa, eles perguntaram, por que que o
55:18eleitor se coloca no papel de dez mil
55:22eleitores e marchar com o Nicolas durante
55:26cem quilômetros, porque ele quer
55:28participar, ele quer promover uma
55:30mudança, esse sentimento, ele tá no
55:34Brasil, ele quer que melhora, sabe quando
55:36você completa a casa ali, o cara de
55:40classe média, né, ele constrói, ele põe
55:42todos os móveis, agora eu quero mais, eu
55:44quero expandir, não basta mais as
55:46necessidades passadas, então, o PT e
55:51quem tá no governo, Lula aos oitenta
55:53anos, ele ganhou campanha com uma, todas
55:56as suas campanhas com uma estratégia, não
55:58tem como pivotar nessa altura do
56:01campeonato, pra essas novas vontades, é
56:03difícil, não tem jeito, ele e o entorno
56:06núcleo duro dele sabem fazer dessa
56:08forma, não é nem que não conseguem,
56:11talvez eles nem querem fazer isso aí,
56:14essa turma nova, essa geração, oferece
56:16isso, esse é o eleitor, então assim, é, o
56:19eleitor, ele quer esse tipo de mudança, eu
56:22acho que favorece, né, e aí a gente tem
56:25uma contradição, que 60%, mesmo que o
56:30Lula esteja ganhando os índios pesquisas,
56:32então as pesquisas mostram, quase dois
56:34terços não querem que o Lula se
56:36candidate novamente, ou seja, é justamente
56:38esse sentimento, eu tô me guiando por
56:40isso aí, e eu acho que a gente vai
56:41surpreender, Felipe. Roberto, muito
56:44obrigado pela sua participação aqui na
56:46entrevista com Dávila, foi uma ótima
56:48conversa sobre o nosso cenário político
56:50eleitoral, muito obrigado. Obrigado
56:52pelo convite, estarei sempre à
56:54disposição. E nós ficamos por aqui,
56:57pra você que gosta do jeito Jovem Pan,
56:59não deixe de fazer a sua assinatura no
57:01site jp.com.br. Lá você acompanha
57:04conteúdo exclusivo, análise, comentários,
57:07e tem acesso ilimitado ao Panflix, o
57:10aplicativo da Jovem Pan. Obrigado pela
57:13sua companhia e até o próximo
57:15Entrevista com Dávila.
57:21Entrevista com Dávila.
57:25A opinião dos nossos comentaristas não
57:28reflete necessariamente a opinião do
57:31Grupo Jovem Pan de Comunicação.
57:37Realização Jovem Pan.
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