- há 16 horas
Episódio do Se Cuida Cast contou com a participação de profissionais da Rede Meridional, que explicaram o que é o câncer de mama e apontaram os cuidados que podem ajudar na prevenção e na cura.
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AprendizadoTranscrição
00:00O câncer de mama é o mais comum em mulheres no Brasil e no mundo depois do câncer de pele
00:04não melanoma.
00:06E o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura.
00:10Eu sou Guilherme Silva, editor de saúde de A Gazeta, e hoje recebo os médicos da Rede Meridional,
00:16o oncologista Fernando Zamprônio, o mastologista André Motocchi
00:20e o ginecologista e mastologista Luiz Alberto Sobral Vieira.
00:35Vamos conversar o nosso bate-papo com o oncologista Fernando Zamprônio
00:38para explicar, doutor, o que é o câncer de mama e por que é tão importante falar desse tipo de
00:43tumor.
00:44Bom, Guilherme, primeiramente, obrigado pelo convite.
00:46Câncer de mama é uma doença, dentre tantas doenças oncológicas,
00:51mas é que se caracteriza por uma proliferação desordenada de uma célula que sofre uma mutação.
00:56Essa mutação que deveria estar regulando o ciclo celular, ela desregula e essa célula começa a se proliferar.
01:04Nesse momento, ela consegue ter, digamos, capacidades não esperadas.
01:10Então, ela consegue invadir tecidos onde ela não deveria existir
01:14para diferenciar o que é um tumor benigno de um tumor maligno.
01:17O tumor benigno cresce desordenadamente, mas no local, então ele não ameaça a vida do indivíduo.
01:22Todo câncer, assim como o câncer de mama, ele tem a capacidade de invadir pontos onde ele não deveria existir
01:29e com isso ele pode viajar no corpo.
01:31Isso é o diagnóstico, trocando em miúdos, de um câncer.
01:35Então, o câncer de mama é uma doença que tem algumas características.
01:38Ela tem diferenciação.
01:42Você pode ter o câncer de mama luminal, o câncer de mama HER2, o câncer de mama triplo negativo, por
01:47exemplo,
01:47que é como a gente costuma detalhar o câncer de mama, mas há princípio básico.
01:53Esse é um crescimento desordenado de células que podem atingir outros órgãos e ameaçar a vida dessa pessoa.
02:00Quais são os tipos mais comuns do câncer de mama?
02:03O tipo mais comum de câncer de mama é o chamado luminal.
02:06É aquele que se alimenta de hormônios femininos.
02:09Está relacionado, portanto, aos hormônios femininos.
02:12Esse é o câncer de mama mais comum.
02:14O segundo mais comum é o do tipo HER2 positivo, depois o triplo negativo e o outro chamado basaloide,
02:20que reúne alguma miscelânea de tumores mais raros.
02:24Antigamente, coisa de 20 anos atrás, a gente tinha uma denominação por tipo de células.
02:30Mas isso ainda existe, mas hoje a gente prefere chamar do tipo não especial,
02:35que são os tipos comuns, e os tipos especiais, que são esses casos mais raros.
02:39Portanto, dentro do tipo não especial, você tem essa diferenciação.
02:44Tumores que se alimentam de hormônio feminino, os tumores que têm HER2 positivo,
02:49que é uma proteína determinada, na verdade, por um gene de agressividade,
02:55e o triplo negativo quando eu tenho a ausência de receptor de estrogênio,
03:00a ausência de receptor de progesterona e a ausência do HER2.
03:03Portanto, triplo negativo.
03:05Esses são os três tipos mais comuns do dia a dia.
03:08Na prática, quais sinais que a mulher precisa ficar atenta?
03:13Guilherme, eu costumo dizer que tem que tomar um pouco de cuidado com isso,
03:17porque câncer não dá sinal.
03:19Todo o nosso esforço é para chegar no diagnóstico antes que ele dê sinal.
03:24Para isso, o André, o Luiz Sobral vai falar um pouquinho melhor para a gente
03:28sobre exatamente o que pode confundir, como é que a gente dá o diagnóstico,
03:32por que do uso da mamografia e do ultrassom.
03:36Mas exatamente, a gente quer chegar antes do diagnóstico,
03:38tem que deixar antes, desculpa, do sintoma.
03:41Quando o tumor está muito grande, ou já dependendo do tamanho da mama
03:46e do tamanho e posição do tumor, aí você pode ter um abalamento na mama,
03:50você pode ter um dolorimento na região da mama,
03:53você pode ter uma descarga pelo mamilo,
03:55seja esbranquiçada, seja sanguinolenta,
03:59que não é normal, fora de um período de lactação.
04:02Você não deve ter nada saindo pelo mamilo.
04:05Então, existem, sim, alguns sintomas.
04:06Mas o esforço nosso é para chegar antes que esses sintomas aconteçam,
04:10porque a cura aumenta na precocidade do diagnóstico.
04:15Portanto, a gente está falando de outubro rosa,
04:17para lembrar as meninas que têm que fazer mamografia e ultrassom de mama
04:21como método de rastreio, para que a gente chegue antes de sentir alguma coisa.
04:27Doutor André, caso não passe, não consiga identificar antes e veja esses sinais,
04:34a orientação é buscar um mastologista imediatamente, o mais rápido possível.
04:39Isso.
04:40Às vezes o ginecologista já começa a investigação e depois manda para o mastologista.
04:45Eu acho que tem que ir no médico de confiança primeiro,
04:47que vai direcionar a paciente para a gente.
04:51Antes do, o Fernando bem falou, antes do sintoma,
04:54realmente a gente quer pegar aquela paciente assintomática ainda,
04:58porque a doença é muito pequena e o tratamento vai ser menor,
05:01a doença de cura é muito maior.
05:03Durante muitos anos, o autoexame das mamas foi amplamente incentivado
05:07como uma forma de detecção precoce do câncer de mama.
05:12Ele continua sendo importante?
05:14É e não é.
05:15Ele é importante porque eu acho que a paciente tem que se conhecer,
05:18ainda mais aquelas pacientes que estão fora da área de rastreio,
05:20das pacientes abaixo dos 40 anos, em que a mamografia e a ultrassom não têm grande eficácia.
05:26Então, a paciente, na verdade, é ela que chega com um diagnóstico para a gente.
05:30Então, nessas pacientes, eu acho que são um grupo que eu acho bem importante fazer.
05:35Porém, não é importante porque não altera o prognóstico.
05:37Então, aquela paciente que faz a mamografia todo ano,
05:40a gente sabe que o prognóstico dela vai ser melhor,
05:42ela vai viver mais porque fez a mamografia.
05:44A paciente que faz autoexame todo mês não alterou o prognóstico isso,
05:48por isso que não está sendo tão divulgado mais.
05:50Mas existem doenças que crescem no intervalo dos exames
05:53e essas doenças também são aquelas doenças que a paciente que chega com um diagnóstico para a gente.
05:57Então, o autoconhecimento é muito importante.
06:00Muito mais importante que fazer autoexame todo mês direitinho, né?
06:02Se conhecer.
06:03E qualquer alteração, buscar o médico.
06:05É possível ter câncer mesmo fazendo autoexame todo mês?
06:09É, é possível.
06:10Na verdade, os exames de mamografia, o autoexame, na verdade,
06:14são meios que a gente tenta detectar o câncer o mais precoce possível.
06:19Porque faz a mamografia todo ano que não vai ter câncer.
06:22Na verdade, a gente faz a mamografia todo ano para tentar diagnosticar o mais precoce possível.
06:27Eu gosto de usar uma figura de linguagem nessa hora, que é assim,
06:31como se fosse uma foto.
06:32Eu costumo dizer para a menina que fala,
06:33mas doutor, eu fiz exame de mamografia todos os anos aí,
06:37nos últimos 20 anos, agora eu estou com câncer.
06:40Mas quantos 20 anos atrás, quando você tinha lá seus 30 anos,
06:44você tirou uma foto, não tirou?
06:45Você sabia que você ia estar com essa ruguinha no rosto,
06:47essa manchinha no rosto?
06:48Você não sabia.
06:49Então, é uma foto daquele momento.
06:52Ele diz respeito àquele momento, né?
06:54Então, é o que o André falou.
06:56Se ela tem o costume de fazer todo ano,
06:58a chance de a gente pegar precoce, caso ela venha a ter no futuro,
07:02ela já está ali acostumada, não está deixando para lá.
07:07É a mesma coisa a questão do autoexame.
07:10Se eu achar que o autoexame é o suficiente,
07:15por mais que eu me conheça, eu não sou treinado,
07:18eu vou poder perder alguma possibilidade de percepção mesmo.
07:23Porque tem volume de mama, tem posição que é diferente,
07:26às vezes é mais profundo, ela nem vai chegar para o par lá direito, né?
07:29Tem a técnica que tem que ser bem feita.
07:31Mas ela deixa de fazer a mamografia achando que o autoexame está deixando ela protegida.
07:36Ela pode fazer, né?
07:37Mas ela não pode substituir.
07:38Então, isso tem que deixar bem claro, né?
07:40Então, a mamografia continua sendo a ferramenta mais confiável para o diagnóstico precoce.
07:45Sim, sim.
07:46A mamografia foi o único exame que alterou o prognóstico das pacientes, né?
07:49É impressionante como o único exame faz as mulheres verem mais, né?
07:54Aquelas que tiveram o diagnóstico de câncer.
07:56Então, a mamografia é o exame de eleição, realmente, até hoje, para rastreio de câncer de mama.
08:01E a orientação é fazer a partir de qual idade?
08:04Pacientes com risco habitual, aquelas que não têm histórico familiar importante,
08:07não têm fatores de risco importantes, a partir dos 40 anos, anualmente, né?
08:10Aquelas que têm fatores de risco.
08:12Aí, a gente tem que fazer cálculos, tem que ver quem que teve na família,
08:15qual a idade que teve na família, para ver com qual idade começam a fazer os exames.
08:19Isso realmente é só mamografia, se a gente encaixa uma ressonância, se for de alto risco, né?
08:23Então, mas a paciente do risco habitual é anualmente, a partir dos 40 anos.
08:28Doutor Luiz, qual que é a diferença da mamografia e do ultrassom das mamas?
08:34Bom, primeiro reforçar aqui, né, o que foi falado em relação a esses exames,
08:40estou pegando o gancho aí, de prevenção secundária, né?
08:43Que é evitar que a mulher morra pelo câncer, né?
08:45Tem uma coisa muito bacana que eu acho que nós temos que falar para quem está nos ouvindo e nos
08:49acompanhando,
08:50que prevenção primária a gente pode pensar também, quer dizer, evitar que a mulher tenha câncer.
08:56E uma atividade física, por exemplo, é uma coisa simples, saudável,
08:59e que já tem trabalhos mostrando que reduz a incidência de câncer de mama, né?
09:04E aí também a gente pode estratificar essas estratégias para reduzir o risco da mulher ter o câncer, né?
09:14Com outras medidas, dependendo se ela tem uma mutação gênica,
09:17que podemos pensar em cirurgias redutoras de risco, podemos pensar em hormonoterapia para redução de risco e tudo,
09:24que aí sim evitaria o câncer, né?
09:26Mas a mamografia continua sendo o principal exame.
09:29Ela é um raio-x da mama, né?
09:31Então ela atua através de uma avaliação feita como se fosse um raio-x.
09:38É uma radiação segura, é preciso dizer isso,
09:40porque de vez em quando aparece aí informações totalmente equivocadas, né?
09:45É uma radiação segura e que tem uma importância muito grande no diagnóstico precoce,
09:50evitando que essa mulher venha a morrer do câncer.
09:53A gente não consegue fazer com que ela não tenha o câncer,
09:55mas a gente consegue fazer com que ela morra do câncer.
09:57Eu acho que isso é muito importante.
09:59E o ultrassom já é um exame que se baseia em ondas sonoras
10:03que batem nas estruturas e faz um eco.
10:07Então é uma outra física, é um exame que tem um outro tipo de física,
10:12é mais fácil, tem menos risco do que a radiação, vamos dizer assim,
10:18mas infelizmente ele é usado mais para complementar,
10:20na grande maioria das vezes, a mamografia.
10:24Não pode ser usado como rastreio,
10:26mas pode ser usado para complementar um achado clínico.
10:29A paciente que no autoexame achou um nódulo e é muito jovem,
10:32e às vezes o ultrassom é o primeiro exame que a gente faz.
10:35Mas normalmente o ultrassom é feito para complementar a mamografia.
10:39Você trouxe a história da prevenção primária, né?
10:43Sim.
10:43A importância do diagnóstico precoce.
10:45Além da atividade física, o que mais a mulher pode fazer
10:48dentro dessa prevenção primária?
10:50Aí ela tem que estratificar o risco dela,
10:54e hoje cada dia a vez a gente aumenta mais a possibilidade
10:57de buscar a medicina personalizada,
11:01que se ela ia fazer a testagem genética dela
11:04na pesquisa de mutações,
11:05e quando ela tiver uma mutação de alta penetrância,
11:09ou seja, algumas mutações como a clássica do BRCA1, BRCA2,
11:13que dá até 70% de chance de ela ter câncer de mama,
11:16pode-se discutir uma mastectomia profilática,
11:19uma cirurgia redutora de risco.
11:22A mulher que tem cistos ou nódulos benignos,
11:25isso pode virar câncer, doutor?
11:27Os cistos simples, que são a maioria deles, não.
11:32Eles são fenômenos de atrofia, né?
11:34Quando o cisto tem algum conteúdo,
11:37alguma proliferação intracística,
11:39aí ele já pode ter risco de virar câncer.
11:42E os nódulos, eles podem ser,
11:45como o Fernando explicou,
11:47tumores benignos ou tumores benignos,
11:50os nódulos sólidos, né?
11:51E os exames de imagem conseguem nos diferenciar muito, né?
11:56Estou aqui com um grande parceiro aqui de mamografia e de ultrassom, o André.
12:00Ele consegue dar para a gente,
12:02olha, esse nódulo é um nódulo provavelmente benigno,
12:04pelo bordo dele, pelas características do nódulo,
12:07e tranquilizar a gente, né?
12:09E a gente, com acompanhamento, vai observar aquele nódulo.
12:12Um nódulo sólido, dependendo das características deles,
12:15ele pode ser de alto risco para já ser um câncer
12:19ou uma lesão pré-neoplásica.
12:21Então, ele tem que ser acompanhado com mais de perto.
12:24Esse nódulo, a mulher apalpando o seio,
12:27ela consegue identificar?
12:30A partir do momento que ele estiver acima de um centímetro,
12:33já é possível ela conseguir no autoexame.
12:37Mas, assim, volta a reforçar o autoexame,
12:39não substitui a necessidade de fazer a mamografia.
12:42Apesar também do defender que a mulher deve se conhecer, né?
12:45Porque, fazendo o autoexame, às vezes,
12:46ela vai descobrir um câncer de pele, né?
12:48Então, fazer o autoexame, eu acho que é uma coisa legal.
12:51Às vezes, no intervalo, né, Sobral?
12:52É, exatamente.
12:52No intervalo entre uma mamografia e outra,
12:54que é anual, ela descobre alguma alteração, né?
12:56Exato, e vem antes, né?
12:57Às vezes acontece.
12:59Doutor Fernando, quais são os fatores de risco
13:01mais importantes na causa do câncer de mama?
13:05Bom, a gente pode, de novo, como o Sobral falou,
13:08estratificar.
13:09Existem causas modificáveis e não modificáveis, tá bom?
13:13Então, para falar das não modificáveis,
13:15que são as menores, felizmente,
13:17a questão genética.
13:18Então, existem os portadores de mutação,
13:20que a mutação em si carrega o risco de ter câncer,
13:23independente de outros fatores,
13:25e eu não consigo modificar,
13:27porque eu tenho ela em todas as células.
13:28Então, hoje, a gente ainda não tem
13:30essa técnica de modificação celular.
13:32E aí, a gente lança a mão, por exemplo,
13:34de cirurgias redutoras de risco,
13:36como o Sobral falou.
13:37Um exemplo clássico é a da Angelina Jolie.
13:40Nos Estados Unidos, eles chamaram isso,
13:42depois de 2014, quando ela fez,
13:43de efeito Jolie,
13:45de tantas meninas que procuraram,
13:47fizeram o teste,
13:48descobriram também que eram portadoras,
13:50porque tinha um histórico familiar,
13:51e fizeram a mesma cirurgia da Angelina Jolie.
13:54Você faz uma cirurgia redutora de risco.
13:56Ela não zera o risco,
13:57mas ela reduz muito.
13:59Mas para valer,
14:00mais que 95% do risco.
14:02Você consegue preservar a pele,
14:03bico e areola,
14:04e colocar uma prótese.
14:06Então, esteticamente,
14:06fica bom também.
14:08Ela também envolve risco de câncer de ovário
14:10e outras coisas.
14:12Então, ainda você consegue proteger
14:14para outros tipos de câncer.
14:15Então, essas causas não modificáveis
14:18são aquelas que a gente nasce com elas.
14:20Só lembrar uma coisinha,
14:21Fernando, desculpe.
14:22Claro.
14:22Mas só para não virar o caos,
14:24todo mundo achar que câncer ineditário
14:26é comum, não é comum não.
14:27É mais ou menos 10% dos casos.
14:29Isso.
14:29Então, só para complementar o Fernando,
14:31que segunda-feira no meu consultório
14:33lá não aparece um monte de gente falando
14:34ah, minha mãe teve câncer,
14:35quero tirar as mãos.
14:36Não é bem assim.
14:37Não é bem assim.
14:38São 10% dos casos só.
14:39Tem que testar,
14:40tem que ter evidência
14:41que você tenha isso
14:42e não é porque tem uma história na família
14:44que vai ter.
14:44E todas as mulheres terão.
14:46Não, 10% dos casos.
14:48O mais importante é a gente falar
14:50das causas modificáveis,
14:51que aí depende da gente.
14:54Hoje, cresceu muito o nível de evidência
14:56que obesidade e sedentarismo
14:59estão ali em cima
15:00entre os top 5 causadoras de câncer de mama.
15:04Então, isso eu consigo modificar.
15:05É ambiente, é microambiente.
15:07Então, a dieta saudável,
15:09atividade física
15:10vai reduzir o risco de câncer de mama.
15:13Cigarro também entra na conta.
15:15Infelizmente, hoje a gente tem muito menos
15:16mulheres fumantes.
15:17A gente tem que continuar batendo nessa tecla,
15:19porque senão elas vão esquecer.
15:21Se a gente parar de falar que cigarro causa câncer,
15:23as pessoas vão voltar a fumar.
15:24Não podemos deixar isso acontecer.
15:26Existe uma outra questão
15:28que é aí também do nosso tempo.
15:30Desde a década de 70 para cá,
15:32com o surgimento da pílula anticoncepcional,
15:33a gente vê um aumento
15:35de incidência de câncer de mama.
15:37E talvez dos tumores femininos,
15:39aquele que mais aumentou a curva.
15:41Porque mudou muito a dinâmica
15:43de gestação,
15:44de quantidade de filhos e tudo mais.
15:46Então, são causas clássicas
15:47que a gente tem dos livros antigos.
15:49E o que é?
15:50A menina que começa a menstruar muito cedo
15:52e a menina que termina,
15:54essa mesma menina pode ser ou não,
15:56mas ela também tem a menopausa muito tardia.
15:58Então, muitos anos sob o ciclo menstrual.
16:02A primeira gravidez vir muito tarde,
16:05porque a mama interrompe o processo de maturidade,
16:09de amadurecimento, na verdade,
16:11na puberdade, esperando a primeira gravidez.
16:14Então, ela só finaliza esse processo
16:16com a primeira gravidez.
16:17Se antes, no tempo dos nossos avós,
16:20elas tinham o primeiro filho com 16, 17,
16:22hoje elas têm depois dos 30.
16:24Então, isso é um fator também.
16:26Enfim, para modificar tem que ter filho mais jovem,
16:29mas é coisa do nosso tempo que está mais difícil.
16:31A quantidade de filhos também.
16:35Então, quanto menos filho ou se não tem filho,
16:38também é um fator de risco.
16:39Então, são múltiplos fatores de risco que se somam,
16:42mas não tem dúvida que obesidade e sedentarismo
16:46hoje são os grandes vilões do momento.
16:50Porque a obesidade aumentou no mundo
16:51e a gente vê isso também correlacionado.
16:53E por que é uma verdade?
16:55Porque você pega esses mesmos grupos,
16:56quando fazem uma cirurgia bariátrica
16:58e você acompanha, a incidência cai.
17:01Mas cai muito.
17:02Então, a gente precisa falar de obesidade como doença
17:05e como grande causadora de câncer de mama.
17:08No caso dos homens,
17:09o homem também pode ter câncer de mama,
17:11mesmo que seja comparado às mulheres.
17:13Extremamente raro.
17:14Raro, né?
17:15Como identificar?
17:16Primeiro, falar dessa raridade.
17:181% dos casos de câncer acontecem em homens.
17:21Destes, 90% está relacionado àquele gene também.
17:26Então, os homens também são portadores do gene.
17:28Todo homem que teve câncer de mama
17:30tem que ser testado para mutação genética,
17:32mesmo na ausência histórica familiar.
17:34Por conta da raridade que já é na situação.
17:38E o diagnóstico é da mesma forma.
17:39Ele sente um nódulo,
17:40só que para ele é mais fácil.
17:42Normalmente, esse homem não faz mamografia, obviamente.
17:44Ele sente o nódulo e ele procura o auxílio.
17:47Ou de um cirurgião geral,
17:48ou eventualmente ele vai até o mastologista.
17:50Porque o nódulo é perceptível,
17:52facilmente perceptível.
17:54Ginecomastia,
17:55que é uma outra questão,
17:57que é mais frequente,
17:58que é o crescimento da mama do homem,
18:01não se correlaciona com câncer de mama.
18:03Todos os pacientes de câncer de mama masculino que eu tenho,
18:06ninguém tinha ginecomastia.
18:08Então, o crescimento da glândula mamária
18:10não se correlaciona necessariamente com câncer de mama.
18:13Mas ele também nota, ok?
18:15Agora, um nódulo que tem só de um lado,
18:18doloroso, bem duro,
18:19em geral o câncer é duro,
18:20pode ser um câncer de mama masculino.
18:23Doutor André,
18:24o uso de prótese de silicone
18:27aumenta o risco de câncer de mama?
18:29Não, não aumenta.
18:30Mas a prótese, assim,
18:31a gente que mexe com doença, né,
18:32Sobral,
18:32a gente não gosta de prótese.
18:34Primeiro que diminui a sensibilidade dos exames.
18:36Então, é mais difícil da gente
18:38perceber o câncer nos exames,
18:40mesmo com os exames,
18:41do que aquela paciente que não tem prótese.
18:42Tem um câncer muito específico,
18:44mas aí,
18:44falar com a raridade,
18:45que é a linfoma de células anaplásicas, né?
18:47Que realmente tem ligação com
18:50as próteses texturizadas, né?
18:51Mas são relatos de casos,
18:53são muito poucos casos.
18:53Eu nunca tive,
18:54você já teve?
18:55Nunca tive.
18:56São raros.
18:56São raros, bem raros.
18:57Também nunca vi.
18:5820 anos aqui, nunca vi.
19:00E mulheres que amamentam,
19:02pode ter câncer?
19:04Inclusive durante a amamentação ou pós?
19:07Qualquer momento da vida, na verdade, né?
19:09Já tive pacientes gestantes,
19:11pacientes lactantes,
19:13pacientes muito jovens, né?
19:15Pacientes de 99 anos,
19:16eu já tive câncer de mama.
19:17Então, qualquer momento,
19:18infelizmente, morreu.
19:19Lógico que tem aquele,
19:20entre 40 e 70 anos,
19:22onde está a maioria dos casos, né?
19:23Mas pode ter antes,
19:24pode ter depois também.
19:25Não, só nessa questão aí
19:28da mulher que amamenta
19:29ou da grávida, né?
19:32Como o câncer de mama
19:33é o mais frequente
19:35depois do câncer de pele, né?
19:39A gente sempre tem que imaginar
19:41que pode ser câncer, né?
19:43E a associação dele com a gestação
19:45pode retardar um pouco o diagnóstico
19:47e acaba a gente achando
19:48que eles podem ser mais agressivos,
19:50também por causa,
19:51se ele for receptor hormonal,
19:53pela quantidade grande de hormônios
19:55que a gestação está submetida, né?
19:58Então, assim,
19:59a gente às vezes vê casos
20:01que a paciente estava
20:03com uma alteração já no pré-natal,
20:05várias consultas,
20:07e postergando a investigação.
20:09Então, a dica é
20:10tenha um achado,
20:12encontrou um nódulo,
20:14tenha uma alteração da pele,
20:15a pele está avermelhada,
20:17a pele está alterada,
20:18alguma coisa,
20:19investiga.
20:20Não espera,
20:21ganha um neném
20:21para investigar depois,
20:23investiga.
20:24E aproveitando o gancho também,
20:26não é impossível
20:27tratar câncer
20:28durante a gestação.
20:29Fazer cirurgia,
20:30fazer quimioterapia,
20:32inclusive,
20:32é possível durante a gestação.
20:34O ruim é quando acontece
20:35nos três primeiros meses.
20:38Vencidos os três primeiros meses,
20:39o bebê já está
20:40plenamente formado,
20:41ele só está crescendo
20:42a partir daí,
20:42basicamente,
20:43amadurecendo, tá?
20:44Então, dá até
20:45para fazer quimioterapia.
20:46O tratamento não afeta o bebê.
20:48O tratamento em geral
20:49não afeta o bebê,
20:50é seguro.
20:50A gente tem estudos nisso,
20:52já não é de agora,
20:53isso já tem bastante tempo.
20:55Então, assim,
20:55não é para deixar
20:56de fazer o diagnóstico
20:57se você tem uma suspeita.
20:59Isso que o Sobral falou.
21:00Sobral,
21:02a reposição hormonal
21:03aumenta esse tipo de canção?
21:05Essa é uma grande chance, né?
21:06Porque a reposição hormonal,
21:07trabalhos recentes agora,
21:10porque a medicina,
21:11ela tem essa coisa pendular, né?
21:13E aí,
21:14um trabalho americano
21:15muito grande mostrou,
21:17interrompeu o estudo
21:18por causa de uma elevação
21:19do risco de câncer de mama.
21:21Mas a gente sempre soube
21:22que essa elevação,
21:23ela é uma elevação pequena,
21:25de risco relativo
21:26de 1.36,
21:291.5.
21:30Então, assim,
21:32existe um risco
21:33aumentado,
21:34pequeno,
21:35para câncer de mama
21:36com a terapia hormonal.
21:38Mas não é um risco
21:39que deva
21:41proibir a mulher de usar.
21:43A terapia hormonal
21:43tem várias indicações
21:46e várias coisas.
21:47Então,
21:47isso, inclusive,
21:49foi retirado da bula
21:50dos hormônios
21:52pelo FDA,
21:53que o hormônio
21:54pode causar câncer
21:55porque o aumento
21:56de risco relativo
21:56é pequeno.
21:57E a terapia hormonal
21:59está em alta.
22:00A gente sempre
22:01tem que acompanhar.
22:01Como o Fernando disse,
22:03a maior parte
22:04dos cânceres de mama
22:06no Brasil
22:06são os luminais A,
22:08que são cânceres
22:09que têm receptores hormonais.
22:11Não é que o hormônio
22:12causou o câncer.
22:13O que causa o câncer
22:14é a mutação,
22:15e a mutação
22:16vai fazer aparecer
22:18o tumor.
22:18Mas um tumor
22:19que tem receptor,
22:20se você estiver usando hormônio,
22:21você está alimentando
22:22aquele tumor.
22:23Então, tem que ter cuidado
22:24na reposição hormonal
22:25para você descartar
22:28a possibilidade
22:28de ela ter um câncer.
22:29e aí ela poderia usar.
22:31E, infelizmente,
22:32as pacientes que já tiveram
22:33câncer de mama,
22:34ainda a gente não está
22:35autorizado a fazer
22:36a terapia hormonal,
22:38a não ser em caso
22:39de a paciente assumir
22:41o risco
22:41em virtude de sintomas
22:43da menopausa
22:44muito intensos
22:45que não estão melhorando
22:46com nenhum tratamento.
22:47Porque pode piorar?
22:48Pode piorar o câncer.
22:50A reposição hormonal
22:51pode piorar.
22:52Isso é importante
22:53a gente reforçar,
22:54porque a gente está
22:54havendo um momento
22:55de muita pressão
22:56em cima dessa questão
22:57de reposição de hormônio.
22:58Primeiro,
22:59falar que reposição
23:00de hormônio
23:01não é chip da beleza.
23:03É certo.
23:03É claro.
23:04Você tem que deixar claro.
23:05Reposição de hormônio
23:06não é dar testosterona
23:08para a mulher.
23:09Mulher não tem testosterona.
23:11Ponto.
23:12Porque tem um boom
23:13aí de dosagem,
23:14de testosterona,
23:15de performance,
23:16de essa coisa
23:17da rede social.
23:17Então, tem que tomar
23:18um pouco de cuidado.
23:19Vamos esclarecer, então,
23:20o que é reposição hormonal.
23:21Esses estudos,
23:23e teve um chinês agora
23:24que fez uma meta-análise,
23:26um estudo chinês,
23:27uma equipe chinesa,
23:29na verdade,
23:29uma grande universidade,
23:30fez uma meta-análise.
23:31Uma meta-análise é o quê?
23:32Você está na dúvida,
23:34você reúne grandes estudos
23:35da área
23:36e tenta reanalisar
23:38aplicando fórmulas matemáticas.
23:40Então, eles pegaram estudos
23:41dos últimos 20 anos,
23:43estudo americano,
23:44estudo europeu,
23:45estudo oriental,
23:47e tentaram chegar
23:48numa conclusão.
23:49Mas o que eles enxergaram
23:50nessa análise,
23:52nessa reanálise, né?
23:53Primeiro que eles viram
23:54que, sim,
23:55existe um grupo de mulheres
23:56que o câncer aumentou.
23:58Mas o que tinha de comum
24:00ali naquela situação?
24:01Era um grupo de mulheres
24:02que foram expostas a,
24:04por exemplo,
24:05o estradiol antigo,
24:06que era equino,
24:07não era humano,
24:09que era injetável,
24:10que não era hoje
24:11a via transdérmica,
24:12que não faz metabolismo
24:13de primeira passagem
24:14no fígado,
24:15que usavam progesteronas
24:17também sintéticas,
24:18que não usavam
24:19progesteronas humanas.
24:21O estudo americano,
24:22tem um estudo americano
24:24bacana,
24:24que mulheres que só usaram
24:25estradiol,
24:27essa fórmula nova,
24:29o estradiol,
24:29que é o transdérmico,
24:31que mostrou redução
24:33do risco de câncer de mama,
24:34inclusive.
24:35Então, peraí,
24:36não é bem assim, né?
24:38Então, ele é seguro,
24:39desde que bem indicado
24:41para a mulher que precisa,
24:43na dose que ela precisa.
24:44Não é receita de bolo,
24:46não é,
24:47você chega lá no ginecologista,
24:48ele tem uma receita impressa
24:49daquele...
24:50O cara nem viu a sua história,
24:51nem viu a sua necessidade.
24:53Então, qual é a sua necessidade?
24:55E é importante falar,
24:57eu não preciso esperar
24:58a menopausa chegar
24:59para fazer reposição de hormônio.
25:01As meninas estão sofrendo
25:02no climatério.
25:04Muita gente não sabe
25:04diagnosticar climatério.
25:06E acha que o climatério
25:07é aqueles mesezinhos
25:08que antecedem a menopausa.
25:10Não, o climatério
25:10pode começar
25:11com distúrbio de sono,
25:12dez anos antes,
25:14com fogacho,
25:16mesmo sem a menopausa,
25:17com irritabilidade,
25:19com depressão,
25:20com perda
25:21do performance cognitivo.
25:23Então, tem outros...
25:24A névoa cerebral.
25:26E isso é importante falar,
25:28porque tem hoje
25:29um contingente de mulheres
25:30na sociedade
25:31que estão aí
25:31a plenos pulmões,
25:33trabalhando,
25:34sendo mãe,
25:35três, quatro funções
25:36ao mesmo tempo.
25:37E coisa que não existia
25:38há 40 anos atrás.
25:40Então, a gente vê
25:41o sofrimento delas.
25:42Eu tenho recebido
25:43no consultório
25:43para fazer essa avaliação
25:45de risco,
25:45para liberar
25:46para essa reposição de hormônio.
25:47E a reposição de hormônio,
25:49então, é algo sério,
25:50bem estudado,
25:51tem droga de qualidade,
25:53tem que tomar cuidado
25:54com os manipulados,
25:55que você não sabe
25:56de onde vem
25:57a matéria-prima.
25:59Existe no mercado.
26:00Então, a progesterona
26:01humana micronizada,
26:04o estradiol transdérmico,
26:05na dose que aquela paciente precisa.
26:08Não é uma dose padrão
26:09para todo mundo.
26:10Testosterona.
26:11Algumas poucas meninas
26:12vão precisar de usar.
26:13Saiu uma outra metanálise agora.
26:15Continua tendo apenas
26:16uma indicação,
26:17que é no desejo sexual
26:19hipoativo.
26:20Ponto.
26:21Todo o resto
26:22existem riscos
26:22que a gente não sabe.
26:24Pode ser que no futuro
26:25venha,
26:26como o Sobral falou,
26:27o pêndulo da medicina,
26:28mostre.
26:28Não, não tem problema usar.
26:30Mas esse pêndulo
26:31não apareceu ainda.
26:32Então, cautela.
26:34E esse transtorno,
26:35o desejo sexual hipoativo,
26:37lembrar que não é
26:37dosagem de testosterona
26:39que faz o diagnóstico.
26:40Não é.
26:41É muita anamnese,
26:42muita conversa.
26:43Você tem que excluir
26:44marido chato,
26:45filho enchendo o saco,
26:47trabalho excessivo,
26:49não doa o nome.
26:49Marido chato.
26:50Tem que ter qualidade de vida.
26:52Exatamente.
26:53Você exclui tudo isso,
26:55você exclui tudo isso.
26:56É, realmente,
26:56pode ser um desejo sexual hipoativo
26:57ou dar testosterona.
26:58E a dosagem se faz
27:00porque não tem
27:01posologia para mulher
27:02de testosterona no Brasil.
27:03Aí, sim,
27:04você vai no manipulado.
27:06A dosagem você vai fazer
27:06para ver se está tendo
27:07intoxicação na paciente,
27:08nem para ver se está funcionando.
27:10Exatamente.
27:10Porque o manipulado tem,
27:13assim,
27:13você pode manipular aqui,
27:14pode manipular em outro bairro
27:16e, às vezes,
27:16a biodisponibilidade,
27:18tempo de minha vida,
27:18essa coisa toda muda no hormônio,
27:20é muito delicado.
27:20Por isso que as grandes indústrias
27:22têm a tecnologia.
27:23E esse negócio do chip da beleza
27:24é meio complicado
27:24justamente por causa disso.
27:26Você não sabe o comportamento
27:27daquele hormônio.
27:28Isso que o Sobral falou
27:29é o risco calculado
27:30dos grandes estudos.
27:32Sim.
27:32Não dessa parte
27:34meio obscura
27:34que está cada vez mais incidente.
27:37É porque o ser humano
27:39há muitos anos
27:40procura o elixir da longa vida.
27:42E acontece que agora
27:43tem muitas pessoas
27:44vendendo isso na internet.
27:47Quando, na verdade,
27:48ninguém descobriu
27:49nenhum elixir da longa vida.
27:51Nenhuma pílula mágica.
27:52Ainda o segredo é
27:54atividade física,
27:55alimentação saudável,
27:56combater o álcool,
27:58o fumo.
27:58É isso.
27:59As pessoas querem substituir
28:00tudo isso por um implante,
28:02por um chip,
28:03por um comprimido.
28:04Por um atalho, na verdade.
28:06Porque só a camisa
28:07dá trabalho, né?
28:07Então, vamos pegar
28:08um atalhozinho ali.
28:10Doutor Sobral,
28:11imagina que quando a paciente
28:12recebe o diagnóstico,
28:14primeiro vem o medo,
28:15o baque,
28:16mas é preciso deixar claro
28:17que existe tratamento
28:18e existe cura
28:19para esse tipo de câncer.
28:20Exatamente.
28:21É isso que é mais importante.
28:22Hoje, cada dia mais,
28:23a gente faz o estudo
28:26dos tipos de câncer,
28:28quais receptores ele tem,
28:29se é receptor hormonal,
28:30se é o R2,
28:31se é um triplo negativo,
28:32se tem mutação ou não
28:37e você tem, então,
28:38um monte de terapia disponível
28:41para o câncer de mama no início,
28:43para o câncer de mama
28:43quando dá metástase,
28:45para o câncer de mama
28:46terceira linha,
28:46quarta linha,
28:47quinta linha.
28:48Eu até brinco
28:49com ter umas pacientes
28:50que quando eu fico com esse medo,
28:51eu falo,
28:51gente, eu tenho umas pacientes aqui
28:52que eu já operei há mais de 30 anos
28:54e eu estou olhando para elas
28:56e falo,
28:56eu tenho que dar um tiro
28:57para matar essa mulher
28:58que ela não vai morrer nunca,
28:59de brincadeira,
29:00de tanta terapia que você tem
29:02e de resgatar pacientes
29:04com metástases mesmo
29:05e você consegue
29:06com a quimioterapia resgatar.
29:07Então,
29:08é um diagnóstico realmente ruim,
29:10você tem um câncer sempre,
29:11o corpo está te traindo,
29:13então,
29:13a gente tem que acolher essa paciente,
29:15tem que ouvir,
29:16tem que permitir ela chorar,
29:17mas a realidade
29:18é que é uma doença
29:19altamente curável,
29:21principalmente se a gente
29:21conseguir fazer
29:22o diagnóstico precoce.
29:23Existem as terapias
29:25que são mais utilizadas?
29:28Basicamente,
29:28a gente
29:30pensa na cirurgia,
29:32na radioterapia,
29:33na quimioterapia,
29:35na hormonioterapia
29:36e nas terapias-alvos.
29:37Então,
29:38a cirurgia sempre
29:39tem um papel importante,
29:42a hormonioterapia
29:43para aqueles tumores
29:44hormônios positivos,
29:46a quimioterapia
29:47tem um resultado fantástico,
29:49a quimioterapia
29:50foi a única iniciativa
29:52que conseguiu reduzir
29:53realmente
29:54a mortalidade
29:55pelo câncer de mama,
29:56apesar de a gente
29:56falar muito da mamografia,
29:57que também reduziu,
29:59mas a quimioterapia
29:59teve um impacto maior.
30:01Então,
30:01é um conjunto
30:02de armas
30:03que você tem
30:04na prateleira
30:04e que a paciente,
30:06eu sempre falo
30:07com a paciente,
30:07não me peça desconto,
30:09não é no preço,
30:10é no que tem que usar.
30:12Porque algumas pacientes
30:13falam que eu queria
30:13usar uma quimioterapia fraca.
30:15Pera,
30:15peraí,
30:16como assim
30:16uma quimioterapia fraca?
30:17Você não vai usar
30:17nem a fraca
30:18nem a forte.
30:19Você vai usar
30:20a necessária,
30:21a indicada para você
30:22para que você possa
30:23superar essa doença.
30:24Então,
30:25não me peça desconto
30:26no tratamento,
30:27porque é importante
30:29usar o que precisa
30:30ser usado.
30:31Doutor Fernando,
30:32outra questão
30:32durante o tratamento
30:33é que algumas mulheres
30:35precisam passar
30:35pela mastectomia
30:36e isso também
30:38afeta elas.
30:39Quando a mastectomia
30:40é indicada?
30:42Isso vai depender,
30:43Guilherme,
30:44de tamanho,
30:45posição
30:46e quantidade
30:47de doença.
30:48Por que quantidade?
30:49Porque às vezes
30:49você está diante
30:50de uma paciente
30:51que tem duas,
30:53três lesões
30:53em locais diferentes
30:55da mama.
30:55Então,
30:56você tem critérios clássicos,
30:58doença de alto volume
30:59em geral
31:00vai para a mastectomia,
31:04doença multifocal
31:05vai para a mastectomia,
31:07mas sempre que é possível
31:09a gente tenta fazer
31:11quadrantectomia.
31:12Está aqui André,
31:13edoutor Sobral,
31:13que opera.
31:14O que seria?
31:15Seria o quê?
31:16A quadrantectomia
31:16é uma retirada parcial,
31:18não é André?
31:19A cirurgia é conservadora,
31:20a gente conserva a mama,
31:22desde a década de 80,
31:24a gente sabe
31:24que a mastectomia
31:26não cura mais
31:26que uma quadrantectomia
31:27a cirurgia conservadora,
31:28que é a retirada
31:29do tumor
31:29com uma margem de segurança,
31:30na verdade.
31:31Antigamente era um quadrante mesmo,
31:32era um quarto da mama.
31:34Hoje,
31:34o nome consolidou,
31:36só para ver mais
31:37essa história do que eu,
31:38mas consolidou esse nome,
31:39mas a gente faz um setor,
31:40na verdade,
31:40que é o nódulo
31:41com uma margem de segurança.
31:42Tem a mesma cura
31:43que é a mastectomia.
31:44A mastectomia ainda existe,
31:46só que são essas indicações
31:47que o Fernando falou realmente.
31:48Doença multicêntrica,
31:49uma grande quantidade de doença,
31:51às vezes não é nem tão grande
31:53o tumor,
31:53mas a paciente tem a mama
31:54muito pequena,
31:56a gente não consegue fazer
31:57uma cirurgia
31:57que fique esteticamente legal.
31:59Então,
31:59tem algumas indicações,
32:01sim,
32:01a mastectomia.
32:02E a gente sabe
32:03que para a mulher,
32:04a mama é a representação
32:06da feminilidade dela,
32:08então,
32:08se a gente consegue
32:09conservar essa mama,
32:11para ela é muito importante.
32:12E quando a gente não consegue,
32:14André,
32:14a gente gosta muito
32:14de fazer a reconstrução imediata,
32:17que já vai
32:17com a cirurgia plástica
32:19junto e tal,
32:20e também mantém ela
32:22com o formato
32:23daquela mama reconstruída ali,
32:25mesmo que ele tenha
32:25tirado toda a glândula,
32:27a gente tenta sempre
32:28fazer a reconstrução
32:29para juntar o tratamento
32:31oncológico
32:32com a estética.
32:33O que está sendo discutido
32:34hoje sobre tratamento
32:36do câncer de mama
32:37no Brasil e no mundo?
32:38Guilherme,
32:39importante falar
32:40que hoje no Brasil,
32:41possivelmente,
32:42nós estamos,
32:43na medicina privada,
32:45no plano de saúde,
32:45a gente está muito pareado
32:47com o que está sendo feito
32:48lá fora.
32:49O que talvez a gente
32:50não tenha aqui
32:50são os estudos clínicos
32:51mais abundantes
32:53que tem na Europa
32:53e nos Estados Unidos,
32:55mas medicamentos
32:56preto no branco
32:57que a gente não tem dúvida
32:58de que auxiliam
32:59e que aumentam
32:59a taxa de cura,
33:01a gente está muito semelhante.
33:02Então,
33:03hoje o que tem se discutido
33:04é a personalização,
33:05como o Sobral falou.
33:07É o que aquela paciente
33:09precisa
33:09para aumentar
33:10a chance
33:11dela ter cura.
33:12Tudo começa
33:13com a cirurgia.
33:13A cirurgia é fundamental.
33:15mesmo que hoje
33:16nós tenhamos tratamentos
33:17que eliminam a doença
33:18e a gente tem,
33:19tem um tratamento,
33:20por exemplo,
33:20que tem 85%
33:22de resposta completa,
33:24ou seja,
33:24desaparece o tumor
33:25antes da cirurgia.
33:26Mas eu só sei isso
33:27porque eu levei,
33:29tirei aquele pedaço
33:30acometido da mama
33:30e levei para o microscópio
33:32e não achei nada.
33:33E isso traz segurança
33:34para a gente.
33:35Então,
33:35a cirurgia ainda
33:36é super necessária.
33:37A gente reduziu
33:38a necessidade
33:39de esvaziamento
33:40de axila
33:41ao longo desses 20 anos.
33:42Nós conseguimos provar
33:43que não é como era
33:45antigamente,
33:45que era uma verdade
33:46quase absoluta.
33:47Então,
33:48hoje a gente faz
33:48linfonodo sentinela
33:50com muita segurança,
33:51assim como as cirurgias menores
33:52também,
33:53sem perder chance de cura.
33:55E aí,
33:55essa terapia personalizada,
33:57na necessidade
33:57de cada paciente.
33:59Se vai tomar
33:59um bloqueador de hormônio,
34:01que é um tipo
34:02de terapia alvo,
34:03se vai tomar
34:03um inibidor de ciclina,
34:04que é outra terapia alvo,
34:06se vai tomar
34:07um inibidor de parpe,
34:08que é outra terapia alvo,
34:09mais quimioterapia,
34:11qual tipo,
34:12uma mais,
34:14digamos,
34:14uma mais
34:17mais extensa,
34:18mais forte,
34:18outra um pouquinho
34:19mais fraca,
34:20vai depender
34:21do tipo.
34:22Então,
34:22o mais importante
34:23é que essa paciente
34:24saiba que,
34:25ao se diagnosticar,
34:26tem todo o movimento
34:27aqui atrás,
34:28tem muita gente
34:29no mundo todo
34:29estudando para trazer
34:31novas oportunidades
34:32e para aumentar
34:32a chance de cura.
34:33E a gente que está
34:34nessa há muito tempo
34:35viu essa mudança.
34:37E nós vamos mudar mais,
34:38porque tem mais coisas
34:38bacanas para chegar.
34:40Esse ano no Brasil,
34:41por exemplo,
34:41no HER2 positivo,
34:42a gente tem uma nova
34:44estratégia autorizada
34:45e tem gente em Vitória
34:46já fazendo coisa
34:47que foi autorizada
34:48pela Agência Nacional
34:49de Saúde
34:50há menos de dois meses.
34:51Que estratégia é essa?
34:52É uma estratégia
34:53de tratamento
34:53baseado em quimioterapia
34:55e terapias alvos
34:56para anti-HER2,
34:58como na nossa
34:59linguagem técnica
35:00o DB11.
35:02Mas para o paciente
35:03que está vendo a gente aqui
35:04ou para as meninas
35:05que estão vendo,
35:05isso não importa muito.
35:06O fato é,
35:08como a gente vem evoluindo,
35:10como a gente tem
35:10à disposição hoje aqui
35:11em Vitória
35:12tratamentos de qualidade
35:13como tem em São Paulo,
35:15como tem no Rio,
35:16como tem muitas vezes
35:17nos Estados Unidos,
35:18sem precisar de ir lá
35:19para fazer.
35:20Então a gente está
35:20muito paripar
35:21com o que está acontecendo
35:22lá fora.
35:23A boa notícia
35:24é que a Vitória
35:26é uma capital
35:27que tem uma cobertura
35:28em uma das mais altas
35:29do país,
35:3061%,
35:31mais ou menos,
35:3260% de cobertura
35:33de operadoras.
35:35A má notícia,
35:36infelizmente,
35:36é que nós temos
35:37ainda uma taxa
35:37de cobertura
35:38de mamografia
35:39muito baixa,
35:40não só no Estado
35:40do Espírito Santo,
35:41no Brasil como todo.
35:42A última avaliação
35:44que eu fiz,
35:44a gente está
35:45com uma taxa
35:45de cobertura
35:46de menos de 30%
35:47da população alta.
35:49Então isso
35:49é uma coisa ruim.
35:51Por que as mulheres
35:52ainda têm
35:53essa dificuldade
35:53do acesso
35:54à mamografia?
35:55Eu fiz esse levantamento
35:57inclusive pela
35:58Sociedade Brasileira
35:59de Mastologia.
36:00A gente tem
36:00mamógrafo suficiente,
36:02a gente tem
36:03mastologista suficiente,
36:05a gente tem
36:05serviços estruturados
36:07para fazer
36:08radioterapia,
36:09aparelhos de radioterapia
36:11suficientes.
36:12A gente tem,
36:13agora falta
36:13quem pague
36:15para fazer mamografia,
36:17principalmente o SUS.
36:18Ele precisa
36:18se organizar melhor
36:20para remunerar melhor
36:21e conseguir
36:21que esse exame
36:23seja feito.
36:24porque equipamentos
36:25nós temos.
36:26Precisamos só trabalhar
36:27realmente assim.
36:29Eu acho que
36:29a questão passa
36:31pelo pagamento
36:31do exame.
36:32Precisamos melhorar
36:33o pagamento
36:33do valor SUS,
36:34da mamografia,
36:36para que mais serviços
36:38façam o exame
36:39e aumente a cobertura.
36:41O câncer de mama,
36:42ele pode voltar?
36:44E quando a mulher
36:45é considerada curada?
36:47Pode voltar.
36:49A gente faz de tudo
36:50para que não volte.
36:52Desde a quimioterapia,
36:53rádio,
36:54todos os tratamentos
36:54que o Sobral falou,
36:55a gente incentiva um monte
36:56a fazer atividade física,
36:57que realmente isso
36:58diminui o índice de recidivo,
36:59inclusive,
37:00de retorno da doença.
37:02Mas, infelizmente,
37:03em alguns casos,
37:03é o retorno da doença.
37:07E essa é a pergunta
37:08de um milhão de dólares.
37:09A gente ainda não consegue entender
37:12por que meninas,
37:13por exemplo,
37:14semana passada
37:15eu vi uma paciente
37:16que completou
37:1610 anos de tratamento
37:18e ela tinha
37:1814 linfonotos positivos.
37:20linfonotos
37:21são ínguas
37:22na linguagem leiga,
37:24ficam na axila.
37:25Então,
37:26tomou,
37:26saiu da mama,
37:27foi parar na axila,
37:2814.
37:29Não voltou.
37:30Essa menina
37:31virou atleta,
37:32triatleta,
37:33por sinal,
37:34ela fez a mudança
37:35de vida
37:35que ela precisava
37:36de fazer,
37:38continua trabalhando,
37:39é uma profissional
37:40de alto gabarito
37:44e a gente estava discutindo
37:45exatamente no caso
37:46dessa paciente
37:47por conta dos 14 linfonotos
37:48continuar fazendo
37:49o tratamento dela
37:50e que ela se adaptou
37:50muito bem,
37:51nem osteopenia
37:52ela não teve,
37:53nem perda óssea
37:54pelo tratamento
37:54ela não teve,
37:55que é um dos efeitos
37:55colaterais no caso dela.
37:58Bom,
37:58mas o que eu quero dizer
37:59com isso?
37:59Às vezes a gente vê
38:00casos que a gente acredita
38:02que vai tudo bem
38:03e não dá tudo bem.
38:05Às vezes a doença volta.
38:06Então,
38:06a gente não sabe ainda
38:07o porquê que tem meninas
38:09que voltam
38:09e que não voltam.
38:10Por isso que a gente
38:11acompanha.
38:12o acompanhamento
38:13pós-tratamento
38:14ele é tão importante
38:15quanto o tratamento
38:15porque a gente não sabe
38:17quem vai voltar ou não.
38:18A gente sabe
38:19que determinados grupos
38:20tem um risco maior
38:21e determinados grupos
38:24riscos menores.
38:25Isso tem que ser informado
38:26para paciente
38:27exatamente para trabalhar
38:28a consciência
38:29de temos que parar
38:30de fumar,
38:31se fuma,
38:32temos que parar
38:32de beber,
38:33se bebe,
38:34temos que fazer
38:34atividade física.
38:36E sobre bebida
38:37tem um estudo
38:37do final do ano passado,
38:39uma outra grande estudo
38:40de intervenção
38:42de observação
38:44com bebidas.
38:46Eles acompanharam
38:47cerca de 10 mil mulheres
38:48e separaram o grupo
38:49que não bebia
38:50do grupo que bebia.
38:51Do grupo que bebia
38:52estratificou
38:53pequena quantidade,
38:54moderada ou grande.
38:55Não teve
38:56dose segura
38:58de álcool,
38:59seja a forma que for,
39:00destilado,
39:01fermentado,
39:01não importa.
39:02Mulheres que tiveram
39:03câncer de mama
39:04e bebem
39:05têm o risco
39:06da doença
39:06voltar maior.
39:08Isso foi observado
39:09nesse estudo.
39:10Como é um estudo
39:11de observação,
39:12a gente tenta
39:13não confundir
39:14as variáveis,
39:15mas foi muito nítido,
39:16porque no grupo
39:17que não bebia nada
39:18a incidência
39:18de retorno
39:19de doença
39:20foi bem menor.
39:21Então,
39:21a gente sabe
39:22que tem algumas coisas
39:23que vão influenciar,
39:25precisamos trabalhar
39:25em cima disso
39:26e observar.
39:28Esse acompanhamento
39:29da paciente
39:29após ela fazer o tratamento,
39:31tem um prazo
39:31determinado?
39:33Depende.
39:34Talvez câncer de mama
39:35seja um dos tumores
39:36que a gente não pare
39:37de fazer acompanhamento,
39:38pelo menos uma vez ao ano,
39:40ela vai ver o mastologista
39:41e o oncologista,
39:43mas tem aquele prazo
39:44de cinco anos
39:45que é o prazo clássico.
39:46Existem situações
39:47que sim,
39:48esses cinco anos
39:48se aplicam muito bem,
39:49mas como essa outra
39:50que eu acabei de falar,
39:51dez anos para ela é pouco,
39:52ela vai continuar
39:53quinze anos,
39:54vinte anos,
39:55quiçá trinta anos
39:56e ela esteja tudo bem
39:57e eu continue
39:58acompanhando ela,
39:59entendeu?
39:59Então tem gente
40:00que a gente vai acompanhar
40:01para o resto da vida.
40:01doutor,
40:02quando ela é considerada
40:03curada?
40:03Eu acho que é a palavra
40:04que ela mais espera
40:06ouvir na sua consulta,
40:07na consulta de vocês.
40:08De todos nós,
40:08depende desse fator
40:10de risco.
40:11Quanto mais longe
40:13da cirurgia ela está,
40:15maior a chance
40:16dela estar curada.
40:17E a gente trabalha
40:18muito em cima
40:18dessa chance de cura.
40:20É muito ruim
40:21quando a menina
40:22termina de fazer a químio
40:23e o colega fala assim,
40:25você está curada.
40:26E aí a doença volta.
40:28Doutor,
40:28não estava curada?
40:29Então a gente tem
40:29que ter um pouco
40:30de cautela.
40:31Mas quando eu entendo
40:32que o meu risco
40:32de saída,
40:33por exemplo,
40:33é baixo,
40:35aí a gente pode falar
40:36com mais assertividade
40:38que ela está curada.
40:39Quando o risco é alto,
40:40a gente tem um pouco
40:40mais de cautela,
40:41espera o tempo passar
40:42um pouco mais.
40:43E existe um exame
40:44que não tem no Brasil,
40:45mas existe um exame
40:46que consegue medir
40:47esse risco
40:47até genético
40:49dessa paciente.
40:49Existem algumas
40:51plataformas americanas,
40:52europeias,
40:52que conseguem medir isso.
40:53mas não é tão acessível
40:55os exames que custam
40:5620 a 30 mil reais
40:57para fazer.
40:58Mas então a gente vai
40:59falar de acordo
41:00com cada risco
41:01de cada uma.
41:02Para terminar,
41:02eu queria ouvir
41:03de cada um de vocês
41:04a importância
41:05desse acompanhamento
41:07multiprofissional
41:07no tratamento
41:08dos cânceres de mama
41:08e um recado
41:09para as mulheres
41:10que estão nos assistindo.
41:11Mama André.
41:13Bom,
41:13ter acompanhamento
41:14multiprofissional
41:14é assim,
41:16imprescindível hoje
41:17para o tratamento
41:17do câncer de mama.
41:18Antigamente
41:19o mastologista
41:21às vezes
41:22dava químio
41:23para o paciente,
41:23mas também
41:24eu sou da época
41:25que tinha o que?
41:25ACT,
41:26FAC,
41:26FEC e CMF,
41:27né?
41:28Tinha anastrosol
41:29e tamoxifenol.
41:29Hoje tem N possibilidades,
41:32tem um especialista
41:32só para isso,
41:33né?
41:34Tem um radiooncologista
41:35também que serve
41:35para a radioterapia,
41:36então o tratamento
41:38é multiprofissional
41:39e isso aumenta
41:40a vida das pacientes.
41:42O recado
41:42que eu tenho
41:43para dar,
41:44assim,
41:45não tenho medo
41:46de fazer exame,
41:47tenho medo
41:47de ter doença
41:49avançada,
41:49né?
41:49Eu acho que é isso
41:50que tem que ter o medo.
41:51O paciente
41:51às vezes vai na mamografia
41:52com medo,
41:52ansiosa.
41:53Eu falo para elas,
41:54não fique desse jeito,
41:56né?
41:56Fique com medo
41:57e com ansiedade
41:58de não fazer
41:58e ter doença avançada.
42:00Então,
42:00não tenho medo da gente,
42:01a gente está
42:02para o que deve é,
42:04né?
42:04Vamos acolher
42:05essa paciente
42:05se precisar,
42:06mas a maioria,
42:07graças a Deus,
42:08não tem nada.
42:09Doutor Luiz Sobral,
42:10suas considerações finais?
42:11Eu acho que é essa,
42:13né?
42:13De buscar sempre
42:15se cuidar,
42:16buscar os hábitos
42:18de vida saudáveis,
42:20não ter medo
42:21de enfrentar
42:22um diagnóstico,
42:23né?
42:23De frente,
42:24né?
42:25Com apoio familiar,
42:26com apoio da equipe
42:28multidisciplinar,
42:29porque ela vai
42:30conseguir superar.
42:32Infelizmente,
42:32ainda tem casos
42:33que a gente vê,
42:33ontem,
42:34contei com o Carlos Rebelo,
42:36um radioterapeuta amigo nosso,
42:37uma paciente tratando
42:38com ozônio
42:39e foi para
42:40Caparaó,
42:41fazer tratamento
42:41alternativo e tal,
42:43que só levaram ela
42:44a ter uma mama
42:44totalmente ulcerada.
42:45Então, assim,
42:46a gente tem tratamento,
42:48a gente tem medicações
42:50para os efeitos colaterais
42:51se for necessário
42:52fazer,
42:54a gente tem
42:55muita coisa boa
42:56para dar,
42:57não fuja do tratamento,
42:59não fuja da prevenção,
43:00porque a principal
43:01é a mamografia
43:02e tudo vai dar certo.
43:05Doutor Fernando?
43:06É,
43:06além do que o Sobral
43:08e o André
43:08colocou aqui muito bem,
43:10eu queria trabalhar
43:11um pouquinho
43:11na questão da esperança,
43:12né?
43:13Ter câncer
43:14não é uma sentença
43:14de morte.
43:15câncer tem cura.
43:17Pressão alta não tem,
43:18diabetes não tem,
43:19não é?
43:20E câncer tem cura.
43:21Então,
43:21não ter medo
43:22de fazer o exame,
43:23não ter medo
43:24de achar,
43:24porque às vezes
43:25a gente usa assim,
43:25ah, não vou procurar,
43:26não vai que eu acho,
43:26mas isso aí,
43:27achar aí é bom, né?
43:28Você vai pegar pequeno
43:29e vai ficar curado,
43:30né?
43:31Então,
43:31não ter medo de achar.
43:32E muito cuidado
43:34com esse canto da sereia
43:35de coisas que dizem
43:36por aí, né?
43:37Você tem que ouvir
43:38quem entende do assunto.
43:40Muita gente se diz
43:41entendido,
43:42mas a gente teve
43:43até pouco tempo aí
43:43dentista,
43:44dentista,
43:45tratando câncer de próstata,
43:46tratando muitas aspas,
43:48câncer de próstata
43:49dando hormônio.
43:51Então,
43:51o sujeito não estudou
43:52para aquilo.
43:53Não siga aquilo.
43:54Não vá atrás daquilo.
43:55Não empoderem
43:55quem está falando bobagem.
43:57Procurem quem tem
43:59certificado,
43:59RQE,
44:00registro de especialista,
44:02né?
44:02Porque nas redes hoje
44:03abriu a boca
44:04qualquer um pode falar.
44:05Ainda fiquei sabendo
44:05hoje que nutricionista
44:06agora não pode contradizer
44:07o outro nutricionista
44:08porque o conselho
44:10entrou nessa vertente
44:11para nutrição.
44:13Então, olha só.
44:14Tem que ouvir
44:15quem sabe o que está falando.
44:16Quem está livre
44:17de interesse.
44:19Tem muita informação
44:20boa na rede.
44:21Procura
44:21os bons canais
44:23de informação.
44:24Nós estamos aqui
44:24para ajudar.
44:26Está com dúvida
44:27se aquele negócio
44:28do ozônio,
44:29do caparol,
44:29parece que faz sentido?
44:30Conversa com o seu médico.
44:32Vê se isso faz sentido mesmo.
44:33Cuidado com pílula mágica.
44:35Cuidado com atalho
44:36que foi no começo
44:37da nossa conversa.
44:38Não existe atalho.
44:40Um bebê demora
44:41nove meses
44:42para ficar pronto.
44:42Um adulto demora
44:44vinte anos,
44:44vinte e cinco anos
44:45para ficar pronto.
44:46Por que o câncer
44:47vai ser tratado
44:48feito mágica?
44:49Então, existe toda
44:50uma estratégia
44:51estudada
44:52ao longo de várias décadas
44:53e tem muita gente boa
44:55aqui para ajudar.
44:56Estou aqui diante
44:56de dois grandes nomes
44:58aqui que operam muito bem
44:59e ajudam muitas meninas aqui.
45:01E é esse o meu recado.
45:03Obrigado.
45:03Para saber mais notícias
45:05sobre saúde,
45:06acesse
45:06agazeta.com.br
45:08barra se cuida.