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O especialista em segurança pública, coronel Roberto Alves Santos, defendeu a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como terroristas. Ele rebateu as críticas do pré-candidato Fernando Haddad (PT) sobre suposta quebra de soberania, afirmando que a cooperação internacional asfixia o fluxo financeiro do crime organizado e protege a população de bem.

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Transcrição
00:00Bom, Coronel, a gente está acompanhando um monte de debates e cada lado politicamente fala uma coisa,
00:08mas há receio, então, de um lado específico, principalmente de um da esquerda que vem defendendo,
00:14algum receio de intervenção, de repente, abertura para uma intervenção de alguma maneira no Brasil,
00:20por parte dos Estados Unidos, até receios financeiros.
00:23O senhor acha que isso é um risco mesmo ou não vê esse risco?
00:26Acha que essa foi uma boa definição?
00:30Olha, primeiro que é uma excelente medida, porque nós temos que entender que algumas dessas organizações
00:36que hoje operam no Brasil, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública,
00:4288 organizações criminosas atuam no território nacional e deixam sobre o controle do medo, do terror,
00:51quase 70 milhões de brasileiros, isso são dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
00:58Então, nós vivemos hoje um regime em que o crime está muito à vontade com as nossas legislações na tentativa
01:07de combate,
01:08elas alcançam praticamente a pontinha do iceberg.
01:12Qual é a pontinha do iceberg?
01:13São os criminosos da rua, são os soldados do crime, mas as estruturas de segurança pública no Brasil,
01:20as polícias militares, polícias civis, a polícia federal, acaba tendo uma atuação importante contra esses soldados do crime.
01:30Por isso, nós temos uma população carcerária até importante no cenário mundial.
01:35Agora, a grande demanda do crime organizado, ela é mantida pelo dinheiro, pelos recursos, pelo suporte financeiro.
01:44E nós estamos falando de duas organizações que já são transnacionais.
01:49O Brasil sequer consegue combater esse controle financeiro, essa pujança financeira no Brasil.
01:54Imagine mais 28 países.
01:57Então, é fundamental que com essa classificação, nós teremos uma cooperação internacional.
02:02É importante dizer que não é só os Estados Unidos.
02:04Alguns outros países já se posicionaram com essa mesma configuração,
02:09porque o tráfico de drogas, o tráfico de armas, os narcotraficantes,
02:14hoje eles atuam no mundo inteiro e precisam ter um trabalho muito efetivo.
02:19O Brasil não tem sido competente nas últimas décadas.
02:22Basta ver que nós saímos de poucas organizações para quase 90 organizações criminosas
02:28sem que o Estado consiga conter esse avanço.
02:31E ele só é possível com um suporte financeiro muito importante,
02:35que é o que essa classificação ou reclassificação dos Estados Unidos
02:41em relação às organizações vai conter.
02:44Porque esses bloqueios de bens, bloqueios financeiros,
02:48impactação para esses criminosos vai ser muito mais significativa.
02:52Quem tem que estar preocupada com essa classificação
02:55são as organizações criminosas.
02:58Coronel, eu vou convidar para a nossa conversa o Cristiano Villela.
03:01Também vai te fazer uma pergunta.
03:03Villela, por favor.
03:05Coronel, boa noite.
03:07Satisfação recebê-lo aqui na Jovem Pan.
03:09Coronel, existe um elemento que foi colocado,
03:12especialmente aí no dia de ontem, né?
03:14Depois desses ocorridos, dessa reclassificação dos Estados Unidos,
03:19que seria talvez uma maior dificuldade de cooperação técnica
03:23entre o Ministério Público, as forças policiais,
03:25com as forças policiais dos Estados Unidos.
03:28Haja vista que subindo de patamar,
03:30isso ficaria a critério do FBI e de outras organizações mais centralizadas.
03:36Não haveria com isso esse tipo de cooperação.
03:39Procede essa preocupação, essa reclassificação,
03:43ela pode acabar dificultando as cooperações com relação a esses pontos?
03:47Mais informações no site jovempan.com.br.
03:52Coronel, por favor.
03:53Muito pelo contrário.
03:55Essa integração de informações, ela já acontece.
03:58Não é esse tipo de atitude tomada agora pelo governo americano
04:03que vai mudar qualquer estrutura no que já existe.
04:07Não há como se combater nenhum tipo de organização criminosa ou terrorista
04:12se não houver integração entre os países.
04:15Então, as informações, todo esse conjunto de trabalho das polícias,
04:20ele sempre aconteceu, ele vai ser inclusive melhorado,
04:24porque agora você vai poder ampliar a atuação do que antes era contido.
04:30Você não tinha como estender esse tipo de ação
04:34se essas organizações não fossem consideradas terroristas,
04:37porque aí o cenário mundial que tem esse avanço no combate
04:41a esse tipo de atividade criminosa, é importante,
04:44eu vou fazer até uma parte,
04:46o que essas organizações criminosas fazem no Brasil
04:49é implantar o terror.
04:51Quando o próprio governo brasileiro confirma que milhões de brasileiros
04:56são reféns desse terror implementado pelo crime, pelas organizações,
05:01não é possível você ficar simplesmente com uma desculpa de caracterização
05:06praticamente dialética de estar inserido ou não no conceito legal,
05:10as leis só servem para atender a demanda de interesse da população.
05:14E a população que é a grande refém desse cenário de violência
05:18é quem tem que ficar feliz, porque alguém vai ajudar nesse aporte.
05:22Não vai ter nenhum tipo de rompimento,
05:24e eu não entendo por que algumas pessoas,
05:26na busca de se dizerem até especialistas,
05:29não avançam nesse cenário.
05:31Quanto mais órgãos, quanto mais estruturas,
05:33principalmente estruturas, como o país do primeiro mundo,
05:36oferecem essa atuação, se colocam à disposição
05:41para romper esse tipo de atividade,
05:43seja no Brasil, seja em qualquer parte do mundo,
05:46só a população de bem fica feliz.
05:48As nossas organizações criminosas,
05:50essa primeira, do PCC,
05:52ela foi constituída dentro do sistema prisional.
05:55Quer dizer, nós já estamos falhando nessa contenção há décadas.
06:00E, além de não ter sido rompido,
06:03apesar de não faltar informações,
06:05sempre importante dizer,
06:06as polícias nunca deixaram de ter informações
06:08sobre a existência dessas organizações.
06:10Só que ela fica tolhida de atuação.
06:13No Brasil, para que você possa cercear, romper,
06:16tirar a circulação financeira,
06:18você depende de decisões judiciais.
06:21E o que tem acontecido no Brasil,
06:22são decisões monocráticas de todas as instâncias,
06:26ao invés de conter esse avanço,
06:29facilitar, devolvendo dinheiro para as organizações,
06:33colocando criminosos na rua.
06:35Então, não é ação de polícia.
06:36Como é que a gente faz?
06:37As polícias estão felizes,
06:39vão ter um instrumento ainda maior.
06:41Agora, a estrutura, muita gente está preocupada.
06:45Todo mundo que está inserido nesse cenário
06:47de facilitação, de lavagem de dinheiro,
06:50ou de participação efetiva em atividades criminosas,
06:53esse perfil de pessoas deve estar muito preocupado
06:56e tem que ficar muito preocupado.
06:57Precisamos interromper esse processo,
07:00essa sangria que está acontecendo no mundo inteiro
07:03e principalmente no Brasil.
07:04Não há como se conceber
07:06quase 100 organizações criminosas atuando,
07:10como se fossem criminosos comuns,
07:11como se a população não fosse refém.
07:13Nós temos municípios, nós temos comunidades,
07:16cidades no Brasil,
07:17que o crime determina o que pode e o que não pode.
07:20Isso é realmente afetar a soberania de um país.
07:24Estou feliz com essa atividade
07:26porque vai mexer no cenário.
07:28Já mexeu, já está incomodando.
07:30E tenha certeza, a população de bem
07:32e os especialistas,
07:33aqueles que trabalham na área de segurança,
07:35eu trabalhei mais de 31 anos na atividade efetiva,
07:41atividade profissional da polícia militar,
07:43sempre tive contato com outras polícias
07:44e esse trabalho sempre existiu.
07:46Não vai mudar muito, pelo contrário.
07:48Agora, o dinheiro,
07:50que é o que fomenta esse cenário,
07:52esse vai sofrer um impacto muito importante.
07:55A gente vai, inclusive,
07:57ouvir um trechinho de uma fala agora
08:00para colocar aqui no nosso debate,
08:01na nossa conversa,
08:02Coronel e Cristiano,
08:04durante um evento aqui em São Paulo,
08:05o pré-candidato ao governo aqui do Estado,
08:07Fernando Haddad,
08:08comentou, então, essa classificação
08:10do PCC e Comando Vermelho como terroristas
08:13e disse o seguinte,
08:14que a família Bolsonaro continua jogando contra o Brasil,
08:17puxando esse discurso da soberania
08:20que o senhor citou agora há pouco.
08:21Vamos ouvir.
08:23É tratar como um tema de segurança pública
08:26e não como um tema de defesa nacional,
08:29porque não é disso que se trata.
08:31E quando você cria uma hierarquia entre dois países,
08:34como eles estão fazendo,
08:37você trava processo de cooperação técnica,
08:40de troca de informações que estavam em curso
08:42e onera os custos para a economia brasileira.
08:47Então, tem muito empresário
08:49que está reclamando
08:50do que vai ter que gastar
08:53aumentando os custos
08:55para a economia brasileira
08:57de algo que tinha que ser tratado
08:59de uma maneira mais profissional.
09:01Então, é fumaça que encarece,
09:05cria uma subserviência do Brasil
09:07e isso pedido por brasileiros.
09:10Quer dizer, tem um governo no Brasil.
09:13Isso tem que ser acertado com o governo brasileiro.
09:16O presidente Lula fez inúmeras reuniões
09:18com o governo americano.
09:20Isso nunca foi nem pauta.
09:22Então, os Bolsonaro, Flávio, Eduardo,
09:25eles continuam jogando contra o país.
09:27E o estranho é o governador Tarcísio
09:30elogiar isso,
09:31como se isso fosse um grande gesto.
09:34Isso não é um grande gesto.
09:35Isso depõe contra o país.
09:38Coronel, o senhor então rebate
09:39esses argumentos de Fernando Haddad?
09:42Primeiro que não são argumentos, não é?
09:44Não são colocações.
09:46Como é que empresários
09:47podem estar preocupados?
09:49Aqueles empresários que trabalham na visura
09:51só estão felizes da vida.
09:53Quem é que pode estar preocupado?
09:54São empresários, empresas, agentes
09:57que estão envolvidos nesse processo criminoso.
10:00São eles que serão combatidos de imediato.
10:02Porque agora, essa intervenção,
10:05esse bloqueio do fluxo de bens,
10:07ele acontece independente do Brasil,
10:09independente da justiça do brasileiro
10:12ou do pensamento de alguns governantes
10:14aqui dentro do nosso país.
10:17Não entendo essa questão econômica.
10:19Aonde pode afetar?
10:20Muito pelo contrário.
10:21Só pode melhorar.
10:22Quanto mais lisura num processo,
10:24qualquer que seja o seu cenário econômico,
10:27na segurança, na educação,
10:29quanto mais lisura, mais transparência,
10:31melhor para quem trabalha corretamente.
10:32Só se preocupa com um cenário desse tipo
10:35pessoas que estão envolvidas nesse mesmo esquema.
10:39Nós todos os dias acompanhamos
10:41pessoas e empresas envolvidas na lavagem de dinheiro,
10:46enviando dinheiro de forma irregular e legal
10:49para outros países, para se proteger.
10:52Esse tem que se preocupar.
10:53O bom empresário, o cidadão de bem,
10:56aquele que não vai continuar servindo-se como refém
11:00dessas ações criminosas,
11:02hoje em determinados estados,
11:04o crime determina quanto ele paga
11:06por serviços que são essenciais,
11:08serviços que o Estado oferece,
11:10mas que nessa transposição o crime domina
11:12e até chegar no consumidor final,
11:14ele acaba sendo aviltado.
11:16Então, infelizmente,
11:18o ex-ministro da Fazenda,
11:20que pouco conhecia de economia,
11:22parece que também não entende
11:23quase nada de segurança pública.
11:26Segurança pública é muito maior do que esse aspecto.
11:29É você trabalhar na linha de frente,
11:32como as polícias fazem,
11:33todos os estados têm condição de combater
11:36esse soldado do crime.
11:37Mas quando passa para esse cenário
11:39que envolve infiltração nos setores da economia,
11:45nos setores do governo,
11:46seja no judiciário, no legislativo, no executivo,
11:50as polícias não têm ação.
11:51E aí a ação tem que ser maior.
11:53E esse contexto não tem sido efetivo no Brasil.
11:57Precisa contar suporte de fora,
12:00que tem mais estrutura,
12:01que tem melhor estrutura,
12:03dentro de um trabalho conjunto.
12:04Não se fala em invasão de soberania.
12:07Essa integração de atividades existe há muito tempo.
12:10Agora, quando um não faz,
12:12alguém tem que fazer.
12:14Bom, nós conversamos então com o Coronel Roberto Alves,
12:18que é especialista em segurança pública.
12:20Coronel, obrigada pela sua participação.
12:22Uma boa noite.
12:24Boa noite.
12:25Estamos sempre à disposição.
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