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00:01Vai entrar?
00:04Entre.
00:05Ô, profeta.
00:08Tudo pronto pra viagem, meu filho?
00:11Tudo.
00:12Só tô terminando de fazer a mala.
00:15Deus lhe ajude a trazer a nossa flor de volta pro sertão.
00:20Será que eu vou conseguir, profeta?
00:24Será que a senhora vai querer voltar comigo?
00:28Ela vai estar lhe esperando.
00:30Pode confiar em mim, filho.
00:47Tudo pronto pra levar os prisioneiros pra capitão?
00:50Perfeitamente, doque Petruz, Marquês Enovas, meus soldados já estão trazendo os elementos.
00:54Major Oliveira, o senhor pode ficar descansado.
00:56Eu espero que esse cangaceiro cumpra o combinado, delegado.
00:58E nos entregue a duquesa, porque eu pretendo chegar a Seráfia com os três traidores.
01:02Perfeitamente.
01:03O meu comboio, sob o meu comando, evidentemente, nós vamos partir de Brogodal,
01:08vamos fazer uma parada neste ponto, que é a parada que bifuca pra saída de Estremosa.
01:14Que este é o ponto que o capital reculano combinou de deixar a duquesa Úrsula amarrada.
01:20Queira Deus que esse cagaceiro do inferno não esteja nos preparando no Arapuca, não é?
01:26Mas não vamos pensar nisso.
01:27Eu e meus homens estamos preparados pra qualquer coisa, delegado?
01:31Nada vai me impedir de cumprir a missão que me trouxe do Rio de Janeiro.
01:34Escoltar Timóteo Cabral até a capital e mandá-lo pro presídio,
01:38onde ficará recluso até se julgar.
01:40Perfeitamente.
01:41Vamos aguardar a chegada dos belianos e vamos algarizar tudo de nós,
01:44podemos seguir em frente, não é?
01:47Rufino, Paçoca!
01:48Sim, senhor.
01:49Traga os elementos.
01:54Preparados?
01:56Rufino?
01:57Senhor.
01:57Onde é que você está?
01:58Você irá comigo, Paçoca, sentindo.
02:00Sim, senhor.
02:01Descansa.
02:02Você cuida da delegacia.
02:04Podemos seguir, senhores.
02:05Em frente.
02:14Onde é que você está?
02:45É aqui que o capitão vai me entregar pra morte?
02:52O que me deixa mais triste
02:55é ver que você não me ama como eu te amo.
03:03Dá um beijo, capitão.
03:06Um beijo de despedida.
03:12E aí
03:22E aí
03:23E aí
03:28E aí
03:31E aí vem eles.
04:01É agora, cambada.
04:14Então quer dizer que o general Baldino é seu pai?
04:17Você acredita?
04:19Logo eu que sempre pensei que não tinha pai.
04:22E ele tava o tempo todo ali, pertinho de mim.
04:25É, né?
04:26Faz sempre a paragem tendo de menos espero.
04:29Ah, nidinho, não fica assim.
04:31Seu pai também vai aparecer.
04:34Mas tomara que ele não apareça justamente antes de ir preso.
04:39Pode deixar que eu abro, nidinho.
04:43Padre?
04:45Jesuíno!
04:45Vai, padre.
04:46Seja bem-vinda.
04:47Miguelzinho, entre, por favor.
04:49Deus te abençoe, filho.
04:50Dá licença.
04:51Pode só vir me despedir.
04:53Também quero pedir sua bênção, porque eu tô indo pra Seráfia.
04:56Tem que chegar logo antes que a Sucena case com o Felipe.
04:59Então você vai mesmo pra Seráfia, filho?
05:02Ô, padre.
05:03Ô, pra Seráfia atrás da Sucena.
05:05Jesuíno é o rei que eu tanto esperava.
05:07O rei que eu via nos meus sonhos, padre.
05:10Eu ainda não acredito que Jesuíno seja um nobre,
05:13ainda mais aparentado com o fundador de Seráfia.
05:16É isso.
05:17É muita coincidência, né, tio?
05:19Mas coincidências acontecem.
05:21Bates sempre diz que coincidências aconteciam
05:23e eu gosto de acreditar no Bates.
05:25É, ô, meu Deus.
05:26Não se meta em prosa de gente grande.
05:29Pois é, seu padre.
05:30Eu também achei esquisito, sabe?
05:32Mas como é que se explica que o retrato do fundador de Seráfia
05:35é igual ao retrato do meu parente?
05:37Bom, os retratos podem ser só parecidos, né?
05:41Não.
05:42Eu sonhei.
05:43Eu vi.
05:44Jesuíno é o rei.
05:47Meu filho, você vai atravessar o oceano,
05:51ir até o reino de Seráfia,
05:53se fiando num sonho de migazinho.
05:56Isso eu acho uma maluquice sem tamanho, né?
06:01Maluquice é acreditar só na razão, padre Joaquim.
06:04Os sonhos são janelas do tempo
06:06que abrem nossa cabeça pro futuro.
06:09Jesuíno é o verdadeiro rei.
06:11Eu garanto.
06:12Pare, Joaquim.
06:14A rei Efigênia tem um retrato igualzinha do meu parente.
06:18Ela foi lá ler a carta que o Seráfia deixou.
06:20E na carta ele dizia que tinha tido um filho
06:23que deixou aqui no Brasil.
06:24Ela tem certeza que Jesuíno
06:26é o parente distante do fundador de Seráfia.
06:31Mesmo que isso seja verdade,
06:33quem garante que a Sucena vai querer voltar pro Brasil com você, filho?
06:38Mas eu sei que a Sucena me ama.
06:41E nosso amor é tão grande que não tem tamanho.
06:44Jesuíno,
06:45o amor de Sucena por você pode ter acabado, filho.
06:48Lembre-se que ela foi pra Seráfia pra casar com o Felipe de vontade própria.
06:52A gente brigou, sim, padre.
06:55Mas eu sei que a Sucena ainda me ama.
06:57E ela só aceitou casar com o Felipe por causa desse tal acordo de paz.
07:00E se eu sou mesmo um nobre da família de Seráfia,
07:03eu não vejo nada que vai me pedir em trazer ela de volta.
07:06Então vá preparado
07:08pra ela não voltar com você.
07:10Ela vai voltar.
07:12O rei verdadeiro vai trazer a flor de volta pro nosso sertão.
07:20Então,
07:22boa viagem, Jesuíno.
07:26Deus que lhe abençoe, filho.
07:30Vá com Deus.
07:33Agradecido, padre.
07:36Minha princesa,
07:38quanta beleza coube a ti.
07:41Minha princesa,
07:44quanta tristeza coube a mim.
07:47Na profundeza.
07:50O amor cavou, o amor furou,
07:52fundo no chão, no coração do meu sertão,
07:54no meu torrão natal.
07:57Meu berço natural.
07:58Meu ponto cardeal.
08:02Meu açúcar,
08:04meu sal.
08:04Nossos destinos,
08:08desde meninos,
08:09dão-se as mãos.
08:11Nossos destinos,
08:14de pequeninos,
08:15eram irmãos.
08:18E os desatinos,
08:20também tivemos que vivê-los bem juntinhos.
08:22E os caminhos nos trouxeram para este lugar.
08:29Amar, viver, lutar.
08:32Até tudo acabar.
08:41Amar, viver, lutar.
08:44Amar, viver, lutar.
08:46Amar, viver, lutar.
08:46Oxe, mar, que coisa mais linda, hein, jesuíno.
08:48Cruzar o oceano para buscar o amor de tua vida.
08:50Não, vamos ficar rezando para que tudo dê certo, jesuíno.
08:53Já, jesuíno,
08:55vê se tu
08:56consegue
08:58escrever para nós,
08:59contando lá como é
09:00na...
09:00será?
09:00Será que entenda, jesuíno tem mais o que fazer, cara.
09:03Escrever cartinha.
09:05E perto de zenobre queria poder me despedir,
09:07desde que eu vi isso.
09:08Falou levar os presos para a capital.
09:10Baldino e Nicolau vão ser deportados para a seráca.
09:13E Timóteo foi levado para o presídio.
09:15Vai ficar lá, esperando julgamento.
09:17É bom mesmo que eles fiquem bem longe daqui,
09:19esse estraxe.
09:20Está licença, jesuíno.
09:22Mas o carro que vai te levar para a estação já está para chegar aí.
09:24Vamos lá.
09:29Tudo pronto.
09:35Tu não vai demorar não, né, meu filho?
09:37Tu vai voltar, né?
09:37Claro.
09:39E vai lá se encantar com essa tal dessa seráca e ficar...
09:41O que é o mais assim sendo?
09:43Claro que não, minha mãe.
09:45O lugar é aqui com você, hein?
09:47Prometo, né?
09:49Prometo.
09:50Por favor.
09:52Fica muito nervosa.
09:54Você se ajã sozinha.
09:57Ó, meu filho.
10:01Tá grátis, meu irmão.
10:04Por tudo.
10:06Vá em paz, meu rei.
10:10Fico aqui esperando a tua volta.
10:12E trazendo a sua cena.
10:15Eu vou trazer a flor.
10:33Embora.
10:40Eu vou, mas eu volto
11:08Eu vou mentir pra você
11:11Eu me apaixonei por você, Árgula
11:16Eu me apaixonei por você
11:18Eu faria qualquer loucura pra ficar com você
11:27Pra ficar do seu lado
11:28Eu abriria a mão de tudo, de tudo
11:34De título, de dobreza, de tudo
11:37Pra ser só sua mulher
11:40Eu choro
11:55Agora em diante a gente segue dentro da mata
11:57Acompanhando o camboi até o ponto certo
12:00Bora, acampado
12:22Eu não sei onde eu tava com a cabeça com o demônio de minha irmã pra você, Batólia
12:26Um cabra frouxo e tu e minha família
12:30Cala essa boca
12:31Que tu não vai me tirar do sério
12:35O oficial que tá aí dirigindo
12:37Eu sabia que esse cabra aí é da minha família?
12:41Meu parente
12:42Quer dizer, era
12:45Era parente, né?
12:47Que o banana deixou a mulher fugir
12:50Eu já mandei tu fechar a tramela
12:54Agora o Antônio tá que nem cabritinha no pai
12:57Olha o cabritinha que vem
12:59Fale mais uma palavra que fez sobre a Antônia
13:03E eu lhe faço engolir essa língua de cova, seu traço extraordinário
13:08Calma, senhor delegado
13:09Por favor
13:09Fluxo eu fui quando permiti que tu me fizeste capacho
13:13Mas tu não é melhor do que eu
13:16Que sempre foi um covarde
13:17A nossa diferença é que tu nasceu em berço de ouro
13:21E teve a vida toda protegida pelo papazinho
13:24Tava safado ordinário
13:28Sempre sou do que você morria de inveja de mim, Batólia
13:31Fale mais uma palavra e tu vai chegar na capitã com a mortaça na boca
13:36Calma, senhor delegado
13:37E olha que eu não tô brincando
13:41Já pensou no que te espera em Serafia, Baldino?
13:45Não vai ser nada fácil passar o resto da vida numa masmorra
13:48Mas fique tranquilo
13:49Seu sofrimento não chegará aos pés do cíplice que eu passei durante 20 anos
13:56Eu tô conformado, Duque
13:59É justo que eu pague pelos crimes que eu cometi
14:03Eu só fico angustiado quando eu penso na minha filha
14:06Não se preocupe, Baldino, ela ficará bem
14:10Petros e Rainha Efigênia se comprometeram a cuidar dela
14:13Ela não poderia ficar melhor amparada
14:16Sem dúvida ela terá exemplos bem melhores do que eu e a mãe dela pra se espelhar
14:22Petros
14:23Eu queria que você soubesse que eu tô muito arrependido de tudo que fiz contra você, Augusto e o reino
14:28de Serafia
14:30É tarde demais pra se arrepender, Baldino
14:33Não conte com o meu pergão
14:35Acho que agora não falta muito pra gente encontrar o ursinho
14:39Mas devo confessar que tô morrendo de saudades dela
14:43Entendeu? Existem ursos por aqui?
14:45Não, não é ursos, não
14:47É ursinho, é duquesa
14:49O canão do cangaceiro não ficou deixado por aqui?
14:51Não, não é ursinho, não é ursinho
15:04Dá
15:10Lá no sertão, cabra macho no ajoelha
15:13Nem faz parelha com quem é de traição
15:17Puxa o facão, risca o chão que sai centelha
15:20Porque tem vez que só mesmo a lei do cão
15:24É lampe, é lampe, é lampe, é lampião
15:31Meu candeeiro encantado
15:35Meu candeeiro encantado
15:38Enquanto a faca não sai toda vermelha
15:42A cabroeira não dá sossego não
15:45E vira busto e paco no corporeira
15:49Que nem já fez virgulim no cartão
15:53É lampe, é lampe, é lampe, é lampião
16:00Meu candeeiro encantado
16:03Meu candeeiro encantado
16:07Já foi-se o tempo do fuzil papo amarelo
16:11Pra se bater com o poder lá do sertão
16:14Mas Lampião disse que contra o flagelo
16:18Tem que lutar com o parabelo na mão
16:21É lampe, é lampe, é lampe, é lampião
16:28Meu candeeiro encantado
16:32Meu candeeiro encantado
16:36Uma feiticeira mesmo
16:40Acho que a falta desse é o cheiro que me inunda as ideias
16:44Obrigada, meu amor
16:46Sabia que você ia me salvar
16:49Falta feijão em vez de mandacaru, valei
16:52Falta nação, acender seu candeeiro
16:56Falta um chegar nas manzagas lá de Exu
16:59Falta o Brasil de Jackson do Bandeiro
17:03Marco, Lele, carimbó, maracatu
17:08É lampe, é lampe, é lampe, é lampião
17:17Não tem ninguém?
17:19Tem certeza que era aqui, delegado?
17:21Era
17:23Mas a gente não pode se enfiar em palavra de cagaceiro, não é mesmo?
17:28Dessa vez o cangaceiro não estava mentindo, não
17:31Pô, chato
17:31Tem alguém amarrado aqui
17:35Essa joia é de urso
17:38Será que a duquesa fugiu?
17:46Esse Nicolau, Baldini e Timóteo estão conosco?
17:50Quem ajudou ela a fugir?
17:54Tome, delegado
17:56É inútil ficarmos aqui
17:58Ou se ela fugiu, não temos tempo para procurá-la
18:02O melhor é seguir para Falma Azura
18:04Simbora
18:10Parada! Vamos, Valdeiro, parada!
18:13Faz a arma no chão
18:15Joga as a arma no chão
18:18Vou ali perto do modo Cabral
18:20Ou então leva o chão
18:40Joga as a arma no chão
18:46Joga as a arma no chão
18:46Muito bem
18:48Agora me entregue, Timóteo Cabral
18:53Rolfino
18:53Senhor, solta aí, Timóteo.
18:57Eu também.
18:59Eu também.
19:00Eu e o coronel temos um acordo.
19:04Acordo?
19:05É verdade.
19:07Depois eles explicam.
19:08Solta o Tricolau também.
19:10Coronel Aquiman.
19:12Solta esse mordome também.
19:25E você, Baudinho?
19:28Vai querer com a gente?
19:31Boa, senhor.
19:33Bom.
19:36Que dúvida, hein?
19:51E você se dizia arrependido?
19:54Essa é a minha chance de ver minha filha novamente, Petros.
19:58Resta saber se Lady Sicília irá querer vê-lo.
20:02Olha aí, seus macacos. Liberta o prisioneiro.
20:06Melhor ninguém tentar reagir.
20:08Porque senão leva a bala.
20:18Que pena que tu se bateu pro outro lado, Batoré.
20:22Tu ganhava muito mais sendo o meu capacho.
20:27Se bem que inteligência
20:29nunca foi tão forte, não é?
20:45Não podemos deixar-lhes escapar.
20:48Vamos soltar.
20:51Temos que ir atrás dele.
21:11Amarela Azeda voltou.
21:16Por que que tu não despachou ela, hein?
21:19Meu filho, quem cria a cobra morre envenenado.
21:22Minha mãe, assim como lhe respeito, por favor, me respeite também.
21:27Se a duquesa tá aqui, é porque decidi trazer ela de volta.
21:30E não me faça mais pergunta.
21:34Mas veja só.
21:36Isso tá certo?
21:38Oxe.
21:39E tem certo e errado no amor, dona Cândida?
21:42Tem nada.
21:43Eu deveria ter feito o mesmo com minha branquinha.
21:46Agarrar a duela trazida lá pra cá.
21:57Capitão.
22:06Obrigada.
22:09Obrigada.
22:11Obrigada.
22:12Obrigada.
22:13Obrigada.
22:14Obrigada.
22:15Obrigada.
22:29Obrigada.
22:29Isso um dia vai ter fim.
22:34Eu vou conseguir me apartar de tu.
22:38Não.
22:39Para de pensar no fim.
22:43Isso é só o começo, capital.
23:01Aí estão eles.
23:04Atrás deles.
23:05Lá vem uma cacada! Lá vem uma cacada!
23:35Lá vem uma cacada!
23:39O que agora, delegado?
23:42Não vou mostrar pra ele que não é um santo covarde!
23:48Fala!
23:49Fala!
23:51Fala!
23:56Fala!
23:59Fala!
24:01Fala!
24:02Fala, coronel!
24:04Eu vou lhe matar, batalha!
24:15Vamos melhor a gente se render!
24:18A digressão!
24:19Eu vou lhe matar, eu vou arbatalhar!
24:27Não!
24:34É agora que eu vou lhe mandar pro inferno!
24:42Devon, vio!
25:00Vem!
25:01Devon, vio!
25:03Devon, vio!
25:05Devon!
25:06Foi ferido! Me ajuda aqui!
25:07É grave!
25:08Me ajuda aí!
25:09Melhor ir pra Vila da Cruz, que é mais perto!
25:10Doutor Sérgio tá lá, vai poder atender seu Zenógio!
25:13Rufino!
25:14Tu vai junto pra mostrar o caminho!
25:16Abra a porta!
25:18Abra a porta e põe lá dentro!
25:27A festinha acabou já, Gonçalo!
25:30Se embora pra minha fazenda!
25:32Ei, o Coronel ficou doido!
25:33Fazenda é o primeiro lugar que vão nos procurar.
25:36Nicolau tem razão, Timóteo.
25:37Eu também não acho uma boa ideia.
25:39Já tenho tudo planejado.
25:42Vou transformar minha fazenda numa fortaleza.
25:46Vou contratar a multidão de jagunço!
25:48E quem entrar leva chumbo!
25:50Foi claro?
25:52Vambora!
25:54Vambora, campada!
25:55Vambora pra fazenda, vai!
25:58Vai, sabia? Vamos!
26:00Onde é que tá meu marido, delegado?
26:02Zenóbio, quer dinheiro?
26:03Calma-se, dona Florinda, que a senhora não quer sentar um.
26:06Bocadinho, aceitam chá.
26:07Não, não, delegado.
26:08Eu não quero saber de chá nenhum.
26:09Eu quero saber de Zenóbio.
26:11É...
26:11Nós fomos atacados, não é?
26:14O comboio, sob meu comando, seguia pela estrada normalmente.
26:18Um carro atrás do outro, não é?
26:20Quando de repente, do nada, um bando de bandido apareceu.
26:24Delegado, pelo amor de Deus, me diga logo de uma vez o que aconteceu com Zenóbio.
26:27Ei, ei, ei, ei, ei, ei, ei!
26:28Já, já, já, já chegou em broca.
26:30Vamos pra procurar?
26:30Não, não.
26:33Infelariamente o seu marido foi ferido no tiroteio e o duque Petrus, ele teve que...
26:39Petrus!
26:39O que foi que aconteceu com Petrus também?
26:41Mesma senhora, sem querer interromper, já sendo interrompida a senhora não me deixa
26:45terminar.
26:46O que eu estou lhe dizendo é o seguinte.
26:48Para que pudesse ser atendido na vila da cruz, seu marido foi levado pelo Duque, Petrus.
26:54Mas como é que tá, pai?
26:55Ele tá ferido?
26:56Ele tá ferido, mas não corre perigo, não é?
27:01Ou não sei, não é?
27:07Como é que ele tá?
27:08O ferimento é muito grave.
27:10Você tem que fazer ele viver, doutor?
27:12Eu sou Duque, o senhor procura ficar calmo, que o doutor Sérgio tá fazendo o melhor que ele pode, hein?
27:17Petrus, acho melhor a gente esperar um pouquinho lá fora.
27:20Vem.
27:21Deixa o doutor fazer o serviço dele.
27:23Qualquer coisa me chama.
27:24Vamos.
27:27O Marquês de Anóbio vai resistir?
27:30Estou fazendo o possível, mas a situação é delicada.
27:37Jesuíno não tinha nada aqui pra ser afirma.
27:39Ô, gente, a Associação tá lá, de casamento marcado, com o príncipe Felipe.
27:43A flor não pode se casar com esse príncipe.
27:45Jesuíno é o verdadeiro rei.
27:47Como é que eu não tô engolindo essa história de Jesuíno ser nobre, não, profeta?
27:50Mas é verdade.
27:51Nós temos prova.
27:52O fundador de Serafa é nosso parente.
27:55Olha, olha, olha, me desculpe, comadre, viu?
27:57Mas essa conversa aí tá muito atrapalhada.
27:59É, Jesuíno vai acabar arrumando problema pra nossa filha.
28:02Ô, minha gente.
28:03Dá licença, desculpa.
28:04Foi eu, amor?
28:05Aconteceu uma desgraça.
28:07O senhor, amor?
28:08O senhor é nobre levou um tiro na cabeça e...
28:09Tá lá no posto de saúde.
28:11O doutor Sérgio tá cuidando dele.
28:13Mas foi uma coisa dessa, amor?
28:14É que ele tava ajudando a levar os presos lá pra capital.
28:17Aí foi quando apareceram uns cabas lá na estrada.
28:20Atacaram a polícia, libertaram o seu Timóteo, mais os presos, tudo em junto.
28:25O filho das sombras não pode voltar a reinar.
28:29Não pode.
28:31Deus nos livre dessa desgraça.
28:34Lorinda, eles nos obrigaram a entregar aos prisioneiros.
28:38Nós tivemos que reagir.
28:40Houve uma troca de tiros.
28:57Meu Deus.
29:03O que vai acontecer com o meu Zenóbio?
29:06Ele vai ficar bem.
29:08Ele vai ficar bem, minha irmã.
29:09Não vai, doutor Sérgio.
29:10Doutor, me diga a verdade.
29:12Me diga o que vai acontecer com o Zenóbio.
29:15A bala está alojada na cabeça.
29:17Eu não tenho como extraí-la aqui.
29:19Temos que levá-lo a um hospital na capital.
29:27Meu Deus.
29:31Deu tudo errado.
29:33Tudo errado.
29:37Timóteo, General Badini,
29:40Bordomo Nicolau, o grupo tão solto,
29:43Marquês, Zenóbio foi ferido em tiroteio.
29:45Deu tudo errado.
29:47Eu não dei conta
29:49de levar os prisioneiros para a capital.
29:52Mas, Altino,
29:54você estava acompanhado dos oficiais de Seraf
29:56e do governo brasileiro.
29:57A responsabilidade não foi só sua.
29:59Eu sei, rainha Helena,
30:02mas o comando era meu.
30:05Mas, olha,
30:06para lhe ser franco,
30:08com toda a sinceridade,
30:10na verdade verdadeira,
30:11não são só os assuntos de Estado
30:13que estão me consumindo.
30:17O senhor está preocupado com Antônia?
30:19Antônia?
30:22Não.
30:23Não, Antônia não.
30:25Antônia eu já até me conformei.
30:28Hoje, quando penso em Antônia,
30:29minha pombinha,
30:31eu penso que é um anjo.
30:33Um anjo que perdi.
30:35Quer dizer, na verdade,
30:37eu não perdi.
30:39Porque nunca que tive
30:41o amor dela.
30:44Eu estou preocupado mesmo.
30:47É com Nidinho.
30:50Oxente.
30:51Será que eu posso mesmo
30:53ser o pai dele?
30:56Por que o senhor não vai lá agora
30:58e fala com ele?
30:59Mas agora?
31:00Já?
31:01Neste momento?
31:02Nesse instante, Oxente?
31:04Será que devo?
31:06Se o senhor quiser,
31:07eu vou junto.
31:08Eu sou uma ótima mediadora.
31:11Ah, então sim.
31:14Aí eu me sinto com coragem.
31:18Agora eu vou lhes contar
31:19a melhor piada
31:20que eu já ouvi na minha vida
31:21e que foi contada pelo rei, Augusto.
31:23Não tinha o Serafim
31:24no morador do Serafim.
31:25Agora não, filha.
31:27Só beijo, compadre.
31:28Deus te abençoe.
31:29É de bom, padre.
31:30Deus te abençoe, filha.
31:31Meninos,
31:36Deus me deu uma tarefa
31:38muito difícil hoje.
31:41Eu tenho uma notícia ruim
31:43para dar para vocês.
31:45Oxe, padre, diga logo.
31:47Assim o senhor me deixa com medo.
31:49Fale.
31:50É que...
31:54o pai de vocês, não sabe?
31:56Ele...
31:57ele sofreu um acidente.
31:59Acidente?
32:00Com o nosso painho.
32:01Como assim?
32:01O que aconteceu, pai?
32:02O mar foi grave.
32:04Infelizmente, sim.
32:05Oxe, painho.
32:07Painho.
32:08Ele vai morrer, padre.
32:09Com fé em Deus,
32:11ele há de ser salvado, sim, né?
32:13Oxe.
32:16Fiquem calmos, meus amigos.
32:18Deus há de ajudar a sua Zenobe.
32:20Ele vai ficar bem logo.
32:21Oxe, tem que ajudar.
32:24Meu pai, não pode ir não, vice.
32:27Isso.
32:28Agora nós temos que ficar unidos
32:30para dar força para a dona Florinda.
32:32A mãe de vocês tem que sentir
32:34que ela não está sozinha, viu?
32:35Pode deixar, padre.
32:36Claro, pode deixar.
32:37Com licença.
32:39Entre.
32:40Entre.
32:41Com licença.
32:42Entre.
32:43Com licença.
32:45Com licença, padre Joaquim.
32:46Nós já estamos entrando.
32:49Com licença.
32:50Com licença, padre Joaquim.
32:52Careço ter dois dedos de prosa
32:55com seu sobrinho.
32:57Com Eronildes?
32:58Não vá me dizer que esse menino
33:00já aprontou alguma para o senhor.
33:02Eu só não fiz nada, tio.
33:04Padre Joaquim.
33:06Nidinho não fez nada de errado.
33:08Não é ele?
33:08Padre Joaquim, o Altino
33:09tem uma revelação a fazer.
33:11É, eu tenho uma revelação a fazer.
33:14Padre Joaquim, esse menino
33:15outro dia me procurou para morte.
33:17Eu vou falar direto com ele.
33:19Nidinho!
33:20Tu tá certo?
33:22Certo de quê, delegado Batara?
33:23Eu tive uma namorada
33:25que se chamava José.
33:26Teve?
33:27Tive, e ela era de famosura.
33:29Hã?
33:29Era, e ela pode ser sua mãe, sim.
33:32Então isso quer dizer que senhor...
33:34Isso quer dizer que eu vim aqui
33:35para lhe assumir como filho.
33:37Vem cá, Nidinho!
33:39Vem cá, Nidinho!
33:40Vem cá, Nidinho!
33:40Seu pai, Nidinho!
33:42Ai, ela é lenta!
33:44Nidinho!
33:45Ai, meu Deus do céu!
33:46O que eu faço agora?
33:48Nidinho!
33:49Eu sou seu pai, Nidinho!
33:53Eu tô sentindo muito a tua partida,
33:56adoro a Alice.
34:01Eu fazia muito gosto
34:03da tua união com
34:04meu neto.
34:09Vai deixar muita saudade, viu?
34:13Uma dona Cândida.
34:17Também vou sentir muita saudade da senhora.
34:22Eu sou muito agradecida por tudo.
34:26E a senhora
34:27sempre foi muito boa comigo.
34:37Eu tô assim, Capitão.
34:41Vocês me receberam como uma família
34:44que eu nunca vou esquecer isso.
34:48Mas o que me trouxe pro cangaço
34:50foi o amor.
34:52E sem o jesuíno,
34:54não tem mais como eu ficar aqui.
34:59Sabe?
35:02Depois de correr mundo,
35:05muito pouca coisa me admira.
35:08A tu, Doura Alice,
35:10com certeza é digna
35:11de minha admiração.
35:16Tem em mim um aliado
35:17pra sempre, minha filha.
35:25E eu digo mesmo, Capitão.
35:28Se o senhor não já precisar
35:29de alguma coisa,
35:30pode contar.
35:32Com certeza.
35:35Vou mandar agora
35:36um de meus homens
35:37lhes cortar até a estrada.
35:40Meu padre insisto
35:41lhe abençoe.
36:01Bonito.
36:02Muito bonito.
36:03Poxa, gente,
36:03Timóteo,
36:04o general,
36:05os te saíram do chilindró, foi?
36:06Ô, Liliana,
36:07tá feliz em me ver, não?
36:08Então é o risco.
36:10Saí do chilindró, sim, Liliana.
36:13Graças ao Zóio.
36:15Muito obrigado, Zóio.
36:16Ah, e tudo que eu queria
36:17agora era um banho decente.
36:19Queria que você
36:20pedia fazer um favor.
36:21Prepare uma tira
36:22de água morna pra mim, hein?
36:23Por favor.
36:24Tu tá achando
36:25que eu sou
36:25tá empregada, é, Nicolau?
36:27Tem um pronunciamento
36:28a fazer.
36:30Rei Timóteo Cabral
36:31vai a Seraph
36:31atrás da Sucena.
36:32E vocês vão ficar
36:33em minha fazenda.
36:34Tu também vai, é?
36:36Como também vou?
36:38Do que você tá falando?
36:39Por causa que Jesuíno
36:40também foi lá
36:40pra Seraph
36:41a tarde da Sucena.
36:43Jesuíno,
36:44ele foi pra Seraph.
36:48E os exatinos
36:50Também tivemos
36:52que vivê-los
36:52bem juntinhos
36:53E os caminhos
36:54nos trouxeram
36:55para este lugar
36:56Aqui vamos ficar
37:00Amar, viver, lutar
37:02Até tudo acabar
37:05Até tudo acabar
37:05o que você tá falando?
37:05Tchau,
37:05tchau, tchau, tchau.
37:05Tchau, tchau, tchau.
37:07Tchau, tchau, tchau.

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