00:00A definição política de uma organização terrorista é uma organização que ameaça a estabilidade do governo.
00:08Mas o governo não traz estabilidade, esse que é o ponto.
00:10E ameaça a estabilidade do governo.
00:13Por falar em ameaça ao governo, a gente tem o presidente Donald Trump também dizendo que os Estados Unidos
00:21vai atingir 20 vezes mais forte o Irã se eles fizerem alguma coisa que interrompa o fluxo do petróleo
00:27lá no Estreito de Hormuz, o Irã simplesmente ignorou essa ameaça e afirmou que não vai permitir as exportações de
00:34petróleo nessa região
00:35enquanto durar a guerra.
00:36Bom, para a gente entender melhor tudo isso, a gente tem um especialista no assunto que já está no ponto.
00:44A gente vai chamar o Alexandre, por favor.
00:50Ele vai explicar para a gente como é que essa situação, a gente viu hoje o secretário de Guerra dos
00:56Estados Unidos
00:56falando sobre a estratégia do Irã em atacar países vizinhos.
01:03Então a gente tem aqui o nosso especialista conosco.
01:06Bem-vindo.
01:08Bom dia, Fernando.
01:09Bom dia a todos os espectadores da Jovem Pan.
01:11Prazer.
01:13Então, o senhor acompanhou essa coletiva que aconteceu um pouco antes do Morning Show
01:17de uma explicação dessa parte da contra-ofensiva do Irã.
01:23Eles atacando países vizinhos.
01:26Como é que o senhor vê essa situação?
01:29Bom, Fernando, parece uma estratégia bastante desesperada por parte do Irã.
01:36Na impossibilidade de derrotar militarmente tanto os Estados Unidos quanto Israel,
01:42o Irã está fazendo uma aposta alta que é bombardear países vizinhos,
01:47inclusive países relativamente amigos, como o Catar, por exemplo,
01:51até a Turquia caiu um míssel lá,
01:54na tentativa de criar uma grande desestabilização,
01:57uma pressão sobre os Estados Unidos para que acabe a guerra.
02:00O Irã não tem como impedir a destruição de ativos militares,
02:06a eliminação de líderes iranianos.
02:09Então, se ele cria essa confusão toda em começar uma gritaria,
02:12o preço do petróleo disparando, o fechamento do Estreito de Hormuz,
02:16por onde, como vocês falaram bem, passa aí um quinto do petróleo do mundo,
02:20se a pressão toda seria, na aposta do Irã, uma forma de brecar a guerra
02:24e o regime continuar no poder.
02:26O objetivo número um do regime iraniano é não cair.
02:30Então, o que eles puderem fazer, matar civis, massacrar,
02:35bombardear países vizinhos,
02:36o que eles puderem fazer para não cair do poder, eles vão fazer.
02:39Alexandre, e como é que você viu a escolha de um novo líder supremo no Irã
02:44e a resposta que os Estados Unidos acabam dando sobre isso?
02:49Foi também uma tentativa de falar, olha, seguimos por aqui,
02:54está tudo como o Dantes no quartel de Abrantes.
02:57Já temos um novo líder e isso não vai atingir a estabilidade,
03:02coisa que o Trump também não gostaria de ver, não é isso?
03:08Aqui no Brasil, que é um país do mundo ocidental,
03:12um país tolerante, um país em que as pessoas têm uma cordialidade grande,
03:16é muito difícil a gente compreender a mentalidade de um regime radical islâmico.
03:22O regime radical islâmico, há mais de 50 anos,
03:25desde a Revolução de 79,
03:27eles defendem uma visão muito apocalíptica, ideológica, radical,
03:32de que o mundo precisa ser, precisa existir uma expansão do islamismo,
03:38no caso deles o islamismo xiita, essa versão militante,
03:41financiamento de grupos terroristas, a guerra permanente contra os infiéis,
03:46tudo isso é do coração ideológico.
03:49Então, se a gente pensar só do ponto de vista pragmático,
03:52nós não vamos conseguir compreender o Irã.
03:54E é um regime muito ideológico, pelo menos da porta para fora, por enquanto,
03:59não dão sinais de ceder, não estão amenizando a linguagem.
04:02Enquanto eles não conseguirem atender, pelo menos,
04:04as necessidades básicas dos Estados Unidos,
04:07imagino que vai continuar esse antagonismo.
04:10Estados Unidos deixou muito claro que o objetivo deles é,
04:12número um, impedir o Irã de conseguir arma atômica,
04:16me parece um objetivo muito importante para a estabilidade do mundo inteiro,
04:20seria um pesadelo esses malucos aí no Irã ter bomba atômica na mão deles,
04:24número dois, impedir o Irã de desenvolver o seu programa de mísseis,
04:28mísseis esses que o Irã tem a ambição de chegar até nos próprios Estados Unidos,
04:32número três, impedir o Irã de financiar grupos terroristas da região.
04:36O Irã, vamos lembrar, é o maior patrocinador mundial de terrorismo.
04:41Esses são os três objetivos estratégicos.
04:43Se o regime cair junto com isso, melhor ainda.
04:46Mas está muito claro, parece para o Trump e para o Marco Rubio,
04:49que não está totalmente no controle deles o regime iraniano cair ou não.
04:53E claro que tem a questão da população iraniana, que tem sofrido muita opressão,
04:57que é majoritariamente contrária ao regime, porém é uma população desarmada.
05:02Então, enquanto você está sem as armas, e todas as armas estão do lado do regime,
05:05é muito difícil derrubar do poder.
05:08É, mas também existe uma avaliação muito clara de que não se derruba um regime por ataques aéreos,
05:15que aí teria que ter o pé no chão ali, americano, para que esse regime caísse.
05:21Na sua opinião, o que seria, seria assim, muito importante e que faria essa mudança no caso do governo americano?
05:31O barril de petróleo, nessa variação, seria um ponto de mudança nessa postura americana?
05:38Ou seria a própria vontade de derrubar o regime islâmico?
05:43Fernando, eu acho que nesse momento, na minha avaliação,
05:46nenhum cenário justificaria o Trump mandar lá 100, 200 mil soldados
05:51para ocupar Teherã, para ocupar Esfarrã, para começar a entrar nas cidades iranianas.
05:56Nenhum cenário.
05:57Porque o Trump hoje é odiado pelos democratas, o que é óbvio que é outro partido.
06:02E do lado republicano, ele tem um flanco aí político, que é a turma do Maga,
06:07que é a base eleitoral dele, em que ele foi eleito, ele justamente foi eleito prometendo
06:12não colocar os Estados Unidos em guerras enroladas externas.
06:16Então, ele sempre defendeu isso.
06:19Até o momento, ele está justificando que a operação do Irã é uma operação controlada, pontual, curta,
06:25são bombardeios, praticamente não houve baixas entre os americanos,
06:29é irrelevante o número de baixas, então ele pode vender isso como um grande sucesso.
06:34Olha só, nós fomos lá, matamos o Kamenei, matamos o chefe do Estado-Maior,
06:37matamos o chefe das guardas revolucionárias, matamos lá uns 30 líderes iranianos,
06:42destruímos as bases deles, praticamente não teve nenhum americano morto,
06:46foi curto, acabou, saímos.
06:47Isso é sucesso do ponto de vista do Trump, na minha opinião, é sucesso do ponto de vista também
06:52de todo o mundo livre que quer se livrar do regime do Irã.
06:55Agora, se o Trump entrar com tropas lá, isso é um atoleiro que não se sabe onde vai dar,
07:02pode ser um Iraque 2, pode ser um Afeganistão 2, então é muito grave.
07:06O que tem se falado um pouco é de armar um exército de curdos.
07:10Vamos lembrar que o Irã é cerca de 60% persa, se não me engano, e tem outras minorias étnicas.
07:16E no canto do Irã, no canto ocidental, existe um território lá dominado pelos curdos,
07:22e esses têm conexões com curdos na Turquia, curdos na Síria, no Iraque,
07:27e seria possível armar um grupo de curdos para esses curdos, sim, não soldados americanos,
07:32os curdos confrontarem o regime.
07:34Isso é uma faca de dois gumes, porque hoje o povo iraniano está, de certa forma,
07:40a favor do Trump, a favor dos bombardeios, querendo se livrar do regime.
07:43Se, de repente, esse movimento de armar os curdos começar a ficar com cara de separatismo,
07:52quer dizer, os curdos vão fazer o quê?
07:53Vão derrubar o regime e continua o Irã intacto? Beleza.
07:56Mas os curdos vão derrubar o regime e tentar se separar para fragmentar o Irã?
08:00Isso seria extremamente impopular entre a população iraniana
08:04e poderia fazer essa população se voltar contra os americanos.
08:07Então, eles precisam tomar muito cuidado nessa medida.
08:11Mas eu não acredito de intervenção militar de pessoas lá,
08:14muito menos por Israel e nem pelos Estados Unidos.
08:17Tá aí, então, Alexandre Ostrovich.
08:19Espero ter acertado o seu sobrenome,
08:21mas espero em outras vezes te receber aqui no nosso Morning Show.
08:25Muito obrigado pela participação.
08:27Uma ótima manhã para você. Valeu.
08:30Ótima manhã, Fernando. Obrigado a todos.
08:33Então, queria comentar com vocês essa questão,
08:36porque existem as eleições também lá nos Estados Unidos,
08:40que podem ser definitivas para essas pretensões.
08:44Não definitivas, mas muito importantes para essas definições bélicas americanas, Matheus.
08:49Sim, eu vi uma pesquisa no fim de semana que os republicanos subiram 1.1
08:53e os democratas tiveram mais ou menos uma queda de 1.
08:56Então, tecnicamente, está empatado.
08:58Os midterms, eles são só no início de novembro desse ano.
09:00Mas é crucial para o Trump, porque os 50 estados americanos vão ter as eleições dos midterms.
09:08Ou seja, o Donald Trump, ele tem um tempo, não vamos dizer que é um tempo super curto,
09:13mas assim, também não é um tempo tão longo para conseguir provar a popularidade,
09:18aumentar a força dos republicanos para ele conquistar.
09:21E aí sim, Fernando, se a gente presenciar em novembro um Donald Trump fazendo maioria de republicanos,
09:27se a gente acha que hoje ele está fazendo o que quer e o que não quer,
09:32imagine ele conquistando em novembro esses midterms.
09:35Aí sim, eu acho que a gente vai ver um Trump que não vai perguntar muito, não.
09:38Eu queria dar um detalhe nisso, que as pesquisas dentro dos Estados Unidos
09:41têm mostrado uma forte rejeição a esse embate na guerra.
09:47Então, as pesquisas internas, claro, pesquisas são recorte do momento,
09:51o Trump ainda pode lidar com isso mais à frente,
09:54mas o lema era colocar a América em primeiro lugar.
09:57Muitos americanos veem isso como um desperdício de dinheiro
10:00e não ligam mais tanto em relação à situação do Oriente Médio como foi no passado.
10:06Eu acho que o que diferencia principalmente Trump da velha direita americana,
10:10essa nova direita com a velha direita que é Bush principalmente,
10:14é ele não querer intervir em outros países.
10:17E na verdade ele fez campanha pesada contra Hillary,
10:20dizendo que ela ia provocar guerras, que ela ia colocar os americanos para morrer em guerras.
10:26Então, é um desgaste muito grande, evidentemente, para um governo mandar pessoas para morrer.
10:31E o pior é que o efeito final não necessariamente é bom,
10:34porque isso já aconteceu no Afeganistão e no Iraque,
10:37eles invadiram esses dois países, e o que é que surgiu disso?
10:40O Estado Islâmico.
10:41Então, não compensa no final das contas.
10:44Você apoiar um governo contra outro pode provocar também aquele efeito
10:48do que aconteceu na guerra do Vietnã, que é o rabo começa a abanar o cachorro,
10:53que é o governo começa a se sentir importante mais,
10:56e que é ali o governo para si, quer roubar, quer fazer,
10:58que é isso que acusam, inclusive, a Ucrânia de fazer.
11:02Que eles estão pegando dinheiro americano.
11:06Intervenções são importantes quando a gente tem algum problema conosco,
11:10por exemplo, viver com dor.
11:11E aí
11:11E aí
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