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O ator Kaiony Venâncio conversou com o Estado de Minas sobre todo o processo de viver Vilmar em O Agente Secreto.

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Transcrição
00:00Olá, eu sou Carlos Marcelo, você está aqui no Estado de Minas acompanhando a entrevista com o Caio Ni Venâncio
00:05sobre o trabalho marcante que ele faz em O Agente Secreto.
00:10Caio Ni, é um prazer recebê-lo aqui no Estado de Minas, no Portal Y,
00:14e eu queria que você começasse essa nossa conversa dizendo para quem está nos assistindo
00:20quem é Vilmar, na sua opinião.
00:24Olá, Carlos, ao Estado de Minas, obrigado pelo convite.
00:28Mas Vilmar, para mim, ele é um anti-herói, ele, para quem assistiu, sabe que ele começa como um vilão
00:38e ele termina como um representante de toda a desigualdade da sociedade.
00:44Então, para mim, Vilmar, ele é um anti-herói e eu torço muito que Cleber faça um spin-off.
00:51Para contar, talvez, também a história pregressa dele, né, assim,
00:54porque nos parece que ele tem uma grande história por trás, né,
00:59e desde as primeiras cenas isso fica muito marcante.
01:02O que é que o Cleber te falou do personagem?
01:05Como ele te instruiu em relação à história do personagem?
01:09Sim.
01:10Ele segurou o máximo que pôde de informação.
01:15Ele queria que eu começasse a desenvolver, né, sozinho.
01:20E até o ponto dele chegar e mostrar o verdadeiro Vilmar, que ele existiu.
01:26É um pouco diferente do que eu faço.
01:28Mas uma coisa que Cleber queria é que eu percebesse que o Vilmar real,
01:35ele não se justificava, ele não argumentava, ele só dizia, ele só fazia e acabou-se.
01:44Não tem envolvimento, não tem envolvimento emocional com nada.
01:50Então, a orientação que ele me dava é,
01:52Caio, ele não se estressa com as pessoas, ele simplesmente é o que ele quer para fazer isso,
01:59e eu disse, pronto, eu faço, acabou-se.
02:01E eu vi a reportagem dos anos 70 sobre Vilmar, o pistoleiro de Serra Talhada,
02:07que foi exibido no Globo Repórter, né,
02:10e quando eu vi, Carlos, foi engraçado, que quando eu olhei, ele fez,
02:14olha, isso aqui é Vilmar, preto e branco, né, a reportagem.
02:17Quando eu olhei, eu fiz, vixe, parece com o meu pai, quando tinha vinte e poucos anos.
02:22E eu comecei a juntar uma coisa com a outra, né,
02:24e comecei a pensar, rapaz, eu tenho chance de passar mesmo,
02:27porque eu já tenho os traços do meu pai, meu pai parece com o Vilmar.
02:31Então, o que eu fiz foi o quê?
02:33Entender quem era o Vilmar, o verdadeiro Vilmar, que existiu,
02:37e entender o que o Kleber estava querendo que eu fizesse.
02:41Sabe um erro que acontece muito, Carlos, com quem é ator, atriz,
02:46é de querer chegar já pronto, sabe?
02:49Estou pronto, viu, diretor? Pode dar uma ação aí.
02:52Na verdade, é muito importante que a gente construa o personagem junto com o diretor.
02:56Por quê? Porque o filme é a visão dele.
02:59Imagina eu chegasse esbaforido, gritando,
03:04me impondo sobre as pessoas na cena.
03:09Eu ia me sabotar diante de uma oportunidade tão boa,
03:15que é o personagem de Vilmar,
03:19que é o personagem de Vilmar.
03:22Eu precisava entender o que o Kleber estava querendo.
03:25Então, eu só fiz prestar bem atenção nas orientações dele
03:29e prestar atenção no Vilmar.
03:32Caunir, você falou que precisava prestar muita atenção no que o Kleber estava querendo.
03:36E aí eu vi uma entrevista sua recente no podcast Nordestinos pelo Mundo,
03:40no qual você fala uma coisa muito interessante,
03:42que você fala que toda vez que o Kleber falava o texto,
03:45ficava mais fácil para você.
03:47Não que fosse imitá-lo, mas que ele já dava o tom do personagem.
03:50É isso mesmo?
03:51Então, me conta um pouco como é que foi esse momento
03:53de ele meio que passar o texto para você,
03:56já com as pausas e a entonação,
03:58e você meio que imitá-lo,
04:00que você tem um talento para imitação.
04:02Então, fala um pouco sobre isso.
04:05Kleber, ele nunca quis,
04:08fala por mim, tá?
04:09Ele nunca quis dar a interpretação que era para eu fazer.
04:14Mas é o jeito dele, entendeu?
04:15Ele falava só assim.
04:18Caio, ele quando vai falar, ele fala só,
04:21é quatro mil.
04:23Ele não fala, é quatro mil.
04:26É quatro mil e acabou.
04:28Aí, quando ele falava, é quatro mil,
04:30eu, o tom é esse.
04:32Esse é o tom.
04:34Foi isso que eu consegui assimilar, sabe?
04:36E é tão verdade que ele ficava orgulhoso
04:40de fazer isso, muito bom, Kaunin, muito bom.
04:42E eu sabia que o muito bom é porque eu consegui
04:46retratar exatamente o que estava na mente dele,
04:48desde o que ele escreveu
04:50e desde o que ele estava vendo ali durante as gravações.
04:53Foi exatamente isso.
04:57Consegui materializar o que estava na cabeça dele.
05:00Mas eu sempre digo a ele,
05:01meu amigo,
05:02por mais que eu observei assim,
05:04Kaunin, você tem talento, não sei o quê,
05:05mas eu acho que o diferencial meu
05:08foi eu ser inteligente o suficiente
05:11para entender o que estava na cabeça de Kleber.
05:13É isso.
05:14Porque não adiantava ele pegar pronto, não adiantava.
05:17Se eu chegasse pronto, eu teria que apagar tudo da minha mente
05:20e começar do zero.
05:22Nem todo mundo sabe que, no caso do cinema,
05:25especificamente do agente secreto,
05:27é claro que o Kleber já falou que o papel foi escrito
05:29por Wagner Moura,
05:30mas boa parte do elenco foi selecionado por meio de testes.
05:34Então, eu queria que você contasse
05:36como é que foi o seu teste.
05:39Como é que foi a sua...
05:40Se você resumisse para a gente,
05:42como é que foi o processo
05:43e qual foi a cena que você fez o teste?
05:48Eles fizeram uma chamada pública no Instagram
05:50no início de 2024.
05:52Todo mundo já sabia que ia rolar esse filme, né?
05:56Era só fazer um vídeo de apresentação
05:58dizendo que você era,
06:00cidade,
06:01o que é que fazia da vida
06:02e eu esqueci de fazer esse vídeo.
06:05Aí meus amigos que falaram, né?
06:07Tu mandou já o teu vídeo?
06:09Caramba, eu esqueci.
06:10Aí fui ver a data,
06:10ah, tem mais uma semana.
06:11Aí eu me preparei,
06:12segunda-feira eu faço.
06:13E foi isso mesmo.
06:14Quando chegou na segunda-feira,
06:15eu estava preparando o celular
06:16para gravar o vídeo sozinho.
06:18Aí chegou o e-mail
06:20de Carolina Martins,
06:21que é a assistente de Gabriel Domingues.
06:24E era assim,
06:25o teste para a Caio Ni,
06:27para o personagem filmar,
06:28mas a cena não é do filme.
06:30Aí quando eu fui ver,
06:31era a cena do porto.
06:33A cena do contrato.
06:35E eu gravei bem rápido aqui
06:38com o meu cunhado, Gabriel,
06:41e com o meu amigo Paulo Demetrio,
06:42que também é ator.
06:44Eu fiquei já feliz
06:45porque Carolina,
06:47eu já tenho trabalhado com ela
06:48em Cangasso Novo.
06:50Por quê?
06:50Porque Gabriel Domingues
06:51foi o protô de elenco
06:54de Cangasso.
06:55Então ele já me conhecia.
06:57Mandei o teste,
06:58nove dias depois
07:00recebi a mensagem,
07:01ah,
07:01Cleber quer te conhecer e tal,
07:02eu fiquei tão feliz.
07:03Fui, né,
07:04naquela expectativa,
07:05meu Deus,
07:05eu vou conhecer Cleber.
07:07Leonardo Laca
07:08me preparou,
07:09a manhã quase toda
07:11me preparou,
07:11só eu e ele lá,
07:13trabalhando,
07:13tá no personagem.
07:14Cleber chegou de bicicleta,
07:16ele e Emily,
07:17a esposa dele,
07:18cada um na sua bicicleta,
07:20e aí foi quando eu fiz o teste,
07:22né,
07:24da cena do porto,
07:25gravei no meio da rua,
07:26sem camisa,
07:27voltava,
07:28ele assistia no celular,
07:29vamos lá,
07:30melhorei isso aí,
07:31gravava lá de novo,
07:32voltava.
07:33Aí foi quando ele mostrou,
07:34viu o mar,
07:35o verdadeiro,
07:37aí explicou com mais detalhes
07:39o que ele queria do personagem,
07:40eu disse,
07:41me diga uma coisa,
07:41com essas novas informações,
07:42você quer que eu vá lá fora,
07:44aí faço de novo,
07:44ele,
07:45quero.
07:46Aí fui lá,
07:47gravei,
07:47voltei,
07:48ele ficou assistindo,
07:48ele tava gostando,
07:49elogiando o meu andar,
07:52e ele olhando pro celular
07:53e falando,
07:54é um personagem muito importante
07:55pra mim,
07:56e tal,
07:56não sei o que,
07:57e queremos ter a honra
07:57de trabalhar com você.
07:59Aí eu fiquei emocionado
08:00e não sabia como comemorar,
08:01apertei a mão dele,
08:02fiz,
08:03obrigado.
08:03E os meninos,
08:04como me comemora,
08:05e tal,
08:05aí eu,
08:06eles só não tô acostumado não,
08:08tô acostumado não,
08:09aí me abraçaram e tal,
08:10aí fui conhecer o pessoal
08:11da produção,
08:12aí anunciaram,
08:13ó, gente,
08:13esse é Caio Niro,
08:14ele vai fazer Vilmar,
08:15as meninas se levantaram
08:16do computador
08:17e vieram me abraçar,
08:18fiz gente,
08:18não precisa se levantar,
08:19prefiro assim,
08:20precisa,
08:21porque eu não sabia
08:22o quanto o Vilmar
08:23era importante no filme,
08:24realmente eu não tinha noção
08:26do carinho das pessoas.
08:28Caio Niro,
08:29se me corrija se eu estiver errado,
08:30mas o tempo de tela
08:31do Vilmar
08:32são menos de cinco minutos,
08:33né,
08:33assim,
08:34é,
08:35mas é muito marcante
08:36a sua participação,
08:37né,
08:37assim,
08:37em tempo de tela,
08:39mas ele tem as sequências decisivas,
08:40obviamente a gente não pode
08:41dar muito spoiler,
08:42apesar de quase,
08:43já dois milhões de espectadores
08:44no Brasil,
08:45né,
08:45do filme,
08:45então é um número
08:46muito expressivo,
08:47mas,
08:48para quem ainda não viu,
08:49o personagem é responsável
08:52diretamente pela ação
08:53do terceiro e decisivo
08:54ato do filme,
08:56né,
08:56numa interação também direta,
08:58numa grande cena de perseguição,
08:59também sem dar muitos detalhes,
09:01que tem um desfecho inesperado,
09:02também sem dar detalhes,
09:04com o personagem do Gabriel Leone
09:07e de outras forças envolvidas
09:10nessa cena.
09:13O que me chama a atenção
09:14nessa cena,
09:15além do uso da trilha sonora
09:17regional,
09:18assim,
09:18da trilha sonora
09:19da banda de Pífanos
09:20e Caruaru,
09:21que é muito original
09:23nesse ponto,
09:24mas é também,
09:26de certa forma,
09:26a dinâmica da cena,
09:28né,
09:28então,
09:28queria que você comentasse
09:29um pouco essa cena
09:30especificamente,
09:31porque,
09:31salvo engano,
09:32o Kleber comentou com você
09:33que essa era a cena
09:34mais hollywoodiana,
09:35né,
09:35do roteiro,
09:36né,
09:36me fala então um pouco
09:37da gravação,
09:39da rodagem dessa cena,
09:40a cena que começa lá no início,
09:43isso,
09:43exatamente,
09:44qual foi o seu desafio
09:46particular nessa cena?
09:49É,
09:51rapaz,
09:51o mais difícil,
09:53a perseguição,
09:54eu vou só,
09:54falando,
09:56dar uma informação
09:57de bastidor,
09:58nós gravamos
09:59as minhas cenas
10:00todas de trás
10:01para frente,
10:02eu comecei gravando
10:03aquela cena
10:04que eu estou entrando
10:05na galeria,
10:06aquela galeria de loja,
10:07que eu vou me esconder,
10:08pronto,
10:08eu comecei gravando aquilo,
10:10e a última cena
10:11foi a do Porto,
10:12então,
10:13a gente gravou
10:13tudo de trás
10:13para frente,
10:14mas o meu desafio
10:16foi a cena
10:17do tiroteio,
10:18porque era coreografado,
10:20eu tinha que falar,
10:21eu tinha que falar
10:22o texto,
10:23quando eles perguntam,
10:25e aí,
10:25bichão,
10:26está usando
10:27o nome do nosso,
10:28mostra aí
10:29a sua identidade,
10:30aí eu tenho que
10:31procurar,
10:31dizer,
10:31logo hoje
10:32que eu escuto
10:32minha identidade
10:33e puxar a arma,
10:35isso foi muito difícil,
10:37porque,
10:39eu fiz essa coreografia
10:40certinha,
10:41puxa a camisa
10:42com a mão,
10:44puxa a arma
10:45da calça,
10:45que não tinha um coldre,
10:46se fosse com um coldre
10:47era mais fácil,
10:49aí a arma
10:49era uma arma real,
10:51mas claro,
10:52sem munição,
10:53era só pólvora
10:54para sair
10:54aquele fogo,
10:57e eu toda hora
10:58errava,
10:58errava,
10:59porque quando eu acertava
11:00a mão,
11:00puxava,
11:01o dedo passava
11:02do gatilho,
11:03e eu,
11:04como dizia,
11:05como dizia,
11:05como dizia em Natal,
11:06batia a catolé,
11:07eu não conseguia
11:10puxar direito,
11:10porque era só
11:11a ponta do dedo,
11:13o dedo passava direto,
11:14era muito rápido,
11:15dá para ver na cena
11:16que é rápido,
11:18e esse foi o desafio,
11:20eu ficava me irritando,
11:21eu pensava,
11:21calma,
11:21você vai conseguir,
11:24calma,
11:24calma,
11:25mas eu me irritava de baixo,
11:26porque eu errava,
11:27disse,
11:28mas é isso,
11:29foi um desafio,
11:31mas,
11:33era o som,
11:34tem que estar junto
11:35com os tiros,
11:37o pessoal da fotografia,
11:39para fazer o movimento
11:40de câmera correto,
11:42então,
11:42por isso que foi difícil
11:43para mim,
11:44mas eu digo a você,
11:45viu,
11:46foi realmente,
11:47Hollywoodiana,
11:48foi maravilhoso,
11:49foi maravilhoso,
11:50desde a entrevista,
11:51entrada no instituto,
11:55até a cena final
11:56com a barbearia,
11:58foi maravilhoso,
11:59foi muito bom,
12:00e como você falou,
12:01a trilha sonora
12:02da perseguição,
12:03ela deixa a cena
12:05muito mais impactante.
12:06Sem dúvida,
12:07mas outra coisa
12:08muito impactante
12:09na sua participação,
12:10são os diálogos,
12:11você tem pouquíssimos diálogos,
12:12mas são frases
12:13que eu me arrisco a dizer
12:14que já viram,
12:15já são emblemáticas,
12:16assim,
12:16do filme,
12:17são muito representativas,
12:19uma delas
12:20é no orelhão,
12:21quando você pergunta
12:23se é para atorar,
12:27isso já estava no roteiro,
12:28já estava tudo no roteiro,
12:29teve improviso seu
12:30em alguma dessas cenas,
12:31no diálogo,
12:31como é que foi isso?
12:34Sobre a questão
12:34de improviso,
12:37era difícil
12:38fazer algum improviso
12:39porque o roteiro dele
12:40já estava muito bom,
12:40e também estava muito claro
12:42que o personagem
12:43falaria daquela forma,
12:45teve algumas falas
12:46que foram cortadas
12:47porque o diálogo
12:48é um pouquinho maior,
12:49um pouquinho só maior,
12:50o meu com o Augusto,
12:53o doutor Augusto,
12:54que é o Rony Villela,
12:55que é um cara maravilhoso,
12:57viu?
12:58Pense um cara
12:58bom de trabalhar,
12:59Rony Villela,
13:00ele é maravilhoso,
13:01é verdade.
13:02mas o que é que eu só mudei
13:05foi a questão da pronúncia,
13:07como ele veio do interior,
13:09ele não tinha muito estudo,
13:10então,
13:11em vez de falar
13:11é para atorar,
13:12eu falava
13:13é para atorar,
13:16eu não falava identidade,
13:17eu falava
13:19identidade,
13:20de propósito,
13:21lógico, né?
13:21Kleber não me pediu isso,
13:23eu que pedi,
13:23e ele gostou,
13:25então,
13:25manteve, né?
13:26Mas eu não precisei
13:27improvisar não,
13:28sabe?
13:29Outro detalhe,
13:29a cena do
13:34logo hoje
13:34que eu esqueci
13:35minha identidade,
13:37o Kleber pediu
13:38para fazer
13:39de duas formas diferentes,
13:40três vezes,
13:41três formas, né?
13:42A original
13:42e mais de outras.
13:44Eu não lembro
13:44como é que foi assim,
13:45e ele que me dava a fala,
13:46entendeu?
13:48Caiu nem tento
13:48falar dessa forma,
13:50ia lá e falava, né?
13:52Aí ele,
13:53aí a última eu lembro,
13:54a última ele fez assim,
13:55Caiu nem,
13:55em vez de falar
13:56logo hoje
13:56que eu esqueci minha identidade,
13:57ele falou só assim,
13:58vixe,
13:58aí já puxa.
13:59aí eu fiz,
14:01ficou legal também,
14:02mas no final das contas
14:03a que entrou
14:03foi a do texto original,
14:05né?
14:05Logo hoje,
14:06abrindo os braços, né?
14:08Ah,
14:08lembrei o que era.
14:09Primeiro era
14:10abrindo os braços,
14:11logo hoje que eu esqueci,
14:12a outra era
14:12passando a mão no corpo
14:14como estivesse procurando,
14:15aí puxava,
14:16e o outro era o vixe,
14:17vixe,
14:18já puxava.
14:19Então assim,
14:20não teve muito improviso
14:21de fala,
14:22sabe?
14:22Eu fiquei bem atento
14:25e me ative ao roteiro,
14:29sabe?
14:30E tinha também a Gabriela,
14:32que era a continuista,
14:35que teve uma fala
14:36que eu falei diferente,
14:37não foi errado,
14:38eu falei diferente,
14:38ela falou assim,
14:40você falou,
14:41eu me liguei,
14:42foi,
14:43eu me atrapalhei,
14:44aí para não perder a cena
14:45eu meti essa palavra,
14:46mas eu vou corrigir
14:47no próximo plano.
14:48Foi,
14:49eu segui o roteiro,
14:50bem direitinho.
14:51Calni,
14:52quem te vê agora
14:52nessa entrevista,
14:53e certamente viu
14:54seus trabalhos anteriores,
14:56vê que,
14:57obviamente,
14:57você tem um olhar
14:59muito diferente
15:00do olhar
15:01do Vilmar,
15:02né?
15:03E acho que mais marcante
15:04até do que os diálogos,
15:05que são muito marcantes,
15:06é o olhar dele,
15:07né?
15:07Ele diz muita coisa
15:08com o olhar,
15:09e diz muita coisa
15:10sobre o passado dele também,
15:11com o próprio olhar.
15:12E nessa cena
15:13que você fala,
15:14que foi a última
15:14que você gravou,
15:15mas é a primeira
15:15que a gente conhece
15:16o personagem,
15:16quando eles estão
15:17naquele galpão,
15:18ele trabalhando ali,
15:19ou seja,
15:20ele tem uma dupla jornada,
15:22e acho que é um dos elementos
15:23mais originais do roteiro,
15:25que é, na verdade,
15:26os matadores contratados
15:27resolvem terceirizar
15:28e ainda tirar vantagem
15:30do matador nordestino,
15:31de explorar ainda mais
15:34e fazer até um arranjo
15:35com dinheiro,
15:36que na verdade
15:36eles ficam com lucro,
15:37então assim,
15:38estão lucrando
15:39e o matador interpretado
15:41pelo Rony Villela
15:42vai até para a praia,
15:42enquanto o serviço
15:43está sendo feito.
15:45Exatamente,
15:46é tudo muito original
15:47nesse ponto,
15:48porque tem,
15:49obviamente,
15:49todo um subtexto
15:50de exploração nisso
15:51que não é dito,
15:52é só mostrado.
15:54então eu queria saber um pouco
15:55do que significa
15:58para você interpretar um personagem
16:01que, de certa forma,
16:02representa também
16:03essa exploração
16:04que muitas vezes
16:05o povo nordestino
16:06é vítima
16:08de ser subjugado,
16:10mesmo em tarefas,
16:11digamos,
16:12não ortodoxas,
16:12como essas,
16:13tarefas ilegais
16:14e criminosas,
16:15mas que acabam sendo,
16:17se envolvendo
16:17e tendo esse envolvimento.
16:20então eu queria que você falasse
16:22um pouco do significado
16:23do personagem
16:23para o próprio filme
16:26e para a própria história
16:27do Nordeste.
16:28Eu me identifiquei totalmente
16:30com,
16:32não com o que Vilmar faz,
16:35mas eu me identifiquei totalmente
16:37com a desigualdade
16:38que ele sofre
16:39e que ele vive,
16:40porque vários trabalhos
16:42eu já fiz enquanto ator
16:43e eu fui desmerecido,
16:48cachês baixíssimos,
16:49falta de respeito
16:51com o meu trabalho,
16:52sabe,
16:53de dizer assim,
16:53ei fulano,
16:56carro que ele pegar
16:57não vai dar certo,
16:58você pode vir
16:58por conta própria,
17:00então eu disse,
17:00mas o convidado foi esse.
17:02Então, assim,
17:02as pessoas querendo
17:03passar a perna em mim,
17:06já aconteceu
17:06várias vezes,
17:10principalmente quando eu era
17:10mais jovem,
17:11quando eu era mais jovem
17:14eu sofri muito
17:15nessa questão
17:15e olha que eu não era
17:16nem à toa ainda,
17:18mas já pode ter
17:18situações de até hoje
17:20ter gente,
17:21ter empresário
17:22que me deve dinheiro
17:23e tal e fica chorando
17:24as pitagas na internet.
17:28Eu não tinha como
17:29não me identificar
17:30com o Vilmar,
17:31então o meu olhar,
17:33Carlos,
17:34o meu olhar
17:34na cena do Porto,
17:36o meu olhar de,
17:37quando eu falo
17:38para Gabriel Leão,
17:39né,
17:40gostei do teu jeito,
17:43é literalmente
17:44o que eu já senti
17:45várias vezes
17:46de pessoas
17:47que desmereceram
17:49o meu trabalho,
17:50que quiseram diminuir
17:51o meu cachê
17:52ou o meu serviço,
17:54como eu já fui professor
17:56em escola também,
17:58sabe,
17:59salários baixos,
18:00dizer,
18:00não,
18:01porque só dá para pagar
18:01esse,
18:02saiu sabendo
18:02que podia pagar mais,
18:04então eu transferi
18:07a minha vivência,
18:08não a minha dor,
18:09não joguei a minha dor
18:11no personagem,
18:11eu transferi
18:13a minha vivência
18:14para Vilmar
18:15para ajudar
18:16a eu entender
18:17a dor de Vilmar,
18:19então o fato
18:20de eu vir
18:21cansado,
18:22sujo,
18:23cheio de açúcar,
18:24suado,
18:25limpando as mãos
18:26e querendo saber
18:27quem está atrás
18:27de quem
18:28que veio conversar
18:28comigo,
18:30de cara eu já vi
18:31que eram pessoas
18:31de fora,
18:33são pessoas
18:33que não eram
18:34dali de Recife,
18:35eu vi que eram
18:35pessoas que tinham
18:36a grana,
18:37então eu já fui
18:38com o pé atrás,
18:38saber o que é que se,
18:40como disseram antes
18:41no Big Brother,
18:43seu playboy,
18:43quem são esses playboy,
18:45então eu fiquei
18:47entendendo mais o Vilmar,
18:49porque eu já passei
18:50por isso,
18:51sabe,
18:51de PTGH faz,
18:52Caldini,
18:52só tem tanto,
18:54vai,
18:54e eu sabendo
18:55que a pessoa
18:56tinha condição
18:57de pagar o juro
18:58que eu pedi,
18:59então para mim,
19:00o meu olhar,
19:01ele passa muita verdade,
19:03muita sinceridade,
19:03porque eu já senti
19:04isso na pele,
19:05sabe, Carlos,
19:06me ajudou muito.
19:07Perfeito,
19:07Caldini,
19:08e sobre isso,
19:09eu queria que você
19:10então comentasse o fato
19:11de ter,
19:14vocês entraram para a história
19:15porque é a primeira vez
19:16que o Brasil
19:16é indicado ao Oscar
19:18de uma nova categoria,
19:19de melhor elenco,
19:20de casting,
19:21direção de elenco,
19:22mas enfim,
19:22que está sendo,
19:23obviamente,
19:23ali avaliado
19:25e foi indicado,
19:27é a diversidade do elenco,
19:30essa formação desse elenco,
19:31e que é muito sintomático
19:34que a primeira vez
19:35que essa categoria exista
19:37e que o Brasil exista
19:38nessa categoria
19:38com uma diversidade
19:40tão grande
19:41de rostos,
19:42de corpos,
19:44de gerações,
19:46de formações diferentes
19:47como a de vocês
19:50e que você também representa
19:53nesse filme
19:54não só o ator nordestino,
19:57mas o ator potiguar também,
19:58que muitas vezes
19:59vem de um dos menores estados
20:01do Brasil
20:02e que muitas vezes
20:03não tem o mesmo destaque
20:04até mesmo de estados vizinhos,
20:06do Ceará
20:07ou um pouco mais longe
20:09de Pernambuco,
20:09então assim,
20:11queria que você comentasse
20:12então um pouco
20:12dessa indicação
20:14de melhor elenco,
20:16de ter entrado para a história
20:17com o filme brasileiro
20:18que recebe a primeira indicação
20:19dessa nova categoria.
20:22É uma honra,
20:23no ano que estreia a categoria
20:26eu estava fazendo parte,
20:30na verdade a indicação
20:32é para Gabriel Domingues,
20:33merecidíssimo,
20:35porque conseguir fazer,
20:38montar um elenco
20:40tão diverso,
20:43não é fácil,
20:44quer dizer,
20:45não é só porque é diverso,
20:46ele conseguiu ter uma diversidade,
20:50mas que todos se encaixaram
20:51nos personagens.
20:53é um trabalho árduo
20:55e também exige sensibilidade
20:57de quem escolhe,
20:58então para Gabriel chegar
21:00e mostrar,
21:00olha,
21:01esse aqui é Caio Nunes,
21:03esse aqui é Robério,
21:06esse aqui é Geane,
21:09não é um trabalho muito fácil,
21:10não,
21:10é muito difícil.
21:12Então o que eu espero
21:13é que,
21:14quer dizer,
21:14a gente não sabe nem
21:15como é que é o critério
21:16de avaliação da academia,
21:19porque é o primeiro ano,
21:20então a gente não tem parâmetro,
21:22mas o que eu posso dizer
21:23é o seguinte,
21:24nós,
21:25eu enquanto eu estou
21:26em Potiguar estou feliz,
21:27eu estou com a Alice,
21:28dona Tânia,
21:29estamos representando
21:31o nosso estado,
21:33eu tenho um carinho enorme
21:34pela,
21:35o João Pessoa,
21:36e pouco pela Paraíba,
21:37eu estive na cidade de Remígio
21:40num debate
21:41sobre o agente secreto
21:42e sobre ditadura militar,
21:43sobre direitos humanos,
21:45no cinema de rua
21:46lá de Remígio,
21:47na Paraíba,
21:48então eu tenho um carinho
21:49muito enorme
21:49pelo estado da Paraíba,
21:51e feliz,
21:52porque tem seis atores
21:54paraibanos,
21:56eu quero dizer que
21:58nosso grande concorrente
21:59no Oscar,
22:00nessa categoria,
22:01é Pecadores,
22:03eles têm um
22:05muito bom,
22:07maravilhoso,
22:08na verdade,
22:09só que a gente tem
22:10uma vantagem,
22:11é a diversidade,
22:12porque o nosso país,
22:13ela é tão grande
22:14que você vai olhar
22:15a cena lá da universidade,
22:18e o personagem,
22:20é Irote,
22:21né,
22:21o vilão,
22:22o grande vilão,
22:23fala,
22:24tu és gaúcha?
22:25Sou sim,
22:26sabe,
22:26só que ele fala
22:27de um jeito desprezante,
22:29então essa diversidade
22:30é o que é o grande trunfo
22:33para Gabriel Domínguez,
22:35são muitos,
22:36é muito rosto diferente,
22:38sotaque diferente,
22:39três jeitos diferentes,
22:41eu sei que a gente
22:42não tem parâmetro,
22:43mas o que eu posso dizer
22:44é que a gente
22:45tem que vencer
22:46pecadores,
22:47porque é o grande,
22:48é o grande filme
22:49ali a ser batido
22:50nessa categoria.
22:52E falando um pouco
22:53a mais sobre
22:54essa repercussão
22:55que veio com
22:57esse sucesso
22:58de um agente secreto,
22:59isso já se refletiu
23:00em novos convites
23:01para vocês de trabalho?
23:03Sim,
23:05antes de,
23:06na verdade,
23:07os convites
23:07vieram desde que,
23:09desde que eu gravei,
23:11eu,
23:11quando eu estava gravando
23:12em 2024,
23:13julho de 2024,
23:15em 2024,
23:17eu estava lá
23:17no hotel,
23:18em Recife,
23:19e chegou uma proposta
23:20de trabalho
23:21para gravar
23:22aqui no interior
23:22do Rio Grande do Norte,
23:23na cidade de Caicó,
23:25aí chegou uma proposta,
23:26não aceito e tal,
23:27aí depois de muito tempo,
23:29já agora em 2025,
23:31aí foi que
23:32chegou a data
23:33da gravação,
23:35mas desde então,
23:36o ano passado
23:37eu gravei três filmes,
23:38esse,
23:39Almeidinha,
23:40o filme
23:40Diga a Deus
23:41que vai embora,
23:42e o filme
23:43Aponte
23:44que eu faço
23:44um pastor.
23:45Ah, e um detalhe,
23:46viu Carlos,
23:46o povo só me chama
23:47para fazer policial,
23:48é muito policial
23:49já na minha carreira,
23:50porque o pessoal
23:51acha que eu fiz
23:52filmar e,
23:53ah, vai fazer
23:53só vilão.
23:55Eu fiz muito policial,
23:56não sei porquê,
23:57não tenho nem
23:57cara de policial,
23:58como diria o delegado,
24:00é maior cara de policial,
24:01o cabra.
24:03Aí já fiz muito
24:04e no meio do ano
24:05vai ter mais filmes
24:07para fazer,
24:07não posso falar ainda
24:08porque o contrato
24:10não foi assinado,
24:11mas já tem personagem,
24:12já vi roteiro,
24:13mas mais para o meio do ano.
24:16E você vai a Los Angeles
24:18para a cerimônia
24:19do Oscar?
24:19Como é que está isso?
24:21Eu dependo
24:22da Neon.
24:23A Neon,
24:24ela tem que,
24:26como ela que faz
24:27a campanha,
24:27ela que tem que decidir
24:28quem são as pessoas
24:29que ela quer que esteja lá
24:30para ajudar
24:31nessa campanha.
24:32Eu dependo também
24:33de Emily,
24:34que é a produtora,
24:35a grande produtora
24:37que está indicada
24:37a melhor filme.
24:38Ela é maravilhosa,
24:39viu Carlos?
24:40Ela é uma pessoa
24:40que era massa
24:41você entrevistar a Emily,
24:42a esposa de Cleber.
24:44Ela é uma grande,
24:45uma grande profissional
24:46e cuidou de todo mundo.
24:48Então,
24:48eu dependo também dela,
24:49para saber
24:49se é do interesse deles
24:52que eu esteja lá.
24:53Mas assim,
24:54eu só posso ir
24:55se tiver toda a estrutura
24:57para eu viajar,
24:59para hospedar,
24:59porque em Cannes
25:00foi uma loucura,
25:01sabe,
25:02tirar do bolso e tal.
25:03Graças a Deus,
25:04Emily conseguiu,
25:05junto ao Mink,
25:06a passagem de muitos
25:07dos atores
25:08que foram para a Cannes.
25:12Emily conseguiu,
25:13junto ao Mink
25:13da Cultura,
25:14a passagem de ida e volta.
25:15Mas assim,
25:15hospedagem,
25:16alimentação,
25:18transporte,
25:19tudo foi pessoal, né?
25:21Então,
25:21eu não posso ir para os Estados Unidos
25:22nessas condições.
25:23Não,
25:23não dá.
25:24Tem que ser ou a Nia
25:25ou a Cinemascope,
25:28que é a empresa
25:28de Cleber e Emily,
25:31poder,
25:33posso dizer assim,
25:34bancar,
25:35é saída, né?
25:36Mas isso.
25:37Mas se eu não for,
25:38eu já vou estar junto
25:40no dia da cerimônia,
25:41eu vou estar assistindo
25:42junto com o podcast
25:44Nordestinos pelo Mundo.
25:45Se não estiver lá,
25:46aí vai ter outras emissoras
25:47que já me chamaram.
25:48É isso,
25:48eu vou estar em algum canto.
25:50Sim.
25:51De alguma forma,
25:51ou seja,
25:52você vai estar, né?
25:53Ou na tela,
25:54quando aparecer uma ceninha
25:55do filme,
25:56talvez até apareça você também, né?
25:59E me diz só uma coisa,
26:00assim,
26:00você,
26:02eu queria que você entendesse,
26:03eu queria que você entendesse,
26:03você fala no Nordestinos pelo Mundo também,
26:05que você estava três anos
26:07sem atuar,
26:08antes de fazer esse teste?
26:09Como é que é?
26:09Conta um pouco dessa tua história,
26:11resume um pouco a tua história
26:12antes do teste do Agente Secreto.
26:15Tá.
26:17Comecei em 2009,
26:18com 29 anos de idade,
26:20considerado tarde, né?
26:21Na carreira artística.
26:23Então,
26:23eu fiquei atuando no teatro
26:24de 2009 a 2010.
26:272009 e 2010
26:28foram dois anos
26:28que era só teatro.
26:302011,
26:30entrei no audiovisual,
26:32comecei a estudar
26:33bacharel em cinema
26:34e fazer minhas próprias putas,
26:36escrever,
26:37dirigir.
26:38Por causa do teatro,
26:40eu tive que aprender a dirigir
26:42e a escrever
26:42meus próprios espetáculos de teatro.
26:45Quando cheguei no audiovisual,
26:46eu já estava com o gosto
26:47de contar minhas histórias,
26:48porque desde criança
26:49eu gostava de desenhar
26:50histórias em quadrinhos.
26:51E eu escrevia
26:53minhas próprias histórias,
26:54mas era uma história boba, né?
26:56Eu cresci lendo
26:58revista da Marvel,
27:00da DC Comics.
27:01E quando passou,
27:03quando chegou em 2011
27:04que eu entrei no audiovisual,
27:05então eu fiquei de 2011
27:07até 2016
27:09atuando,
27:10dirigindo,
27:11escrevendo,
27:11preparando, né?
27:12Porque eu sou preparador de elenco,
27:13eu faço mentoria, né?
27:14De atores.
27:17Só que quando virou 2017,
27:19aí eu precisava trabalhar
27:20como diretor
27:22de um programa de TV
27:23voltado para o público infantil.
27:25eu fiquei 17,
27:2718,
27:2819,
27:30até novembro,
27:31até setembro de 2019.
27:33Sem atuar.
27:34E isso aí estava,
27:36sabe, me sufocando.
27:37Ainda consegui gravar um...
27:40Tentei gravar
27:41Onde Nasceu Os Fortes
27:42em 2018,
27:43mas aconteceu um problema
27:44de logística,
27:46não deu certo,
27:47não deu tempo de gravar a cena
27:48e portaram,
27:49tiveram que cancelar a cena.
27:51Foi um dos momentos
27:52mais tristes da minha carreira,
27:53mas que me ajudou muito,
27:54como profissional,
27:56me deixou mais maduro,
27:57né?
27:58Porque todo sofrimento
27:59que acontece,
28:01a gente tem a oportunidade
28:03de tirar um proveito.
28:04Então,
28:04eu tirei um proveito
28:05Onde Nasceu Os Fortes,
28:06que eu não consegui gravar.
28:08Estava eu e o Gabriel Leone,
28:10por incrível que pareça.
28:11Estava eu e o Gabriel Leone
28:12no mesmo camarim,
28:14e ele conseguiu gravar,
28:15eu não.
28:16Mas a gente se encontrou,
28:17né?
28:17Depois eu até falei isso pra ele,
28:19né?
28:19Que a gente se encontrou
28:20num grande filme.
28:21Então,
28:22eu fiquei esse tempo todo dia
28:23só dirigindo e frustrado,
28:24frustrado,
28:25muito frustrado,
28:26porque trabalhar em TV,
28:29né?
28:29Você que é jornalista,
28:30você sabe disso,
28:30trabalhar na TV,
28:32é sempre...
28:33tem que ter conteúdo diário
28:34o tempo todo gravando
28:35e não tinha tempo pra nada.
28:36Eu não tinha tempo pra nada,
28:37de verdade.
28:38Então,
28:38quando eu saí da empresa,
28:40né?
28:41Aí eu pude me dedicar.
28:43Quando eu comecei,
28:44aí estourou a pandemia.
28:46Aí foi quando começaram
28:47os testes
28:48de forma online,
28:50Todo mundo se adaptando
28:51àquele momento.
28:52Foi quando eu entrei
28:53em Cangasso Novo.
28:54Pronto.
28:54Aí a minha vida
28:56não parou mais.
28:58Tipo,
28:58não...
28:59O Cangasso Novo
29:00foi o...
29:01foi o...
29:02foi antes
29:02e depois de Cangasso Novo
29:03a tua carreira,
29:04então.
29:04No audiovisual.
29:05Isso, isso.
29:06Porque eu já tinha feito
29:08outros trabalhos,
29:09mas nada de...
29:10no âmbito nacional
29:11e internacional
29:12como Cangasso Novo.
29:16Você falou nessa entrevista
29:17também uma frase
29:18que me...
29:19achei muito marcante.
29:20Queria que você comentasse
29:21um pouco também.
29:22Você fala assim,
29:23viver de arte dói.
29:24Por que dói
29:25viver de arte no Brasil?
29:30Quando eu digo
29:31viver de arte dói,
29:32é porque não é a arte
29:33que me machuca,
29:34entendeu?
29:35Não é a arte
29:36que traz do...
29:38viver
29:40pela arte,
29:41para a arte.
29:42E a arte
29:42traz um...
29:44traz um...
29:45com ela, né?
29:45Com o prazer de trabalhar,
29:47traz também
29:49sacrifícios.
29:50Traz também
29:51algumas humilhações.
29:53E olha que
29:54eu estou dizendo isso,
29:54não é característica da arte.
29:56É qualquer profissão.
29:57se você deter...
29:59se eu quero fazer
30:00tal profissão
30:00e você quiser
30:02ser o melhor nela,
30:03você vai passar
30:03por muitas situações difíceis.
30:05Então, a arte,
30:06ela me salvou
30:07de muita coisa.
30:08Ela é minha vida,
30:09a arte é a minha vida.
30:11Só que viver dela,
30:12por ela,
30:13exige um sacrifício enorme.
30:14Enorme, enorme.
30:16Vou dar só um exemplo aqui,
30:17rapidinho.
30:18Quando eu comecei
30:20na arte,
30:21em 2009,
30:21eu vinha do ramo
30:25eu vinha de empresa
30:26particular,
30:27privada, né?
30:28Então, eu ganhava bem.
30:30Eu era CLT,
30:31mas ganhava bem.
30:32Claro, eu era solteiro,
30:33então era mais fácil.
30:35Mas eu ganhava bem,
30:36não era endividado,
30:37não sei o que,
30:38não sei o que,
30:38aquela coisa todinha.
30:40Quando eu entrei na arte,
30:41para viver da arte,
30:42eu fui consciente,
30:43consciente mesmo
30:44que ia ser difícil.
30:46Mas várias vezes,
30:47Carlos,
30:47várias vezes eu contei moedas.
30:49Várias.
30:50para uma passagem de ônibus.
30:52Não era nem caro,
30:54na época.
30:54Não era.
30:55Mas eu estava lá contando.
30:58Na faculdade,
30:59jantando pipoca.
31:01Aqui em Natal...
31:02Ah, não, para aí,
31:03acho que você lembra
31:04de poca box.
31:06Sim, é um clássico.
31:08É um clássico.
31:09Então, eu jantei
31:11muito de poca box
31:12na faculdade,
31:13à noite,
31:13e chegava mais de meia-noite
31:15em casa,
31:15porque eu era na Zona Sul,
31:18a faculdade,
31:18eu morava na Zona Norte.
31:20Então, assim,
31:21dói viver de arte
31:22por causa desses desafios,
31:24por causa, muitas vezes,
31:25de a família olhar para você
31:26e dizer assim,
31:27e aí,
31:27você não vai trabalhar, não?
31:28Não, mas eu já trabalho.
31:30Eu sou ator.
31:31Mas, assim,
31:32eu enfrentei muita coisa,
31:33ainda enfrento algumas coisas,
31:35mas, assim,
31:35eu tenho mais maturidade
31:36para lidar com as coisas
31:37hoje em dia.
31:39Eu consigo orientar
31:41os meus alunos,
31:43que hoje em dia
31:45eu estou mais atuando,
31:46então eu dou poucas aulas.
31:47coisas, né?
31:48Mas, assim,
31:49eu tiro essa coisa do...
31:52eu tiro essa coisa
31:53do romantismo,
31:55da arte, sabe?
31:56Eu digo para as pessoas
31:57que, gente,
31:58quer fazer arte,
31:59não abandone o seu emprego,
32:01não abandone a sua renda,
32:02a renda que você já tem,
32:04tente conciliar
32:05para chegar um dia
32:07que você vai ver
32:07só da sua arte.
32:09Aí você pode deixar
32:09aquela renda que você tinha,
32:11aquele trabalho
32:11que você achava
32:13cansativo,
32:14então, assim,
32:14nada de ficar romantizando
32:15aquilo que
32:16é conquistado com esforço,
32:18que é conquistado
32:19com muita luta.
32:21Então,
32:21eu estar conversando
32:22com você aqui,
32:23Carlos,
32:23é um prazer.
32:25Dá-me uma alegria
32:25estar sendo entrevistado
32:26por um paraibano
32:27radicado em Minas,
32:29para o estado de Minas,
32:30esse veículo
32:31que tem um alcance
32:33muito grande,
32:34para mim é uma honra
32:35e eu sei que
32:37esses momentos
32:38que eu estou aqui
32:38conversando com você
32:39e com a audiência
32:41que vai assistir
32:43essa entrevista,
32:44eu sei que foi a arte
32:45que me trouxe até aqui,
32:47todo esforço,
32:48sabe?
32:50Muitas orações,
32:50eu fiz muita oração,
32:51meu Deus,
32:52por que eu estou passando
32:53por isso?
32:54Sabe?
32:54Muitas vezes eu me questionava
32:55por que eu estou passando
32:55por isso,
32:56por que luta?
32:57Mas eu nunca reclamava,
32:59eu dizia assim,
32:59eu não quero mais isso,
33:00eu não quero...
33:00Não,
33:00nunca pensei em desistir,
33:02já deu medo,
33:03né?
33:03Eu disse,
33:03caramba,
33:04eu vou fazer o que
33:04se não der certo?
33:06Mas nunca reclamei,
33:07eu não quero essa vida,
33:08não,
33:08eu só questionava,
33:10né?
33:11Caramba,
33:11por que é tão difícil?
33:12Mas estou aqui,
33:14estou aqui,
33:15sabe o que é que me perguntam,
33:17Carlos?
33:17Esse homem deve estar
33:18ganhando ele demais,
33:19né?
33:19Porque esse homem
33:19dá muita entrevista,
33:20eu falei,
33:20meu amigo,
33:20entrevista não se paga não,
33:22meu amigo,
33:22pelo contrário,
33:23pelo contrário,
33:24a gente,
33:25eu estou aqui,
33:29vocês estão me abençoando com esse espaço
33:32para poder conversar,
33:34para poder falar um pouco da minha vida,
33:35e eu estou abençoando vocês com o fato de eu estar representando a gente secreta,
33:40então eu digo para as pessoas,
33:41meu amigo,
33:42não tem preço não,
33:43não tem preço,
33:44eu estou aqui com o Carlos,
33:46Carlos Marcelo,
33:47estive agora há pouco pela manhã,
33:49na CBN Natal,
33:51mais tarde estarei na TV,
33:53na Rádio Rural,
33:55enfim,
33:56todo veículo que eu vou,
33:58eu só lembro de todas as lutas que eu passei,
34:00Carlos,
34:00então eu estar aqui conversando com você,
34:01me lembre de todas as lutas que eu enfrentei,
34:04e valeu a pena estar aqui com você.
34:06E todas as lutas que todos nós passamos,
34:10quando chega um momento como esse,
34:11também é um momento de celebrar,
34:13de agradecer,
34:14e sobre isso,
34:16eu queria,
34:16para a gente encerrar,
34:17eu queria que você comentasse,
34:18você já comentou nessa entrevista,
34:20que as gravações das suas cenas foram na ordem inversa
34:25da que o personagem aparece na tela,
34:26então essa última cena foi a cena do galpão,
34:29onde há o encontro do Vilmar com os dois matadores,
34:33que vem do Rio de Janeiro,
34:35como é que foi a gravação dessa cena,
34:37com Ronei Villela e com Gabriel Leone,
34:40o que o Kleber Mendonça te pediu nessa cena,
34:43e como é que foi o final da gravação dessa cena,
34:45que era a sua última diária.
34:49O final,
34:50o final foi maravilhoso.
34:54Eu,
34:55antes de começar,
34:58eu,
34:59quando eu fui fazer o Vilmar,
35:00eu estava magro,
35:02como eu estou hoje,
35:03eu tive que ganhar peso,
35:05eu ganhei quase seis quilos,
35:07aproximadamente,
35:08porque ele ficava oscilando o peso,
35:12quase seis quilos só de músculo,
35:14então eu fiquei com um pouco bonito,
35:16ficou legal,
35:17ficou a cara de uma pessoa que trabalha carregando o peso,
35:20que é um estivador.
35:22Então,
35:23o Kleber já gostou,
35:24que eu estava bem fisicamente,
35:26deu tempo de ficar mais forte,
35:27porque foi a última gravação.
35:31Ele pediu que a gente ficasse mais seguindo o roteiro mesmo,
35:37bem direitinho,
35:38sem improvisar.
35:38Ele não queria que a gente avançasse para cima do outro,
35:43para querer peitar.
35:45Não,
35:45ele disse,
35:45a marcação é essa.
35:47Fica paradinho,
35:48porque na hora que a gente for editar,
35:50vai ser um rosto do outro,
35:52um rosto do outro,
35:54eu até falei isso para Gabriel Leone,
35:56que não precisa avançar e tal,
35:58que ficaria bom também,
36:00a pessoa avançar,
36:00meu irmão,
36:01tu não sei o que,
36:02não,
36:03ele deixou tudo fixo,
36:04e manda o texto,
36:05manda o texto,
36:05e teve leves improvisos,
36:08não da minha parte,
36:09mas tipo,
36:10o Rony fez um improviso muito bom,
36:12muito bom mesmo,
36:14e Kleber deixou.
36:18Claro,
36:18essa cena foi a que eu mais fiquei,
36:20um pouco inseguro com o texto,
36:22porque só tinha ensaiado eu e o Rony,
36:25mas não com o Gabriel,
36:26e nem com outro ator,
36:28então era bom que os quatro
36:29tivessem ensaiado,
36:30sabe?
36:31Mas enfim,
36:32você viu que ficou muito boa,
36:33aí beleza,
36:34o Kleber orientou a gente,
36:36ficar fixo,
36:37se manter no texto e tal,
36:39e eu sempre com a energia,
36:44ah,
36:44esse é um detalhe muito importante
36:45para eu falar do final,
36:47eu estava com muita energia,
36:49de raiva,
36:51sabe,
36:51de revolta,
36:53porque eu sabia que eu ia ser humilhado,
36:55né,
36:55pelo personagem de Gabriel,
36:57então por isso que meus olhos,
36:58meus olhos já é grandes,
36:59com os olhos assim,
37:01porque eu estava com muita fúria dentro de mim,
37:03mas não podia
37:05explodir,
37:06não podia.
37:08Aí,
37:08quando você guarda muita energia,
37:10muita emoção,
37:12sentimentos que você está ali reprimindo,
37:14uma hora ela vai sair,
37:15aí beleza,
37:15aí terminou a cena,
37:17aí eu fui me sentar na cadeira,
37:18perto de Kleber,
37:19esperar,
37:19né,
37:20eles revisarem a cena,
37:22aí ficaram lá revisando,
37:23e eu aqui,
37:23esperando,
37:24a gente gravou várias vezes,
37:28quando ele me chamou,
37:29ele falou,
37:31vem cá,
37:33hoje é seu outro dia,
37:34é,
37:36mandeário,
37:37ele está certo,
37:39tá bom,
37:39a gente terminou já,
37:41viu,
37:42foi,
37:43foi,
37:43foi muito bom,
37:44eu fiz,
37:45de verdade,
37:45foi,
37:45foi muito bom,
37:46e ele me agradeceu,
37:47sabe,
37:48ele fez,
37:48não,
37:48eu fiz assim,
37:49claro,
37:49muito obrigado pelo presente,
37:50eu marco um presente na minha vida,
37:52ele fez,
37:52não,
37:52rapaz,
37:53sou eu que agradeço você ter aceitado,
37:56aí pegou e fez,
37:58Felipe,
37:59chama aí todo mundo aqui,
38:00aí eu fiz,
38:01ah,
38:01ele vai fazer algum discurso,
38:03eu imagino,
38:04ah,
38:04ele vai fazer algum discurso de agradecimento,
38:06beleza,
38:07quando ele,
38:08juntou todo mundo,
38:09junta aqui,
38:09pessoal,
38:10aí ele falou,
38:10gente,
38:11hoje é,
38:12a última diária de Caio Nhi,
38:15gravamos todos a cena de Vilmar,
38:17ele vai pra casa agora,
38:19quando ele falou isso,
38:19eu me segurei pra não chorar,
38:21disse,
38:21não,
38:21vou chorar,
38:23uma salva de palmas pra Caio Nhi,
38:26quando o conversário bateu,
38:27parecia uma chuva,
38:28um galpão gigantesco,
38:30parecia uma chuva,
38:32pega aplauso,
38:33aplauso,
38:33aí não aguentei,
38:35não,
38:35comecei a chorar,
38:36e vieram me abraçar,
38:37chorando,
38:38muita gente chorando,
38:39muita gente chorando,
38:40me abraçando,
38:41aí eu chorava mais ainda,
38:42aí o cara do som fez,
38:43rapaz,
38:44eu vou lhe dar um abraço,
38:44mas deixa eu tirar o meu microfone primeiro,
38:46deixa eu tirar o meu microfone,
38:48rapaz,
38:48foi mágico,
38:49e depois eu fui dar entrevista pra Vitrine Filmes,
38:51a distribuidora,
38:52né,
38:52aqui no Brasil,
38:54eu com os olhos marejados,
38:54dá pra ver no Instagram lá,
38:56na entrevista,
38:57eu com os olhos marejados,
38:59é difícil falar dessa cena,
39:01é difícil,
39:01esse momento,
39:02né,
39:02dessa cena,
39:02é difícil,
39:03porque foi muito marcante,
39:06e era o momento que você se despedia do Vilmar também,
39:09né,
39:09assim,
39:10exatamente,
39:11era uma despedida dupla,
39:12que o Vilmar deixava,
39:14assim,
39:14o teu,
39:14né,
39:14deixava o teu,
39:16não o teu corpo,
39:17mas assim,
39:17ele ficava só na tela agora,
39:18né,
39:18mas ele não mais pertencia a você,
39:20ele estava agora na,
39:21já na,
39:22no registro,
39:23né,
39:23então,
39:24eu queria que,
39:25que você encerrasse essa nossa entrevista,
39:27vou te pedir duas coisas,
39:28uma,
39:28uma primeira,
39:29que é o seguinte,
39:30o Kleber Mendonça,
39:31ao ganhar o Globo de Ouro,
39:33ele fez questão de direcionar o discurso dele
39:35para os jovens realizadores,
39:36né,
39:36para dizer para eles,
39:37que eles deveriam estar filmando,
39:40documentando,
39:40registrando o que está acontecendo na realidade,
39:42tanto nos Estados Unidos,
39:43como no Brasil,
39:44mas enfim,
39:45ele direcionou um recado dele para,
39:46para quem está começando agora,
39:48então,
39:48eu queria que você também aproveitasse,
39:50obviamente,
39:50a gente não está no Globo de Ouro,
39:51mas está aqui no,
39:52no,
39:52no Estado de Minas,
39:54no Portal Wire,
39:55queria que você direcionasse o seu recado agora,
39:57para quem está começando na arte de atuar no Brasil.
40:01Quero dizer a todos vocês,
40:03não importa a sua idade,
40:05se você tem o sonho de ser ator,
40:07atriz,
40:09diretor,
40:09roteirista,
40:11diretor de arte,
40:13qualquer departamento do audiovisual,
40:15não importa a sua idade,
40:16se você é estudante de cinema,
40:18se você está trabalhando no escritório agora,
40:20nesse exato momento,
40:21no escritório,
40:21e não é seu sonho,
40:22seu sonho é estar trabalhando com cinema,
40:25quero dizer a você,
40:26e,
40:27primeiro que não desiste,
40:29não enterre seu sonho,
40:30existem vários cursos gratuitos,
40:34para quem quer estudar,
40:36não precisa abandonar o teu emprego,
40:38para você entrar nessa arte,
40:40como eu falei lá no início,
40:41se mantenha,
40:43os seus recursos,
40:44para você também não,
40:45não passar necessidade,
40:47e dizer que,
40:49Kleber está certo,
40:50nós queremos ouvir a história de vocês,
40:52novas histórias,
40:54queremos que os jovens,
40:56entendam que o,
40:57que a arte,
40:58ela emprega muita gente,
41:00especialmente o audiovisual,
41:02então,
41:03você que tem a oportunidade,
41:06aproveite,
41:07que agora,
41:07nós temos políticas públicas,
41:10editais,
41:11principalmente de fomento,
41:12como o Leipau Gustavo,
41:14o Leipau de Blanco,
41:16leis que,
41:16que vão proporcionar,
41:18a cada um de vocês,
41:19cada um de vocês,
41:21jovens,
41:22pessoas que desistiram,
41:24agora querem voltar,
41:25vocês têm a oportunidade,
41:26nós temos agora,
41:27como investir,
41:28por causa do governo atual,
41:30também,
41:30que investe muito,
41:32eu quero,
41:33eu quero ser dirigido por vocês,
41:35você que é um jovem diretor,
41:36uma jovem diretora,
41:37eu quero ser dirigido por você,
41:39então,
41:40não desista,
41:41e invista.
41:43Maravilha,
41:43Kauni,
41:44muito obrigado por essa entrevista,
41:45e só para encerrar,
41:46depois eu queria continuar conversando contigo,
41:48fora dessa gravação,
41:50mas,
41:50então,
41:51eu queria pedir para você,
41:53uma última palavra,
41:55na verdade,
41:55algumas palavras,
41:56que é,
41:56você deve lembrar ainda,
41:57certamente,
41:58de algumas das falas mais marcantes,
42:00do teu personagem,
42:02eu queria que você dissesse,
42:04duas dessas falas,
42:06como o Kauni diz,
42:07e como o Vilmar disse na tela,
42:09até para a gente entender,
42:11a diferença do tom,
42:12e do teu trabalho nesse ponto,
42:15então,
42:15assim,
42:15primeiro,
42:16o Kauni lendo isso,
42:18como qualquer um de nós,
42:19e depois,
42:20aí entra o Vilmar,
42:21para fazer a mesma cena,
42:22por favor,
42:23obrigado.
42:24Tá,
42:26vou fazer uma do Porto,
42:30como o Kauni,
42:31tá,
42:31primeiro,
42:33você vê esse bicho,
42:35foi com tua cara não,
42:37agora o Vilmar,
42:41não sei,
42:42eu vejo esse bicho,
42:44não sei que estou a cara não,
42:48e,
42:49vai outra,
42:50Armando,
42:54Armando,
42:56Armando,
42:57agora Vilmar,
43:01Armando,
43:03Armando,
43:07excelente,
43:08Kauni,
43:08acho que aí já tem uma aula,
43:09de interpretação,
43:12numa ceninha,
43:12duas cenas maravilhosas,
43:14queria te agradecer muito,
43:14por essa entrevista,
43:16e só para encerrar,
43:17já que a gente está falando aqui,
43:18com a audiência de Minas Gerais,
43:19comenta um pouco,
43:20se você não chega a contracendar,
43:21com o Carlos Francisco,
43:22vocês não tem nenhuma cena juntos,
43:24né,
43:25com o Carlos Francisco,
43:26rapaz,
43:28eu sou doido,
43:28eu sou doido para ir visitar vocês aí,
43:31por causa,
43:31não só por causa de Carlos,
43:32mas o que eu quero conhecer muito,
43:34os pontos turísticos,
43:36tanto de Belo Horizonte,
43:37como de todo o estado,
43:39Carlos Francisco,
43:41a gente contracena,
43:42mas sem contracenar,
43:43você não chegou a filmar ainda?
43:47Ainda não,
43:48estou aberto a propostas,
43:52aí Carlos,
43:53eu contracendo com ele,
43:55mas,
43:57sem ele saber,
43:58porque eu estou perseguindo ele no filme,
44:00eu estou seguindo,
44:01não persegui,
44:02não,
44:02eu estou seguindo o personagem dele,
44:03isso é um dos motivos que fez muitas pessoas
44:06terem raiva de Vilmar,
44:08porque achavam que eu ia matar o sogro,
44:11o sogro de Wagner,
44:13aí o pessoal fica aliviado,
44:15porque, graças a Deus,
44:16não fez nada com o personagem,
44:20de ser o Alexandre,
44:21mas eu gosto mais de Carlos,
44:22o Carlos é muito massa,
44:23a gente estava hospedado no mesmo hotel,
44:26pegava a mesma van para ir para as gravações,
44:29muito bom,
44:30muito bom a gente estar junto,
44:31eu espero visitar vocês e trabalhar novamente com o Carlos,
44:33mas com mais interação dessa vez.
44:36Maravilha,
44:36Calni,
44:37obrigado por essa entrevista,
44:38para a gente,
44:39espero muito sucesso,
44:40já veio o sucesso,
44:41mas que o Oscar não apenas venha a estatueta,
44:45mas que mais do que isso,
44:46que venha mais oportunidade de trabalho,
44:48para que pessoas como você,
44:50todo esse elenco,
44:52indicado ao Oscar,
44:53mas que na verdade nem é importante ter essa chancela,
44:56mas ela não é o essencial,
44:58acho que o reconhecimento do público brasileiro,
45:01com o filme chegando a 2 milhões de espectadores,
45:03talvez seja para a nossa cultura,
45:05até mais importante do que a chancela de uma estatueta,
45:09mas claro que vai fazer muito bem,
45:11porque vai dar uma visibilidade muito maior,
45:13para o trabalho de vocês,
45:14então queria parabenizar vocês,
45:16e dizer que já estamos na torcida também.
45:18Muito obrigado Carlos,
45:19ao Estado de Minas,
45:21sucesso para vocês também,
45:22e eu espero estar pessoalmente aí na redação,
45:26para conhecer vocês,
45:27conhecer toda a turma aí,
45:28muito obrigado e sucesso.
45:31É por essa oportunidade de estar aqui com a gente,
45:34acompanhando essa entrevista,
45:36e a gente volta numa outra oportunidade,
45:39para falar mais sobre a cultura brasileira,
45:41no espaço da entrevista,
45:43que a gente tem aqui no Estado de Minas.
45:45Grande abraço.
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