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O jornalismo da Jovem Pan News recebe o professor de relações internacionais, Danilo Porfírio, para analisar a estratégia militar dos Estados Unidos na escalada do conflito contra o Irã. O especialista afasta o temor de que o mundo presencie um desgaste semelhante ao ocorrido na Guerra do Iraque.


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Transcrição
00:00Com o professor de Relações Internacionais, que está com a gente agora, é o Danilo Porfírio.
00:06Professor, bom dia, bem-vindo ao Jornal da Manhã.
00:10Bom dia, meus amigos, estamos aqui à disposição.
00:13Professor, eu relembro a guerra Estados Unidos e Iraque,
00:17e pegou muito mal uma guerra a longo prazo, com mortes ali americanas.
00:24Trump pode estar caindo no mesmo erro de antigamente
00:28se se prolongar e vidas americanas forem perdidas,
00:33ele pode levar a popularidade dele num nível muito abaixo por conta dessa guerra, professor?
00:41Primeiramente, o que eu queria expor é que a estratégia de ação do Trump,
00:46agora, é muito diferente da guerra do Iraque desenvolvida no governo do George W. Bush.
00:53A guerra do Iraque era uma guerra onde nós tínhamos não só uma ação de ar,
01:00mas uma ação inteira, uma ocupação.
01:03É aqui que é a causa do desgaste.
01:06Trump, necessariamente, pelo menos o que observamos agora,
01:12não está comprometido com uma ideia de ocupação,
01:18mas de ataque aéreo.
01:22Ele mesmo, né, o próprio, a estrutura, o staff americano diz,
01:27uma ação ampla, massificada, que visa, visa atacar, né,
01:35de forma, vamos dizer, alegadamente cirúrgica,
01:40centros de desenvolvimento, pesquisa nuclear,
01:45áreas militares e sítios burocráticos, governamentais.
01:51Inclusive, dando um alegado recado.
01:57A ação não é contra a sociedade iraniana,
02:01é contra o regime iraniano.
02:03Porque, no plano do governo americano,
02:06o intuito é intimidar, desmobilizar, né,
02:12desmobilizar e dissuadir o regime.
02:16E incitar por parte da sociedade iraniana,
02:20o que? Uma mobilização de o que?
02:23De derrocada ou emparedamento do regime.
02:26Então, eu não vejo que essas ações teriam
02:32a mesma perspectiva de desgaste
02:35que nós tivemos na guerra do Iraque.
02:38A não ser que a missão fracasse,
02:41fragorosamente.
02:42Ou seja, os objetivos não sejam alcançados.
02:45Especificamente aqui, é a questão da desmobilização do projeto nuclear.
02:50Só para completar, Nonato,
02:52Trump mesmo colocou no discurso,
02:54quando nós acabarmos, assuma o seu governo.
02:56Ou seja, ele não tem, como o professor explicou,
02:59essa vontade de ocupação.
03:01Ô, professor, mas aí,
03:02esse é um ponto importante até pelo histórico da população do Irã.
03:08que é uma população que,
03:09há pouco a gente trazia aqui a opinião do Fabrício Naitz,
03:12que tem muita resistência
03:14ou até mesmo não gosta dos Estados Unidos.
03:17Os Estados Unidos foram muito tempo chamados de Grande Satã por lá
03:20e o Pequeno Satã era Israel.
03:21Ou seja, são os dois países
03:23com os quais a população iraniana
03:25não tem muita familiaridade, vamos dizer assim,
03:28principalmente pós-revolução de 1979.
03:32O Trump pode atingir o objetivo
03:35de fazer com que a população se volte contra o regime
03:37ou, por outro lado,
03:39pode fazer com que a população se junte ao regime
03:41para enfrentar um inimigo externo.
03:43Porque é uma possibilidade ou não?
03:45Nonato, é a pergunta de ouro que você fez.
03:48Porque nós sabemos realmente
03:50que o histórico de hostilidades
03:56entre Estados Unidos e Irã é longo,
04:00inclusive a queda do, vamos dizer,
04:04o colapso do regime de Reza Palévre,
04:07estava também associada
04:10à presença norte-americana no país.
04:14Lembre-se que antes do, vamos dizer assim,
04:21da ascensão ou da consolidação do poder
04:24do então rei Reza Palévre,
04:27tivemos na década de 50 um governo,
04:30o governo de Mossadegh,
04:31que foi derrubado por uma intervenção
04:33da inteligência americana.
04:37Todo um aparelhamento de Estado no governo
04:40de Reza Palévre foi organizado
04:43em torno do apoio norte-americano.
04:45Então, há uma associação, sim,
04:47de opressão, de uma hostilização.
04:51Mas os americanos, dentro,
04:54e aqui digo, Nonato,
04:56da miopia ocidental,
04:57eu sempre gosto de usar esse termo,
05:00o olhar que o Ocidente tem
05:02em relação ao Islã político
05:05e ao Oriente Médio específico,
05:07é sempre muito miúpi,
05:09é contar que, hoje,
05:12a classe média iraniana
05:15não está satisfeita com o regime.
05:19Classe média que apoiou historicamente o regime.
05:21E que, o quê?
05:22Vendo essa situação de instabilidade se intensificar,
05:27iria às ruas.
05:28Só que, como você mesmo disse,
05:31os Estados Unidos são o grande Satã,
05:33Israel são o pequeno Satã.
05:36Então, há uma possibilidade,
05:38mas aqui vamos ter que acompanhar
05:40para ver se há uma oposição da população
05:43ou uma mobilização da população
05:45em prol do governo,
05:47ou seja, mais um sopro de vida para o regime.
05:49Eu ainda tenho minhas dúvidas
05:53se o regime vai ter esse fôlego
05:56para se manter diante da cadeia de fracassos
06:01que o governo iraniano sofreu aí nos últimos anos.
06:05Você veja, né, Márcia,
06:06e quem nos acompanha pela explicação do professor,
06:09que o Irã há muito tempo
06:11não tem um regime democrático
06:12como a gente considera aqui no Ocidente, né,
06:14porque saiu do governo Mossadegh lá em 1953
06:16por ação da inteligência americana
06:18e outras nações também
06:20de olho no petróleo iraniano.
06:22Teve uma ditadura monárquica
06:25do Shah Reza Palev também
06:27cortando o direito em muita gente
06:28e depois cai o Shah em 79
06:31com a volta do Khomeini do exílio
06:33entrando na ditadura da teocracia.
06:35Ou seja, os iranianos não viveram ainda
06:38essa democracia que a gente considera
06:39aqui no Ocidente.
06:41O Fabrício Naitski, professor,
06:42tem uma pergunta para o senhor também.
06:44Fabrício.
06:44Professor, bom dia.
06:46Você mencionou agora há pouco
06:47a questão da miopia ocidental
06:49em relação ao Oriente Médio.
06:51A informação que a gente tem
06:52é de que o chefe
06:55do conjunto do Estado-Maior
06:58lá dos Estados Unidos,
06:59o general Don Cain,
07:00Don Cain, perdão,
07:02não conseguiu garantir a Donald Trump
07:04quais seriam as retaliações do Irã,
07:08o tamanho da resposta iraniana
07:11e o risco que isso representaria
07:13aos militares norte-americanos
07:16em caso de ataque.
07:17Por que os Estados Unidos,
07:19o que levaria os Estados Unidos,
07:21então, a estarem tão mal informados
07:23em relação ao Oriente Médio
07:25na sua avaliação?
07:27Fabrício, sempre bom falar com você.
07:30Primeiro, quando eu falo de miopia,
07:33é a miopia no entendimento
07:35da situação política
07:37e do pensamento do Islã político.
07:40Como o Nonato estava falando,
07:45o Irã nunca experimentou democracia,
07:48Fabrício, nunca.
07:50Nunca.
07:51Se vamos falar de uma tentativa
07:53de democracia com Mossadegh,
07:56que dura pouco tempo,
07:58esse é o ponto.
07:59E até onde o Ocidente está compromissado
08:03e os Estados Unidos estão compromissados
08:06a levar os valores democráticos,
08:08a tradição iussoniana.
08:10Esse é o ponto.
08:11O segundo ponto é o seguinte.
08:14Há um grande problema de acesso
08:17à informação que é a causa,
08:19inclusive, das medidas interventivas,
08:23preventivas,
08:25tanto de Israel quanto dos Estados Unidos.
08:26Qual é o estado atual
08:28do programa nuclear iraniano?
08:33Lembre-se que a Agência Internacional
08:35de Energia Nuclear chegou a ter o quê?
08:38Relativo acesso,
08:39não conseguiu ter todas as informações.
08:43Então, este é o grande problema.
08:45Sabemos com certeza
08:46que o Irã ainda tem
08:49uma tecnologia de ponta
08:51na produção de mísseis,
08:53de drones,
08:55de mísseis de longo alcance.
08:57Mas a grande pergunta é
09:00tem tecnologia nuclear militar bomba?
09:06Parece-nos que não.
09:08Dois, bombas sujas?
09:11Pode ser que sim.
09:14Esse é o temor, inclusive,
09:16dos aliados sunitas do Oriente Médio.
09:20Até onde nós temos o quê?
09:21Essa situação é ameaçadora contra nós.
09:26Então, é por isso que eu volto a insistir.
09:29O governo americano, Fabrício,
09:32não está, em princípio, comprometido
09:34com o colapso do regime,
09:37mas com o enfraquecimento do regime.
09:40Ele está forçando uma dissuasão.
09:44Porque uma situação de instabilidade
09:47pode ser perigosa.
09:48E vou levantar mais um ponto
09:49que nós temos que cogitar.
09:52O Nonato lá me lembra muito disso.
09:54Você também, Fabrício, conhece isso.
09:56A nossa colega também sabe.
09:58Que o Irã, na Revolução de 79,
10:04recorreu ao jihadismo xiita,
10:06a medidas de terror.
10:10Num caso de emparedamento,
10:13até onde o quê?
10:14Nós não teremos de novo o quê?
10:16Ações terroristas.
10:17Vocês acabaram de falar
10:19que o consulado no Iraque foi atacado.
10:23Professor...
10:24Essa é a minha preocupação.
10:26Então, o grande problema chama-se
10:27instabilidade local.
10:29Essa é a preocupação dos sauditas.
10:31Professor, o senhor continua com a gente.
10:33Só um minutinho.
10:34É que o Luca Bassani agora
10:35tem prioridade,
10:37que tem novas informações chegando.
10:38Luca?
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