00:00Porque a gente vai conversar ao vivo agora com o venezuelano, cientista político, o José Leon, ele que viveu por muitos anos, claro, aqui no Brasil, vive ainda no Brasil,
00:11mas está acompanhando de perto todo esse conflito, porque os venezuelanos ali em Pacaraima, divisa com o Brasil, buscaram um abrigo aqui no nosso país,
00:21uma situação precária, muitos deles comemoraram, alguns estão preocupados caso a Venezuela se torne uma colônia dos Estados Unidos,
00:27com essa situação geopolítica, então, tudo isso a gente precisa avaliar e por isso que eu quero conversar com quem, de fato, acompanhou todo esse regime
00:36e agora pode nos dar informações ao vivo. Vou pedir para o pessoal, então, colocar aqui o José Leon, para a gente, então, conversar ao vivo.
00:44Muito bom dia. Quais são as informações que são vindas também na Venezuela, os parentes que ainda estão por lá, os venezuelanos com quem você conversa,
00:54qual que é o clima nesse momento?
00:57Bom dia, obrigado a todo o pessoal da Morning Show, agradeço o nome da Venezuela, dos venezuelanos também,
01:05na diáspora pela oportunidade por essa janela de informação e me dá também a possibilidade de expressar essa gratidão ao Brasil pelo acolhimento nesses momentos.
01:16Olha, as primeiras impressões que a gente recebe dos parentes diretos, familiares, é uma tensa calma, né?
01:24As pessoas tentam segurar a tranquilidade, mas sabem que há uma emoção contida por dentro, uma alegria que custa expressar diante ao medo também que continua no país,
01:35porque sabemos que há apenas uma mudança de cabeça dentro de um regime que tem uma estrutura ainda forte,
01:42ainda dentro das características de uma ditadura que pode punir aqueles que se manifestarem publicamente de forma alegre pela captura do ditador Nicolás Maduro.
01:53Por outro lado, algumas pessoas demonstram preocupações relacionadas às questões possíveis do dia a dia,
02:00acesso às itens, né? Questões de alimentos, gasolina, água, algumas regiões do país que já estavam de difícil acesso,
02:08isso aqui possa ser uma característica de piorar o acesso a essas questões.
02:13Por outro lado, algumas amizades também manifestam algum contentamento, porque dentro da questão do resgate à democracia,
02:21a captura do regime da cabeça de Nicolás Maduro permite dar os primeiros passos para que a democracia volte à Venezuela.
02:30E a gente entende que esse processo é um processo que pode demorar muito tempo,
02:34porque não é só a mudança de alguma parte da cúpula, mas também o resgate da própria institucionalidade,
02:40ou seja, seria tirar todas essas pessoas que hoje são presidentes do Conselho Eleitoral, Tribunal Judiciário,
02:47para colocar ou chamar a um novo nomeamento dessas autoridades no país.
02:54E isso, de fato, não pode partir de quem hoje ainda governa a Venezuela,
02:58porque sabemos que vão continuar colocando os seus aliados.
03:01Então é importante também retratar que há essa preocupação, não só pela questão de segurança,
03:08mas também pela questão de continuidade desse regime, enquanto estrutura política, enquanto estrutura militar,
03:14que continua repreendendo e apressando pessoas na Venezuela e violando direitos humanos.
03:20Posso passar para a Priscila Silveira fazer a próxima pergunta?
03:23Bom dia, Carlos Leão. Satisfação falar contigo.
03:25Na sua opinião, você acha que tem uma possibilidade de intervenção militar por parte dos Estados Unidos,
03:31ou é só uma pressão política e econômica?
03:34Olha, alguns meses atrás, essa prisão que se expressava no Mar Caribe,
03:41parecia não... as pessoas não acreditarem que isso poderia ter um passo a mais
03:46diante o que parecia apenas ser uma pressão contra o regime do Maduro.
03:51Hoje a gente viu como... a gente está vendo, na verdade, como uma força militar entrou no país
03:57e fez uma extração do governante, do chefe daquele regime,
04:02e não houve, de alguma forma, uma resistência a um conflito estendido.
04:07Segundo as explicações do próprio Donald Trump, toda a força militar envolvida,
04:13foi uma extração que durou poucos minutos.
04:16Então, a gente entrevesse uma intervenção militar ou uma invasão militar,
04:22se isso vai ser ou não uma forma de pressão, hoje caiu por terra. Por quê?
04:27Porque foi fato, foi viável e aconteceu.
04:32Então, o regime está, digamos, de alguma forma quebrado a nível de segurança.
04:37Hoje também circulou a notícia de que 32 militares cubanos,
04:41que faziam parte central da segurança do Nicolás Maduro, acabaram sendo mortos.
04:46Então, toda essa questão de entender que apenas é uma pressão, não é só isso,
04:51é uma questão de mostrar que o regime está dentro de si, também fraturado,
04:57porque não conta com recursos para impedir a uma potência da dimensão dos Estados Unidos
05:03poder fazer, tanto no Caribe quanto em solo terrestre, alguma ação que considerar necessária.
05:09Como já foi dito também, que eles estão preparados para uma segunda onda,
05:13se a administração que está hoje do Estado venezuelano não condiz ou não conduzir as coisas
05:19como eles estão pensando que devem ser conduzidas.
05:23Sem dúvida alguma. Gustavo Mesquita.
05:25Bom, primeiramente, bom dia.
05:27E eu quero, na sua pessoa, expressar toda a minha solidariedade, respeito ao povo venezuelano,
05:33que eu penso que, de todas as preocupações, essa deve ser a primeira.
05:36O bem-estar do povo venezuelano.
05:38E aí, na sua condição de representante legítimo, alguém que tem, de fato, lugar de fala para expressar,
05:45eu queria te perguntar, na sua percepção, claro, mas a sua percepção é mais acurada do que a de todos nós aqui,
05:53qual que é o sentimento real do povo venezuelano diante desse ocorrido,
05:58diante da captura de Maduro, diante das perspectivas do que pode ocorrer?
06:04A gente assiste muitas manifestações que, a nosso ver, a meu ver, pelo menos,
06:09transmitem a ideia de que, na sua grande maioria, o povo venezuelano está feliz, está animado, está esperançoso.
06:16Até porque, diante do grau de sofrimento e de miséria que estava enfrentando,
06:21a sensação que fica é que qualquer coisa seria melhor.
06:23O pessoal fala muito em petróleo.
06:26E aí eu vi uma venezuelana falando,
06:27olha, o nosso petróleo já foi há muito tempo.
06:30Nós já não somos mais do nosso petróleo.
06:31Nosso país já vem sendo invadido, explorado há muito tempo.
06:35Então, eu sinto, pelo menos, que, na sua maioria, o povo venezuelano está feliz e está esperançoso
06:42diante de novas perspectivas.
06:45Essa é a sua visão também?
06:48Sim, compartilho de grande parte das suas palavras também, como minhas, em relação a essas sensações.
06:53Eu acredito que, como venezuelano, desde o primeiro dia,
06:57é um estado de choque que todos os venezuelanos sejam dentro ou fora da Venezuela.
07:03Primeiro, de acreditar que é algo que, por muitos anos,
07:07vimos, na verdade, como algo impossível de acontecer,
07:12porque muitas pessoas também criticam,
07:14como você citou, a questão do petróleo,
07:16que a extração do Nicolás Maduro teria mais relacionado uma parte comercial,
07:20como se isso fosse algo novo, alguma surpresa que a gente tem.
07:23Mas, na verdade, é um sentimento que os venezuelanos,
07:27que por muitos anos foram nas ruas, de forma pacífica,
07:31apenas desde 2013, 2014, começaram as protestas,
07:35até por medidas econômicas, que estavam já conduzindo o país
07:38por uma crise humanitária que veio se expressar anos depois.
07:41Não é um sentimento de hoje, de 2026, que está acontecendo tudo.
07:45Já vem de 12 anos que o regime de Maduro começou,
07:48e, inclusive, antes, com o governo do Hugo Chávez,
07:51mas que as protestas de 2014, 2015, 2016 e, na subsequência,
07:56foram reprimidas, seguindo as ordens do Nicolás Maduro.
08:01Então, essa sensação de um tempo inagotável,
08:04um tempo infinito em que provocou a saída de milhões de venezuelanos.
08:09Eu sou parte desses nove milhões e deixei todos os meus parentes para trás.
08:14Tenho irmãos também espalhados no Chile, na Colômbia.
08:17E eu, assim como expresso essa sensação de alegria, faço minha também,
08:22as suas palavras, os milhões de venezuelanos também estão nessa questão.
08:26É uma sensação de justiça que, mesmo tendo demorado tantos anos,
08:31hoje se expressa. Por quê?
08:33Enquanto chefe de Estado, o Nicolás Maduro era o principal responsável
08:38por aqueles delitos contra a humanidade.
08:40E não são falas de hoje o Carlos Júcel Leão, que está aqui com vocês,
08:44ou até de vocês mesmos.
08:46São falas que estão hoje em denúncias oficializadas no Tribunal Penal Internacional,
08:51aguardando também mais de duas mil vítimas que estão ali,
08:55onde se prova que as forças do Estado venezuelano,
08:59de segurança do Estado venezuelano,
09:01cometeram crimes de direitos humanos contra a humanidade,
09:05seguindo ordens da própria figura do Nicolás Maduro.
09:08Então, todo esse cúmulo de emoções, hoje, também recolhe em parte da preocupação,
09:14porque nós sabíamos que, se algo desse tipo pudesse acontecer,
09:18pode vir alguma retaliação, apesar de que a própria Deuce Rodrigues
09:23já está falando em trabalhar em conjunto com o Donald Trump
09:27para recuperar, para fazer alguns vínculos em resgate e união
09:32de ambos os países nos próximos meses.
09:35Mesmo assim, a gente mantém a preocupação,
09:37porque pode surgir uma onda de presos políticos
09:40para usarem como negociação.
09:42Então, é fato estarem preocupados os venezuelanos hoje,
09:45tanto fora quanto dentro,
09:47mas não, nada disso vai tampar a sensação de justiça
09:50que nós estamos sentindo hoje,
09:52que não para com o Nicolás Maduro.
09:54Temos outras figuras, como Deus dado cabejo,
09:56Padrino Lopes,
09:58que estão ainda na Venezuela,
10:00com um cargo,
10:01os próprios irmãos Rodrigues,
10:02com cargos de liderança chaves dentro dessa estrutura
10:06acusada de financiadora do narcotráfico e o narcoterrorismo internacional.
10:11Bom, muito obrigado, então, pela participação do Carlos José León,
10:17ele que é cientista político venezuelano,
10:20explicou muito bem para a gente sobre toda essa situação,
10:23muitos parentes, então, não só no Brasil, mas no Chile, enfim,
10:27fragmentando a família por conta desse regime ditatorial de Nicolás Maduro.
10:32Muito obrigado pela participação aqui no Morning Show.
10:33Eu que agradeço a todos pela oportunidade
10:37e o Brasil em especial por ter nos acolhido durante todo esse tempo.
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