No Check Up desta semana, o doutor e apresentador Claudio Lottenberg, relembra os melhores momentos abordados ao longo do ano de 2025 no programa. A ginecologista Ana Paula Beck, fala sobre os sintomas e o famoso “calorão” da menopausa. A pediatra Mariana Nudelman explica a importância da amamentação e como funciona o sistema do banco de leite. Outubro Rosa também é uma campanha importante que visa os cuidados do câncer de mama, o oncologista Antônio Frasson fala sobre sintomas e tratamentos.
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00:002025 caminha para o final. O nosso check-up teve aí uma série de oportunidades que trouxe a você
00:08para aprimorar o seu conhecimento. Em cima disso, nós fizemos uma retrospectiva a respeito de saúde da mulher.
00:16Eu tenho certeza que você vai gostar bastante.
00:23CECAP Jovem Pan, com o doutor Cláudio Lothenberg.
00:27Com o passar dos anos, não é infrequente que alguém já tenha ouvido falar sobre o calorão,
00:34um dos sinais da menopausa.
00:38O ciclo da menopausa vai além de ondas de calor durante o dia ou ainda pela noite.
00:44Essa fase traz diversos sintomas, como aumento de peso, cansaço muscular,
00:48além de mexer também com o psicológico da mulher, alterando seu humor e até agravando a sua ansiedade.
00:54A menopausa precoce, que geralmente acontece na média dos 40 anos de idade,
00:58é também uma preocupação que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres.
01:03Para ter uma ideia, segundo os dados do IBGE, 30 milhões de mulheres estão vivendo no período
01:08entre climatério e menopausa e têm sua qualidade de vida comprometida.
01:13Isso corresponde a quase 8% da população feminina.
01:16E para falar sobre a menopausa, vai ser muito bom a gente poder escutar, ouvir e ver a doutora Ana Paula Beck.
01:27A menopausa é um marco, é a última menstruação.
01:31A gente considera, depois de um ano da última menstruação, que essa paciente está na menopausa.
01:37E o climatério são os anos que circundam antes e depois desse ponto, desse marco.
01:46Em geral, 5 a 8 anos antes e 5 a 8 anos depois, que são quando a gente tem todos os sintomas muito característicos.
01:55É muito comum a gente misturar e falar tudo menopausa.
01:59Ah, a paciente está na menopausa.
02:02Mas a gente usa climatério, perimenopausa, para determinar esse tempo de sintomas antes e depois.
02:11Acho que o primeiro contato que qualquer jovem tem, mesmo médico, com esses termos, acontece na sua própria casa, com a mãe, com a avó.
02:19E hoje a gente vê todo o contexto da mulher inserida no campo de trabalho.
02:24Algumas optando, inclusive, em ter filhos mais tarde.
02:27Nós vamos até falar alguma coisa sobre endometriose.
02:30Mas eu queria saber se essa mudança, ela também afeta a ocorrência da menopausa.
02:36Ela pode, de certa forma, ser retardada?
02:41Ela pode acontecer precocemente?
02:43Como é que você pode descrever esse cenário dos tempos e momentos?
02:48Infelizmente, a gente não consegue atrasar a menopausa.
02:52A gente ainda gostaria de ter essa situação, mas a gente ainda não tem.
02:56A menopausa precoce já existe, que é quando essa situação, a parada da menstruação acontece antes dos 40 anos.
03:06E isso acontece em 1% das situações.
03:11As mulheres, sim, hoje em dia elas falam mais sobre isso.
03:15A gente estava falando como elas têm abordado mais o assunto de menopausa, porque é um assunto que as mulheres hoje estão no mercado de trabalho.
03:27Hoje elas falam com as amigas, elas estão mais ativas, saudáveis e querem também cuidar da vida, da saúde.
03:35E a menopausa, muitas vezes, tem alguns sintomas que interferem nisso.
03:39E para isso que a gente tem abordado mais o assunto.
03:43E quais são esses sintomas e, particularmente, sobre o sentido psicológico?
03:48Existe algo que a gente possa utilizar como a descrição de um perfil?
03:53Isso vem associado à depressão, à ansiedade ou isso nada tem a ver?
03:58Tem muita, muita relação, muita relação com ansiedade, depressão, uma irritabilidade muito grande.
04:05Tem muita mulher que fala, eu não me reconheço mais.
04:09Essa é uma fala muito comum do consultório.
04:11Eu já não me reconheço, doutora.
04:13Eu era uma pessoa calma, eu vinha, eu fazia, eu trabalhava.
04:17Isso está interferindo na minha vida pessoal, está interferindo no meu trabalho.
04:21Porque eu conversava, agora, qualquer coisinha eu me irrito, isso traz uma ansiedade,
04:30porque aí a pessoa acha que por qualquer coisa vai perder o controle.
04:34Então, ela vai ficando mais ansiosa e depressiva.
04:37A depressão também é um sintoma muito comum da menopausa.
04:42Isso está sendo muito conhecido, essa correlação.
04:47Tem ainda outros, por exemplo, o sono inquieto.
04:54A gente tem uma insônia por conta dos calores noturnos.
04:58E isso traz o quê?
05:00Essa névoa mental que a gente chama hoje.
05:04A névoa mental, a paciente tem o quê?
05:07Ela tem uma perda das palavras, ela perde algumas capacidades.
05:12Algumas pessoas têm uma capacidade muito grande de fazer conta de matemática,
05:18que ela começa a sentir essa perda dessa capacidade cognitiva.
05:23E isso está relacionado também à menopausa.
05:26Então, a gente começa a entender hoje, né, essa névoa, essa incapacidade até de tomada de decisão.
05:33Isso, de certa maneira, quer dizer, dentro de um grau de conscientização.
05:37A pessoa percebe isso, o que corrobora, na verdade, por uma piora do entendimento daquele momento.
05:44Então, quando a gente fala que aqueles que convivem com uma mulher em uma fase de menopausa
05:49têm uma certa compreensão em relação ao momento, é uma afirmação correta.
05:55Com certeza, né?
05:56A gente conversa com elas e muitas vezes eu falo, traz o seu marido.
06:02Traz o marido na consulta, que eu vou conversar com ele, eu vou explicar, vou explicar como acontece,
06:09o que acontece com os hormônios, por que eles descem, a falência ovariana.
06:13E aí, ele vai se sentir, né, o marido, às vezes o filho ou quem estiver ao redor daquela pessoa,
06:22para ele se sentir mais capaz de entender e apoiar, né?
06:27Porque a gente precisa do quê? Do apoio, do entendimento.
06:31E aí, muitas vezes o tratamento, ele depende de... ele é sutil, às vezes, né?
06:38E até que vai acertar esse tratamento, a gente precisa que eles tenham compreensão.
06:44Você falou de algo que, para mim, parece muito importante na medicina atual, né?
06:48O envolvimento da família no acompanhamento das doenças, né?
06:52Os desdobramentos dentro do entorno daqueles com quem você convive, né?
06:56Mas, por outro lado, claro, a gente recai na raiz da discussão da saúde, que é justamente a genética.
07:03A genética interfere na questão da menopausa, de que forma?
07:06E você enxerga no futuro alguma interferência de natureza genética que possa mudar a questão da menopausa
07:13a ponto de, justamente, poder prolongar o período menstrual?
07:16A gente tem, sim, uma relação genética, tanto que a idade da menopausa da mãe, ela é um indício da menopausa da pessoa.
07:28Então, a gente sempre pergunta com que idade a sua mãe entrou na menopausa, suas irmãs,
07:33que é para a gente já entender se, de fato, ela tem ou não, os sintomas estão próximos.
07:40Então, a gente sabe.
07:41E se aquela família é uma família que sofre muito com os sintomas,
07:47em geral, ela é uma candidata a ter os mesmos sintomas.
07:52Então, essa é uma genética que a gente sabe que está relacionada.
07:58Ainda tem alguns estudos sendo feitos com relação ao que a gente pode fazer,
08:05mas ainda são sem sucesso para retardar.
08:09A gente tem muito estudo com tratamento, mas para retardar, assim, sem tratamento, ainda não temos.
08:17Eu falei há pouco sobre a endometriose, falei sobre as mulheres tomando pílulas, né?
08:23Adiantando o seu período de reprodução e, logicamente, tudo uma repercussão dentro do perfil do surgimento da própria endometriose.
08:32A mulher que tem ou teve endometriose, ela tem uma interferência no tempo para o qual a menopausa irá acontecer
08:39ou não existe correlação nenhuma?
08:40As mulheres que têm endometriose na menopausa, elas se beneficiam da menopausa,
08:47porque elas, teoricamente, melhoram os sintomas.
08:50No entanto, elas também têm a contraindicação relativa de usar o uso do hormônio,
08:58porque elas voltam a ter dor e os incômodos da endometriose.
09:03Nesse caso, elas têm que fazer esse balanço entre os sintomas da menopausa e os sintomas da endometriose.
09:10O que, de fato, elas vão conseguir adequar nesse momento e o que vai ser mais desafiador,
09:19as dores da endometriose ou os sintomas da menopausa.
09:22Então, elas continuam sofrendo por conta da endometriose ainda na menopausa.
09:29Quer dizer, o fato de você chegar à menopausa significa que vai melhorar a sintomatologia da endometriose.
09:35Entretanto, a reposição hormonal que você usaria na menopausa faz com que reacendam os sinais,
09:41os sintomas da endometriose.
09:43Mas eu acho que não tem alguém na face da Terra que nos escuta sobre os calores, né?
09:49Você explicaria para a gente o que são esses calores e há o que fazer no sentido de amenizar?
09:54Sim.
09:55Iniciando pela parte final, tem o que fazer.
09:58Hoje, a gente já tem várias medicações para tratar os calores.
10:03E por que a gente tem esses calores e esse famoso calorão das mulheres, né?
10:08Os famosos fogachos.
10:11A gente tem a queda do estrógeno, que é o principal hormônio que cai na menopausa.
10:16O estrógeno, ele regula a temperatura corporal.
10:19Então, a primeira coisa é a gente perde um pouco do controle da temperatura corporal.
10:25A segunda, o estrógeno atua também no hipotálamo.
10:30E com isso, a gente perde uma segunda forma de controlar os calores, a temperatura corporal, que é central.
10:38E isso, aí, quando o corpo sente o calor, a gente não consegue fazer esse controle adequadamente.
10:47Então, ela sente um calor ainda maior.
10:49E aí, por isso, a gente tem os famosos calores da menopausa.
10:53A amamentação é algo muito maior do que um ato fisiológico.
10:58É uma troca de amor, é uma troca de experiências.
11:02É um aprofundamento.
11:03Para falar sobre o assunto, CheckUp entrevistou a doutora Mariana Nudelman,
11:07que simplesmente fala tudo a respeito desse assunto.
11:10Confira.
11:11Cláudio, é um prazer estar aqui nesse mês tão especial, Agosto Dourado.
11:16Eu não sei se você sabe por que chama Agosto Dourado.
11:19Não.
11:19Não sabe?
11:20Conta pra gente.
11:21Porque o leite materno, ele é o padrão ouro pra alimentar os bebês.
11:25Então, sendo o padrão ouro, virou o Agosto Dourado, em homenagem à amamentação.
11:29Mas olha que interessante, você partiu de um ponto que é um mito, né?
11:34Porque as pessoas discutem muito a questão da alimentação.
11:37Você fala que a alimentação é o padrão dourado.
11:41Alguma coisa substitui o leite materno?
11:43O leite materno, de fato, é insubstituível.
11:47O leite materno é insubstituível.
11:50Eu posso dizer que ele é insubstituível.
11:52Porque o leite materno, não existe nada igual em termos de composição, a proteção que ele gera pra esses bebês.
12:01Desde o nascimento, ele é rico em carboidratos, em proteínas, enzimas, imunoglobulinas que protegem contra infecções, alergias.
12:10Ele é tão poderoso que ele tem esse poder até de evitar diabetes, hipertensão, obesidade.
12:19Ele não só protege o bebê, ele protege a mãe.
12:22Porque ele protege contra câncer de mama, câncer de ovário.
12:25Ele tem todos esses fatores muito especiais.
12:28Você falando isso, eu lembro que quando eu estudava medicina lá atrás,
12:32as pessoas diziam, pode amamentar durante os dois anos de vida.
12:36E o resto passa a ser o resto.
12:39Isso é realmente algo verdadeiro?
12:41Sim.
12:42A Sociedade Brasileira de Pediatria, Paulista de Pediatria, Americana,
12:47se incentiva, aleitamento exclusivo até os seis meses de idade e a depois continuar até os dois anos.
12:54Mas isso vai também depender muito da mãe, da criança, quando que a mãe tem que retornar ao trabalho,
12:59se ela tem ajuda com essa criança.
13:01São muitos fatores.
13:02A mãe não está sozinha nessa jornada.
13:05Isso é muito importante, a gente apoia essas mães na amamentação.
13:08E por isso que existe o mês de agosto dourado,
13:10para a gente incentivar a importância da amamentação,
13:13dar apoio para essas mães,
13:15fazer todo esse movimento para essa nutrição desse bebê que é tão importante.
13:19A gente pode dizer, portanto, que é uma questão de cultura.
13:23E para isso a gente tem que fortalecer, inclusive, o entendimento familiar.
13:28Você citou algo que para mim foi realmente bastante significativo.
13:34A importância da amamentação para a mãe.
13:38Fala um pouquinho sobre isso.
13:39Exatamente.
13:40Para a mãe é muito importante, não só para ela desde sempre criar esse vínculo com o bebê.
13:44A gente já ouviu falar, alguns já ouviram falar sobre a depressão pós-parto.
13:48Então, a mãe criar desde sempre esse vínculo com o bebê quando nasce.
13:53Você sabe, Cláudio, que nas maternidades a gente incentiva muito a golden hour.
14:00Golden hour é a primeira hora pós-parto do bebê que a gente tem que colocar esse bebê
14:04enquanto está incentivado a colocar o bebê no colo da mãe.
14:08Mesmo que ela tenha passado por um parto cesárea,
14:11assim que possível o bebê é colocado em contato com a mãe para sugar.
14:15Não é com uma ideia de nutrir o bebê,
14:17mas com a ideia de formar esse vínculo, de formar essas conexões desde sempre.
14:21E para a mãe isso é muito importante.
14:23Então, como eu falei, o aleitamento materno, ele ajuda a mãe a prevenir os cânceres
14:27porque ele diminui o nível de estrogênio liberado pelo corpo e isso diminui alguns cânceres também na mãe.
14:33E quando o leite não é suficiente, é de pouca quantidade,
14:37você pode fazer com que haja estímulo para a produção do leite materno para a mãe?
14:41Sim, é muito importante nessa fase a mãe ter ajuda, porque a mãe precisa descansar,
14:47ela precisa se alimentar adequadamente, tudo isso para favorecer a produção do leite para esse bebê.
14:52Uma mãe sozinha, ela infelizmente é difícil dar conta, né?
14:57Existem também situações em que o bebê nasce e a mãe às vezes encontra-se impossibilitada de amamentar.
15:03Ou porque ela teve alguma intercorrência pós-parto, ela está internada em uma unidade semi-intensiva,
15:08ou infelizmente a mãe foi a óbito.
15:11E a gente precisa fornecer o leite humano para esse bebê, não necessariamente da mãe, mas o leite humano.
15:16E existem os bancos de leite, existem mais de 200 bancos de leite.
15:20Então, a mãe pode recorrer à situação.
15:22O próprio hospital, na verdade, vai recorrer a esses bancos.
15:25Não é qualquer mãe, qualquer bebê que tem direito a receber esse leite.
15:29Mas sim, os internados, hospitalizados, bebês prematuros têm direito a receber esse leite.
15:35O banco de leite é uma realidade que salva vidas.
15:38E nós nos interessamos e fomos visitar de perto o banco de leite.
15:43Confira conosco.
15:45O banco de leite é um sistema de apoio para as mães e para os bebês.
15:50O doutor Cláudio Lothenberg foi até o banco de leite do Hospital Israelita Albert Einstein
15:56para uma conversa com a nutricionista sênior do setor materno-infantil Vanessa Ramiz
16:01e com o gerente médico do setor materno-infantil Albert Busso.
16:05Entenda como funciona e qual a sua importância.
16:10Vanessa, como funciona um banco de leite no dia a dia?
16:14Então, um banco de leite que pertence à rede global de bancos de leite humano,
16:18ele funciona captando doação de leite externo daquelas mães que estão em casa
16:24e que elas têm um excedente e gostariam de doar.
16:27E esse leite vai principalmente para os prematuros de uma UTI neonatal.
16:31E tem todo um cuidado com esse leite.
16:33Então, a gente precisa ter as sorologias dessas mães, dessas doadoras,
16:37sorologias de HIV, hepatite B, C, HTLV.
16:40Esse leite, ele é processado, então ele vai ser pasteurizado,
16:44onde a gente elimina as bactérias, vírus, para então poder ser doado para um bebê.
16:50Então, os bancos, eles controlam tanto as doadoras, quanto o controle microbiológico do leite.
16:55Você que é um pediatra que tem experiência e que vive a realidade dentro de um grande hospital, Albert,
17:00você sente que as mães estão mais sensíveis quanto à oportunidade de doar o seu excedente?
17:06Com certeza, Cláudio. As mães estão muito envolvidas, muito engajadas nisso.
17:11É um ato de amor, é um ato que dá um benefício enorme para os prematuros
17:17e eles só têm a ganhar com isso uma alimentação muito mais apropriada,
17:22muito mais adequada para esses bebês prematuros que têm um leite específico melhor,
17:28mais direcionado para o bebê.
17:30Melhor leite para eles.
17:32Na verdade, a gente está falando muito sobre isso, porque existe como que fosse uma competição da indústria
17:39no sentido de ter um discurso que muitas vezes leva a entender o contrário.
17:45Por isso que eu acho que é importante para a gente poder mostrar essa realidade
17:48e o próximo passo é a gente mostrar o dia a dia como é dentro da estrutura do próprio banco de leite.
17:54Vamos lá?
17:55Vamos nessa.
17:55Vamos.
17:56Bom, vamos entrar agora aqui, essa estrutura do banco de leite aqui no Hospital Isarito Albert Einstein.
18:04Vanessa, que é nutricionista especializada no assunto, o doutor Albert, que é o diretor da área
18:09e, portanto, aqui é uma oportunidade de você aprender que este gesto pode mudar a realidade de muitas crianças
18:16que precisam em muito, lembrando que o leite materno, certamente aquilo que há de melhor,
18:22alguns dizem até em cerca de dois primeiros anos de vida de cada um dos recentes.
18:26E aí
18:35E aí
18:45E aí
18:54E aí
19:03Aqui a gente mostra como é que funciona a coleta de leite através da bomba, né?
19:31Então, até para a mãe não ficar assustada, né?
19:33Porque ela tem a expectativa de amamentar diretamente o seu bebê.
19:36Mas essa é a forma que ela tem de ajudar o seu filho, o filho de outras mães, através da extração mecânica.
19:42Então, ela recebe a orientação de como massagear a mão, engenhar as mãos e aí utilizar uma bomba de extração
19:49ou mesmo uma coleta manual, também é possível.
19:52Simples, né, Albert?
19:53Certo. Gestos simples de enorme valor. Agrega muito e salva vidas.
19:59Isso mesmo.
19:59Salva vidas, nossa responsabilidade.
20:03O sistema de bancos de leite humano é um apoio fundamental para mamães e bebês.
20:0910 ml desse leite podem amamentar até 10 bebês.
20:13De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, existem mais de 200 unidades de bancos de leite.
20:19E a doação pode ser feita em uma dessas unidades por qualquer mulher saudável
20:24e que não esteja sob uso de medicamentos que possam interferir na amamentação.
20:30Nós também não podíamos esquecer de uma campanha muito importante, que é o Outubro Rosa,
20:36a prevenção do câncer de mama.
20:38Para falar sobre o assunto, recebemos o doutor Frasson, que é um grande especialista no câncer de mama.
20:45Confira.
20:46O câncer de mama, ele é o principal e mais frequente câncer na mulher?
20:51Sim. Câncer de mama é a patologia oncológica mais frequente na mulher.
20:57Em muitos países. Em alguns países, câncer de coluterino é mais prevalente, mas não é a realidade do Brasil.
21:03Aqui, nas mulheres, carcinoma de mama é o mais frequente.
21:06Qual é o rastreamento que todas as pacientes devem fazer a partir de um certo momento de vida,
21:13para que possa ser detectado mais precocemente?
21:17Normalmente, o que nós procuramos, em primeiro lugar, Claudio,
21:20é identificar se a pessoa tem um risco familiar ou não.
21:24E aí nós dividimos o rastreamento de acordo com o risco.
21:27Por exemplo, quem tem mutação em BRCA1 tem uma chance de desenvolver câncer de mama até os 50 anos de 50%.
21:36Então, não adianta começar o rastreamento aos 40 como se faz normalmente.
21:40Depois de passar essa etapa de avaliação de risco, para pessoas sem risco familiar ou genético,
21:48o começo do rastreamento deve ser feito a partir dos 40 anos com mamografia,
21:53mas qualquer queixa mamária deve ser considerada independente da idade.
21:59Então, pessoas que têm, por exemplo, 30 anos e têm uma queixa mamária,
22:03isso não deve ser subestimado porque o rastreamento começa aos 40.
22:07O que você chama de uma queixa mamária e o que falar sobre o autoexame?
22:12Dores, desconforto, observação de uma área nodular,
22:17abaulamento, alteração da forma, presença de secreção.
22:22São as queixas mamárias mais comuns.
22:24Então, se uma pessoa com 25 anos, por exemplo, refere que apareceu um nódulo de mama,
22:29ele tem que ser investigado.
22:30Nós observamos um aumento de incidência em mulheres mais jovens,
22:35especialmente em países em desenvolvimento.
22:38Então, aquela coisa da idade, a partir de 50 anos, câncer de mama é mais comum depois de 50.
22:44Nos países em desenvolvimento, e o Brasil é um deles,
22:48a incidência de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos vem aumentando progressivamente.
22:55Então, qualquer queixa mamária, a partir de qualquer idade,
22:57a princípio deve ser respeitada, deve ser considerada e deve ser investigada.
23:01Quando a gente fala de endometriose, nós sabemos que as questões de uma gravidez mais tardia,
23:07o uso mesmo de pílula anticoncepcional, isso tem uma interferência.
23:11Ao que você pode atribuir essa questão de observarmos justamente no Brasil
23:16uma incidência de câncer de mama mais precoce?
23:19Acho que houve uma série de mudanças comportamentais que influenciaram
23:23neste aumento de incidência em pessoas mais jovens.
23:25As pessoas naturalmente passaram a se alimentar muito mal,
23:29as pessoas estão ficando mais obesas,
23:33há um aumento de incidência de pessoas mais obesas,
23:36alimentação super inadequada.
23:38O estilo de vida mudou muito em relação aos fatores de risco,
23:41especialmente aos fatores hormonais.
23:44As pessoas estão tendo filhos mais tarde, estão amamentando menos,
23:47estão tendo menos filhos.
23:49Fatores que eram considerados protetores em relação ao risco hormonal,
23:53também modificaram muito.
23:56Não se sabe exatamente o que aconteceu, né, Cláudio,
23:59em relação a por que este aumento de incidência,
24:01mas é uma soma de fatores comportamentais que provavelmente
24:05fez com que a incidência em mulheres mais jovens aumentasse.
24:08Agora, a gente tradicionalmente observa, você falou há pouco,
24:12da marca dos 40 anos.
24:15Paciente assintomática, sem queixa nenhuma,
24:18autoexame praticamente inocente e detectou uma imagem.
24:22Quais são os passos subsequentes no sentido de explorar isso?
24:25Então, a recomendação formal para quem é assintomático
24:28é começar com exames de imagem aos 40 com mamografia,
24:32porque a mamografia é o único método capaz de fazer prevenção de câncer,
24:36porque identifica sinais antes que tenha um carcinoma de mama invasivo.
24:41Existem uma série de achados da mamografia,
24:44basicamente microcalcificações,
24:47deposições de sais de cálcio que só a mamografia é capaz de ver,
24:50a ressonância e o ultrassom só vêm em uma fase mais avançada,
24:55e que muitas vezes são lesões precursoras,
24:57que antecipam o diagnóstico de um tumor.
24:59Então, aos 40 anos, começar com mamografia
25:02e, se precisar, complementar com o ultrassom e com ressonância.
25:06Quando a gente olha uma mamografia,
25:08a gente procura basicamente quatro coisas.
25:11Se tem microcalcificações, se tem nódulos,
25:14distorções de parênquima, densidades assimétricas.
25:17E, a partir daí, começa a investigação.
25:19A investigação, além dos recursos de imagem,
25:23quando está indicado fazer uma biópsia?
25:25Toda vez que existir uma imagem que não é característicamente benigna.
25:30O que significa isso?
25:32Microcalcificações agrupadas,
25:35nódulos irregulares,
25:37densidades assimétricas,
25:39você tem uma densidade numa mama e não tem na outra,
25:41ou áreas de distorção de parênquima.
25:44E, nestes casos, está recomendado biopsiar.
25:48Porque nem toda alteração que aparece na mamografia
25:51é um tumor de mama.
25:53Muitas alterações são benignas,
25:55outras alterações são pré-malignas.
25:58E, hoje, não se opera absolutamente ninguém
26:00sem que a gente tenha um diagnóstico antes da cirurgia.
26:03De acordo com o Instituto Nacional de Câncer,
26:08para cada ano do triênio de 2023 a 2025,
26:13a estimativa é de 73 mil novos casos de câncer de mama no Brasil.
26:18Em 2024, mais de 4 milhões de mamografias foram realizadas.
26:23Ainda para cada ano deste triênio,
26:26a região sudeste possui o maior número de casos,
26:29registrando quase 40 mil e, em 2022,
26:33foi considerada a região com o maior número de mortes
26:37por câncer de mama.
26:39Por aquilo que eu acompanho,
26:41hoje, trabalhar com câncer de mama
26:44é uma coisa que exige uma sofisticação técnica
26:47por parte do profissional.
26:49Quando você olha para o Brasil,
26:51como está a capacidade de resolver a questão do câncer de mama?
26:55Eu acho que existe uma distribuição adequada de mamógrafos.
27:00Acho que existe uma distribuição adequada de estruturas.
27:03É claro que a qualidade é muito importante
27:06e o quanto as equipes levam a sério também
27:09as queixas das mulheres e os achados
27:12é extremamente importante.
27:15Acho que a gente pode melhorar um pouquinho
27:17a questão da qualidade.
27:19Não é o número de mamógrafos que falta.
27:21o que falta muito é que as mulheres
27:23se disponham a procurar algo
27:26antes que apareça clinicamente.
27:28Se a gente fizer um levantamento
27:30sobre quantas mulheres no Brasil
27:32e que estaria recomendado fazer mamografia
27:35para diagnóstico precoce ou para rastreamento
27:37realmente fazem,
27:39este número é em torno de 12%
27:41das candidatas a fazer o exame.
27:44Então existe ainda uma falta de conscientização
27:47muito grande por parte da maioria das mulheres
27:50em realmente buscar um diagnóstico precoce.
27:54A maioria das pessoas espera que apareça alguma coisa
27:57e se aparece nega
27:59porque ainda existe um grande temor
28:01em relação ao câncer.
28:03As pessoas ainda não entenderam
28:05que fazer um diagnóstico precoce
28:06realmente é capaz de salvar a vida da pessoa.
28:10Não existe nenhuma tecnologia,
28:13não existe nenhum recurso técnico
28:15que seja mais eficaz
28:17do que um diagnóstico precoce.
28:19E o Check-Up fica por aqui.
28:22Agradecemos todo o apoio
28:23daqueles que nos ajudaram
28:25a formatar este programa,
28:26de vocês que assistiram e deram apoio.
28:29Nós temos certeza que 2026 será ainda maior.
28:33Qualquer dúvida,
28:34querendo escrever sugestões,
28:36escreva
28:36doutorcláudio.com.br
28:40A opinião dos nossos comentaristas
28:56não reflete necessariamente
28:58a opinião do Grupo Jovem Pan
29:00de Comunicação.
29:05Realização Jovem Pan News
29:07com os amigos.
29:08E aí
29:13E aí
29:15E aí
29:17E aí
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