00:00Uma corte federal americana considerou as tarifas impostas por Donald Trump como ilegais
00:06e o governo americano agora vai precisar ir à Suprema Corte para tentar reverter a decisão.
00:13Em resposta, o republicano chamou o tribunal de altamente partidário
00:18e afirmou que as taxas vão continuar em vigor.
00:22Enquanto isso, o Brasil acelera o processo para retaliar.
00:26Para que a gente possa analisar esse cenário, o Jornal da Manhã recebe o professor de Economia do IBMEC Brasília,
00:34João Gabriel de Araújo. Professor, muito bom dia, obrigada pela entrevista.
00:40Bom dia, eu que agradeço.
00:42Bom, essa decisão na sua avaliação representa uma derrota para Donald Trump nessa guerra tarifária
00:48e nesse momento já é possível saber qual deve ser o alcance dessa decisão para o Brasil?
00:56Bom, sempre uma decisão negativa com relação à posição do governo é uma derrota popular,
01:08uma derrota feita por agentes ali que são controladores e fiscalizadores.
01:14Então sim, com certeza é uma derrota.
01:17E o efeito para o governo, principalmente o efeito para o setor externo mundial,
01:22para o Brasil, que tem tido uma tarifa muito árdua,
01:27é benéfico para esses demais agentes, essas demais instituições.
01:35Professor, bom dia.
01:37Professor, do ponto de vista, se nós analisarmos a relação histórica Brasil-Estados Unidos,
01:42sempre houve superávit do lado justamente norte-americano,
01:47que era um processo muito sadio de fato.
01:49Então nós poderíamos estar no final da fila aí nessa discussão de novas tarifas.
01:55Mas tudo aconteceu também, uma politização mistura com decisões judiciais,
02:00a influência da família Bolsonaro.
02:02Claro, ouvimos há pouco agora que o governo não vai aceitar, evidentemente,
02:06qualquer tipo de negociação que envolva mexer com a justiça brasileira
02:10e nem pode fazer isso.
02:11Esse discurso de soberania tem ganhado força, tem dado popularidade ao presidente.
02:17E a gente chegou num ponto que parece que agora,
02:19nós ouvimos agora a comissão lá na Assembleia,
02:22todo mundo querendo dialogar, que haja conversa.
02:25Mas é o que parece o Brasil está satisfeito agora.
02:27O presidente também subiu sua popularidade.
02:29O setor produtivo está desesperado aí, tenta o que fazer.
02:33Mas o Brasil promete até colocar lei de reciprocidade.
02:37Mas parece que está tudo bem, né?
02:38Parece que, do ponto de vista político, é o que está valendo mais, professor?
02:44Bom, dadas as iniciativas que foram dadas por parte da oposição,
02:50em especial ali pelo Eduardo Bolsonaro,
02:52de ter ido aos Estados Unidos fazer essas negociações e tratativas, né?
02:59Com certeza isso foi um tiro, né?
03:05Um tiro falho por parte da oposição,
03:09que acabou que teve como reflexo o aumento da popularidade do atual presidente,
03:15que é governista, né?
03:17Então, com certeza, para o governo atual,
03:22tudo o que tem sido feito pela oposição, por essa parte da oposição,
03:27tem sido desastroso e tem aumentado muito a popularidade do governo atual.
03:33A questão é que não está tudo bem, né?
03:36Nós teremos muitos setores afetados,
03:39em escala, numa escala de dominó,
03:42nós teremos praticamente todos os setores brasileiros afetados,
03:45o que vai condicionar com que no Brasil você tenha um efeito econômico muito trágico
03:54e você tenha perda de emprego, redução de produtividade,
03:58você tenha também a condição de ter que fazer estoque interno
04:04se a gente não conseguir fazer escoamento desses produtos, né?
04:08Então, para a economia e para o cidadão brasileiro,
04:12com certeza isso não é positivo.
04:14Mas, politicamente, isso foi o que trouxe de volta
04:19a popularidade do atual presidente.
04:23Na sua avaliação, professor,
04:25uma retaliação nesse momento seria pior para o Brasil
04:29diante de todo esse contexto, né?
04:31Lembrando que o Brasil comunicou os Estados Unidos nessa sexta-feira
04:35sobre o início do processo de retaliação, né?
04:38A gente sabe que as coisas não vão acontecer tão rápido, né?
04:42Não é de uma hora para outra, tem um processo ainda longo,
04:45mas pensando a longo prazo, qual pode vir a ser a reação dos Estados Unidos?
04:52Bom, o Brasil começa, na verdade, o processo que a gente vai chamar de retaliação, né?
04:58Quando ele faz, quando ele aciona a Organização Mundial do Comércio, né?
05:02O MC, então isso já não foi nessa semana ou na semana passada.
05:07O que ocorre é que ele já vem demonstrado um posicionamento firme
05:13de manutenção da soberania nacional,
05:16de manter a soberania nacional e não aceitar interferências externas,
05:20em especial com relação ao que tem sido solicitado para as decisões do Alexandre de Moraes
05:30ou as decisões do Judiciário, né?
05:32E, de fato, o Brasil tem que manter a sua soberania,
05:35as decisões internas do país têm que ser feitas pelos seus cidadãos, né?
05:39Então, esse processo de retaliação, ele já vem ocorrendo, né?
05:46O que tem se agravado é justamente a questão de decisões internas com efeito externo.
05:54E isso vai se refletir em uma série de outras questões
06:00que devem ser executadas nos próximos dias, nos próximos meses,
06:05como a aproximação do Brasil com outros países,
06:10uma abertura de maior leque de oportunidades de pautas exportadoras,
06:17tentando reduzir o efeito do tarifácio,
06:22tentando melhorar a situação interna do Brasil.
06:26Professor, o senhor acredita, claro, que há reflexos aqui,
06:29como o senhor disse, no mundo, né?
06:30Em vários países também, inclusive nos Estados Unidos.
06:34Então, esse seria o limite, quer dizer, a partir do momento, né?
06:37A questão do suco de laranja foi bem exemplar, né?
06:40Então, havia toda uma cadeia muito organizada lá nos Estados Unidos também.
06:45Então, fechar a porta para o suco de laranja brasileiro mexeria com os empresários lá.
06:49Mexer com o aço aqui que vai para lá também mexe com o setor automotivo,
06:53que já garantiu que pode haver.
06:55Quer dizer, esses reflexos aí que são também inevitáveis nos Estados Unidos
07:00vão nortear também aí as decisões do presidente.
07:03Daqui a pouco vira, a popularidade já virou também de Donald Trump.
07:06Então, seria um limite para ele?
07:10Então, com certeza o efeito que se tem, se você reduz, né?
07:17Porque se você restringiu as exportações,
07:19você está restringindo a entrada de bens que o país está demandando.
07:23Então, se você reduz a oferta desses bens dentro dos Estados Unidos
07:28e a demanda continuar estável, o que você tem é um efeito de preço, né?
07:34Você vai ter que, dentro dos Estados Unidos,
07:37vai ocorrer um aumento do preço desses bens, desses insumos, né?
07:42Por conta da falta de oferta interna deles, né?
07:46E como os Estados Unidos estão fazendo isso com países ao redor do mundo,
07:51não só com o Brasil, a dificuldade de obter esses bens,
07:55de obter esse insumo para a produção nos Estados Unidos
07:59vai ser muito alta.
08:01No caso do ferro, em especial, não afeta só o setor automotivo, né?
08:05Afeta outros setores porque os Estados Unidos têm produção de tecnologia.
08:09Então, vai gerar, com certeza, um efeito de escala lá.
08:15E isso, por consequência, os Estados Unidos não é um país
08:18que está acostumado a conviver com a inflação,
08:21a conviver com essa alteração de preço,
08:24essa oscilação de preço.
08:25Isso vai, com certeza, afetar a popularidade do Trump
08:29por parte da população americana,
08:33que não tem um costume,
08:36não tem um hábito de ver os seus preços oscilando,
08:40principalmente para cima, né?
08:42Então, sim, com certeza vai ter um efeito negativo
08:46por parte dele.
08:49E eu acredito que lá isso será muito bem explorado
08:52pela oposição deles.
08:54Professor, teríamos aqui muitas perguntas, né?
08:57Para que a gente pudesse conversar.
08:59Pena que o nosso tempo está curto.
09:01Quero agradecer mais uma vez a sua participação.
09:04Recebemos, então, o professor de Economia do IBMEC Brasília,
09:07João Gabriel de Araújo.
09:08Mais uma vez, obrigada pela entrevista.
09:11Um bom dia para o senhor.
09:13Bom dia, eu que agradeço.
09:17Obrigado.
09:18Obrigado.
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